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“Maior sonho dos meus pais era que eu me formasse”

Natália perdeu os pais em acidente logo após a cerimônia de colação de grau
“Maior sonho dos meus pais era que eu me formasse”
17.08.2021 10h27  /  Postado por: Roger Nicolini

O que seria um dia de muita alegria pela formatura da primeira filha de um casal de Liberato Salzano terminou de forma trágica na noite de sábado em Passo Fundo. Depois de sair da colação de grau da filha Natália Soranzo, de 24 anos, o casal Jairo e Ilse Soranzo, ambos de 49 anos, se envolveram em um acidente de trânsito na ERS e perderam a vida.

O casal estava em uma caminhonete F-250, junto com o filho mais novo, Wilian Soranzo, de 16 anos. Ao tentar atravessar a rodovia, em frente ao Gran Palazzo Centro de Eventos, onde acontecia a formatura, o veículo acabou atingido por uma carreta com placas de Erechim. Jairo e Ilse morreram no local, o filho foi hospitalizado. Com uma lesão na face, o jovem passou por cirurgia e recebeu alta no domingo.

Natália havia deixado o Gran Palazzo minutos antes dos pais e do irmão. Ela estava em outro veículo, acompanhada do namorado. Ao perceber o acidente, os dois retornaram ao local. Natália desembarcou e o namorado, ao tentar fazer o retorno sobre a pista, também acabou sendo atingido por outro autmóvel.

“Íamos para uma churrascaria. Eu até olhei para trás, eles ainda estavam parados, aí nós seguimos e já tínhamos andando uns 6 minutos, quando meu primo me ligou e falou do acidente. Nos voltamos rápido, eu rezava e gritava muito”, relembra Natália.

Ela comenta ainda que por muito pouco não ficou ferida, já que o veículo do namorado foi atingido no lado do caroneiro

Sonho de formar a filha

Natália diz que seus pais eram pessoas muito corretas e humildes. Sempre ajudavam ao próximo, se davam bem com todo mundo. “Meu pai era um homem íntegro, honesto, muito querido e brincalhão. Minha mãe era uma pessoa doce, muito querida e calma, dona de um coração enorme”, destacou.

Ela comenta que seus pais sempre trabalharam na fazenda, e estudaram somente até a 4º série. Em razão disso, sempre incentivaram os filhos a estudarem. “Minha mãe sempre amou estudar, mas não teve oportunidade, por isso ela me dizia – Mana estuda muito, meu sonho era poder ter estudado”, lembrou.

Natália diz que por vezes sentiu culpada por ter feito a colação de grau, e que queria achar uma explicação de como as coisas poderiam ser diferentes. “Agora mais calma, me sinto em parte realizada por realizar um sonho deles, pois a felicidade deles era a minha felicidade, mas queria poder ter mais tempo com eles para poder retribuir um pouco mais tudo o que fizeram por mim”, comentou.

Ela lembra que durante a cerimônia, pouco tempo antes do acidente, ter entregue rosas para os pais e ter falado o quanto os amava, e que foram essas as últimas palavras ditas diretamente para eles.

Recomeço

Desde o acidente, ela diz que já recebeu mais de 8 mil mensagens, muitas de pessoas desconhecidas, prestando solidariedade e mostrando muita empatia. E que gostaria de agradecer a cada uma pela força e pela luz que está recebendo. “Estou tentando tirar forças nem sei de onde, pois preciso dar apoio ao meu irmão, que sobreviveu ao acidente, eu ainda não consigo pensar no que vai ser de meu futuro, por vezes me pergunto a Deus por que? Pois não consigo achar uma explicação, eles eram pessoas tão boas, mas também falo com Deus para agradecer pela vida de meu irmão”, disse ela.

Por fim, Natália destaca que conseguiu realizar o sonho dos pais, e que isso serve de consolo por tudo que aconteceu. “Meus pais eram agricultores e o maior sonho deles era que me formasse, eu iniciei meus trabalhos como modelo, porém deixei um pouco de lado para dar prioridade a minha faculdade, que era um grande sonho para eles. Eles sempre batalharam muito e me apoiaram em tudo. Meus pais estavam muito felizes e orgulhosos, quando peguei o diploma e ergui em direção deles, minha mãe chorava muito, eu via no rosto deles a felicidade”, finalizou

Despedida

O sepultamento do casal aconteceu no domingo em Liberato Salzano. O velório foi realizado no salão da Comunidade da Linha Barra Azul, onde o casal morava, e o sepultamento no cemitério da comunidade.

Ilse era natural de Liberato Salzano e Jairo natural de Constantina. Se casaram e foram morar em Linha Barra Azul, interior de Liberato Salzano, onde trabalhavam na agricultura e tiveram dois filhos: Natalia de 24 anos e Wilian, de 16.

Fonte: Jornal O Nacional

Foto: Arquivo pessoal

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