A movimentação da safra 2026 tem exigido planejamento, estrutura e agilidade por parte das cooperativas e produtores rurais. Em entrevista no programa Rumo ao Campo deste sábado (04/04), o gerente da unidade da C.Vale de Tapera, Sandro Daniel da Silva, destacou os principais desafios e estratégias adotadas diante de um ano considerado desafiador, mas com resultados expressivos.
Segundo o gestor, o aumento significativo no volume de grãos recebidos tem sido um dos pontos de destaque. Apenas na safra de milho, a unidade registrou um recebimento equivalente a 191% da expectativa inicial, praticamente dobrando o volume previsto. Esse crescimento reflete, principalmente, a confiança dos produtores na cooperativa, que vem ampliando sua estrutura e consolidando sua atuação no mercado.
Para dar conta dessa demanda, a cooperativa investiu em alternativas de armazenamento, como os silos bolsa, utilizados de forma provisória para garantir a qualidade dos grãos até o momento da comercialização. O processo inclui secagem, limpeza e classificação, assegurando um produto pronto tanto para exportação quanto para industrialização.
A C.Vale vive um momento de expansão. No último ano, a cooperativa alcançou faturamento de R$ 25,2 bilhões, com crescimento de cerca de R$ 3 bilhões em relação ao período anterior. Além disso, distribuiu mais de R$ 175 milhões em sobras aos cooperados, sendo aproximadamente R$ 12 milhões destinados ao Rio Grande do Sul. Parte desse desempenho está ligada à forte atuação na industrialização, especialmente com a estrutura da esmagadora em Palotina (PR), que agrega valor à produção.
Outro ponto abordado foi o escoamento da safra. A utilização de ferrovias, como a ligação via Júlio de Castilhos, tem contribuído para reduzir custos logísticos. No entanto, Sandro ressalta que o Brasil ainda carece de maiores investimentos em infraestrutura ferroviária e hidroviária, o que poderia aumentar a competitividade e melhorar a rentabilidade do produtor.
A alta no preço do diesel, impulsionada por conflitos internacionais e oscilações no mercado do petróleo, também preocupa. O impacto já é sentido no campo, afetando diretamente o custo de produção, transporte e colheita. Muitos produtores relatam dificuldades para manter o planejamento financeiro diante dessas variações.
Nesse cenário, a cooperativa tem buscado oferecer suporte aos associados por meio de ferramentas como contratos antecipados, operações de barter (troca de insumos por grãos) e negociações no mercado internacional. A estratégia, segundo Sandro Daniel da Silva, é diluir riscos e garantir maior previsibilidade ao produtor.
A recomendação principal é evitar apostas únicas e trabalhar com a média de preços ao longo do ciclo produtivo. “O mercado é volátil, e a melhor forma de proteção é aproveitar diferentes oportunidades de negociação”, destacou.
Além disso, o gerente reforçou a importância da diversificação e da rotação de culturas, incluindo opções como trigo, milho e canola. Embora culturas emergentes possam apresentar alta rentabilidade inicial, é necessário cautela, já que os preços tendem a se ajustar conforme aumenta a oferta.
Por fim, a unidade também segue atuando no beneficiamento de sementes, com bons índices de produtividade, apesar dos desafios climáticos, como chuvas irregulares que impactam a qualidade final.
Mesmo diante das incertezas, o cenário é de otimismo moderado. A combinação entre estrutura, planejamento e apoio ao produtor tem sido fundamental para enfrentar os desafios e garantir bons resultados no campo.
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