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Alto Alegre se destaca em ranking nacional de qualidade de vida e prefeito detalha desafios da gestão municipal

Alto Alegre se destaca em ranking nacional de qualidade de vida e prefeito detalha desafios da gestão municipal
27.05.2026 14h52  /  Postado por: rodrigosiga007

O município de Alto Alegre voltou a ganhar projeção estadual e nacional ao alcançar um dos melhores desempenhos do país em qualidade de vida. O município conquistou a segunda colocação no Rio Grande do Sul no Índice de Progresso Social (IPS) 2026, com nota 70,86, ficando atrás de apenas uma cidade gaúcha no levantamento estadual. Em âmbito nacional, Alto Alegre ocupa a 16ª posição entre os 5.570 municípios brasileiros avaliados, além de garantir o primeiro lugar entre os municípios da região do Alto Jacuí.

O assunto foi destaque durante entrevista concedida pelo prefeito Silmar Demamann ao programa Giro da Notícia desta quarta-feira (27/05), oportunidade em que o chefe do Executivo abordou não apenas o reconhecimento obtido pelo município, mas também temas ligados à administração municipal, captação de recursos, saúde pública, obras em andamento, habitação popular e os desafios que começam a surgir com a implementação da nova legislação tributária brasileira.

Logo no início da conversa, o prefeito destacou que a conquista não pertence exclusivamente à atual administração, mas sim à trajetória construída ao longo dos anos por toda a comunidade alto-alegrense.

“Esse reconhecimento é mérito de toda a sociedade. Não é somente da administração atual. É resultado de um trabalho contínuo, realizado por diferentes gestões, pelas entidades, pelas famílias, pelas escolas, pelas lideranças e pela comunidade como um todo”, ressaltou.

Educação, inclusão social e participação comunitária ajudam a explicar os indicadores positivos

Ao comentar os fatores que ajudam a explicar o elevado índice alcançado por Alto Alegre, o prefeito citou uma série de políticas públicas e iniciativas sociais que vêm sendo desenvolvidas no município.

Entre os pontos destacados está a forte participação da terceira idade em atividades sociais, culturais e esportivas, levando o nome do município para diferentes regiões do Rio Grande do Sul.

Segundo Silmar, os grupos da melhor idade possuem atuação ativa na comunidade, participando constantemente de encontros e eventos regionais, algo que, na avaliação do gestor, influencia diretamente na qualidade de vida da população.

Outro aspecto apontado foi o investimento contínuo na área da educação.

Conforme o prefeito, Alto Alegre garante atendimento para todas as crianças na faixa de zero a seis anos, sem filas de espera por vagas escolares. Além disso, o município mantém oficinas, atividades complementares e programas de acompanhamento diário para crianças e adolescentes.

O ensino em turno integral, atualmente ofertado na Escola 13 de Maio, também foi mencionado como uma ferramenta importante para ampliar o desenvolvimento educacional e social dos estudantes.

De acordo com Silmar, a procura crescente pelo ensino integral já levou o município a investir na ampliação da estrutura física da escola.

“Estamos ampliando o espaço escolar justamente para garantir mais conforto, melhor estrutura para alunos e professores e continuar oferecendo qualidade no atendimento”, afirmou.

Para o prefeito, o reconhecimento alcançado pelo município representa motivo de orgulho, mas também aumenta o grau de responsabilidade da gestão.

“Quando você chega a esse nível de classificação, a responsabilidade aumenta. Não basta conquistar o reconhecimento; precisamos manter o padrão de qualidade e buscar evoluir ainda mais”, observou.

Agenda em Brasília busca fortalecer recursos para Alto Alegre

Durante a entrevista, o prefeito também comentou sua recente participação em agendas realizadas em Brasília, incluindo eventos promovidos pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM).

Segundo ele, encontros como esses são fundamentais para a defesa do municipalismo e para a articulação política necessária à captação de recursos.

O prefeito explicou que, atualmente, grande parte dos investimentos realizados pelos municípios depende de emendas parlamentares, o que exige constante diálogo com deputados federais, senadores e lideranças nacionais.

“A realidade hoje é que os prefeitos precisam buscar recursos fora do município. Existe uma disputa grande pelos investimentos e nós precisamos estar presentes, participar dos debates e visitar gabinetes”, destacou.

Conforme informou, Alto Alegre possui previsão de aproximadamente R$ 1,58 milhão em emendas parlamentares para este período, sendo que cerca de R$ 650 mil já foram liberados ou empenhados, enquanto o restante ainda aguarda liberação ou conclusão dos trâmites administrativos.

Grande parte desses valores, segundo o prefeito, possui destinação específica para a área da saúde.

Saúde preocupa gestores e falta de medicamentos mobiliza municípios da região

Um dos temas mais abordados pelo prefeito foi a situação da saúde pública, apontada como uma das áreas mais desafiadoras da gestão municipal.

Silmar observou que os impactos financeiros e estruturais deixados pela pandemia continuam sendo sentidos pelos municípios, aumentando a pressão sobre os serviços de atendimento, aquisição de medicamentos e manutenção dos programas de saúde.

Entre as dificuldades citadas está a falta de medicamentos disponibilizados por meio do consórcio regional responsável pelo abastecimento dos municípios conveniados.

Segundo o prefeito, a situação tem provocado reclamações frequentes da população e chegado diretamente ao gabinete municipal.

Diante disso, uma reunião regional foi definida para o dia 12 de junho, em Alto Alegre, reunindo representantes do Comaja, Amasbi, Amarja e gestores ligados à área da saúde.

A intenção, conforme explicou, é promover esclarecimentos junto à direção da Cisa, responsável pelo fornecimento, buscando entender os motivos da escassez de medicamentos.

Enquanto isso, o prefeito orienta a população a utilizar alternativas disponíveis, como a Farmácia Popular e, quando necessário, o próprio apoio municipal na aquisição de medicamentos específicos.

“Quando falta medicamento, a população procura respostas, e é natural. Dentro das possibilidades do município, o secretário tem autonomia para buscar soluções e garantir atendimento quando necessário”, afirmou.

Obras buscam melhorar mobilidade, segurança e infraestrutura urbana

A entrevista também serviu para atualizar a comunidade sobre as obras em andamento no município.

Entre os projetos destacados está a ampliação da Escola 13 de Maio, investimento voltado à melhoria das condições de ensino e acomodação dos alunos.

Outro trabalho em execução envolve a implantação e ampliação de passeios públicos em importantes acessos urbanos.

As melhorias estão sendo realizadas nas entradas de Alto Alegre pelos acessos de Espumoso e Campos Borges, utilizando recursos provenientes de emenda parlamentar destinada à infraestrutura urbana.

Segundo o prefeito, a proposta vai além do aspecto estético.

“O passeio público melhora a segurança dos pedestres, oferece mais acessibilidade e também contribui para a imagem da cidade. A entrada do município é o cartão de visitas da administração”, pontuou.

Município avança em projeto habitacional com previsão de 20 novas moradias

Na área habitacional, o prefeito confirmou avanços importantes para a implantação de um novo projeto de moradia popular em Alto Alegre.

O município concluiu recentemente a assinatura da escritura para aquisição de uma área localizada dentro do perímetro urbano, destinada à construção de 20 unidades habitacionais por meio de programa vinculado ao Governo Federal.

Segundo Silmar, o município já conta com cerca de R$ 280 mil empenhados junto ao Ministério das Cidades, aguardando apenas a liberação das próximas etapas para lançamento do processo licitatório e início efetivo das obras.

O terreno adquirido possui aproximadamente 6.154 metros quadrados e será desmembrado em lotes individuais de cerca de 300 metros quadrados.

A escolha por terrenos maiores foi estratégica, segundo o gestor.

A ideia é permitir que as famílias beneficiadas tenham espaço não apenas para moradia, mas também para pequenas hortas, áreas produtivas e futuras ampliações residenciais.

Grande parte dos beneficiários já passou pelo processo de cadastramento, restando ainda etapas relacionadas ao trabalho social exigido pelo programa.

Reforma tributária gera apreensão entre prefeitos brasileiros

Um dos momentos mais extensos e preocupantes da entrevista foi dedicado aos impactos da reforma tributária sobre os municípios brasileiros.

Silmar afirmou que o tema vem mobilizando prefeitos em encontros regionais, estaduais e nacionais, principalmente pela falta de clareza inicial sobre os mecanismos de funcionamento da nova legislação.

Conforme relatou, recentes palestras técnicas começaram a detalhar melhor os impactos práticos, gerando forte apreensão entre os gestores municipais.

Entre as principais exigências está a necessidade de realização do georreferenciamento completo dos municípios até 31 de dezembro de 2026.

O processo envolve levantamento detalhado de imóveis, lotes urbanos, áreas territoriais, cadastros e integração de informações em sistemas federais.

Segundo o prefeito, os custos podem ser extremamente elevados.

Municípios de pequeno porte, como Alto Alegre, podem precisar investir entre R$ 350 mil e R$ 400 mil, enquanto cidades maiores podem chegar a despesas superiores a R$ 3 milhões ou R$ 4 milhões.

“É obrigatório. Não existe opção. Ou o município realiza esse trabalho ou corre o risco de enfrentar restrições fiscais e perder acesso a recursos”, alertou.

Mudanças na distribuição de receitas podem afetar municípios produtores

Outra preocupação apresentada pelo prefeito envolve o novo modelo de distribuição de receitas previsto na reforma tributária.

Conforme explicou, a lógica passará gradativamente da arrecadação baseada na produção para um sistema mais vinculado ao consumo e ao cadastro populacional.

Na avaliação de Silmar, municípios fortemente ligados ao agronegócio e à produção podem enfrentar perdas relevantes no futuro.

Ele também destacou a importância da correta atualização de cadastros populacionais, incluindo endereços e vínculos municipais, apontados como fatores que poderão influenciar na distribuição de receitas.

Além disso, critérios relacionados ao meio ambiente, preservação territorial, georreferenciamento rural, indicadores de educação e desempenho municipal também devem ganhar peso no cálculo futuro dos recursos.

Segundo o prefeito, produtores rurais e municípios precisarão ampliar adequações relacionadas à preservação ambiental, regularização fundiária e atualização cadastral.

“O cenário preocupa porque tudo está acontecendo de forma muito rápida. Os municípios terão de se adaptar, investir recursos elevados e cumprir prazos curtos”, afirmou.

Defesa do municipalismo e preocupação com pequenos municípios

Ao encerrar a entrevista, o prefeito voltou a defender o fortalecimento do municipalismo e demonstrou preocupação com possíveis impactos futuros sobre cidades pequenas.

Segundo ele, municípios de menor porte conseguem oferecer atendimento mais próximo da população, característica que ajuda a explicar bons resultados em indicadores de qualidade de vida.

Silmar lembrou que Alto Alegre precisou de intensa mobilização histórica para conquistar sua emancipação e alertou para os riscos de enfraquecimento das pequenas cidades diante das novas exigências fiscais e tributárias.

“Os municípios pequenos conseguem dar atenção direta às pessoas. Foi uma luta grande para Alto Alegre conquistar sua autonomia. Precisamos defender isso e buscar soluções coletivas para os desafios que estão surgindo”, concluiu.

Acompanhe o podcast:

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