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Fábio Ceccon destaca diversificação e planejamento no campo

Fábio Ceccon destaca diversificação e planejamento no campo
03.10.2026 09h53  /  Postado por: villaadriano

O planejamento da atividade agrícola, a diversificação das propriedades e a necessidade de preparar o campo para os próximos anos foram alguns dos assuntos abordados pelo secretário municipal de Agricultura e Meio Ambiente de Espumoso, Fábio Ceccon, durante entrevista ao programa Rumo ao Campo deste sábado (03), da Rádio Planetário 91.5 FM.

Ao comparar a realidade da agricultura brasileira com a experiência que teve nos Estados Unidos, onde realizou estágio durante quase dois anos, Ceccon destacou a importância de utilizar os períodos de menor atividade para planejamento e qualificação.

Segundo o secretário, durante o rigoroso inverno da região de Wisconsin, onde trabalhou em uma propriedade com produção de leite, os produtores utilizam os meses de menor atividade no campo para revisar máquinas, estudar, planejar a próxima safra e antecipar possíveis problemas.

Para Ceccon, essa realidade é diferente da enfrentada pelos produtores da região Sul do Brasil, que permanecem envolvidos durante praticamente todo o ano com atividades como plantio, colheita, manejo de solo, controle de plantas daninhas, pragas e doenças, além das questões financeiras, compra de insumos e comercialização da produção.

Nesse contexto, o secretário destacou iniciativas desenvolvidas em Espumoso para estimular conhecimento e planejamento no setor. Entre elas estão o Seminário Regional Cultivando o Futuro, os dias de campo e eventos voltados à pecuária.

Ceccon ressaltou que essas ações representam oportunidades de acesso a conhecimento e podem estimular os produtores a analisar novas alternativas para suas propriedades.

De acordo com o secretário, um dos principais desafios identificados está na concentração da renda agrícola nas culturas de verão. Durante o Seminário Cultivando o Futuro, ele apresentou dados sobre as receitas das propriedades do município e apontou que aproximadamente 80% da receita está relacionada às culturas de verão.

Na avaliação apresentada por Ceccon, essa concentração representa uma vulnerabilidade para o produtor, já que problemas climáticos ou de mercado durante esse período podem provocar dificuldades financeiras por vários anos.

Como alternativa, o secretário defende a ampliação da geração de renda durante o inverno e a diversificação dos sistemas produtivos. Ele citou o trigo e a canola como culturas já presentes na região, mas destacou os desafios relacionados à qualidade, comercialização, preços e riscos de produção.

Outro ponto abordado foi o crescimento da demanda por alimentos e energia e as oportunidades que podem surgir com a instalação de usinas de etanol na região.

Ceccon citou as usinas previstas para Passo Fundo e Cruz Alta e explicou que a utilização regional de grãos para produção de biocombustíveis também gera subprodutos, como o DDG, que possui elevado teor de proteína e energia e pode ser utilizado na alimentação animal.

Na visão do secretário, esse cenário pode contribuir para ampliar a produção de bovinos de corte e de leite em Espumoso e nos municípios da região, criando uma nova possibilidade de diversificação para as propriedades.

Ele também chamou atenção para o comportamento cíclico dos mercados. Segundo Ceccon, períodos de valorização dos grãos podem estimular os produtores a concentrar investimentos nas lavouras, reduzindo a produção pecuária. Com a diminuição da oferta de animais, os preços do gado tendem a reagir, criando novamente oportunidades para a atividade.

Dentro dessa perspectiva, a integração lavoura-pecuária foi apontada como uma alternativa que pode ser explorada pelos produtores. O sistema permite combinar produção agrícola e pecuária, com planejamento adequado da ocupação do solo e das pastagens.

Ceccon citou ainda a possibilidade de utilizar áreas após a colheita do milho para implantação de pastagens, inclusive com a utilização de braquiária semeada junto ao milho ou posteriormente. Dessa forma, após a colheita, o produtor pode ter uma pastagem estabelecida para utilização com animais, aproveitando também resíduos da própria cultura.

O secretário reforçou, porém, que a adoção desses sistemas exige planejamento, conhecimento técnico e acompanhamento constante, principalmente nas questões nutricionais, sanitárias e de manejo dos animais.

Outro aspecto destacado foi a evolução genética do rebanho. Segundo Ceccon, os animais atuais apresentam maior capacidade de ganho de peso, o que pode contribuir para sistemas de produção mais eficientes quando associados ao manejo adequado das pastagens e à suplementação.

Durante a entrevista, o secretário também falou sobre a necessidade de preservar o solo. Ele citou como exemplo a experiência de sua família, que utiliza culturas de cobertura, como o capim-sudão, com o objetivo de produzir matéria orgânica e manter o solo protegido.

Para Ceccon, existem diversas tecnologias e modelos produtivos que ainda podem ser melhor explorados pelos agricultores. Ele defendeu o fortalecimento da extensão rural para apresentar essas alternativas aos produtores, permitindo que cada propriedade encontre o sistema mais adequado à sua realidade, capacidade operacional e disponibilidade de mão de obra.

A sucessão familiar também foi apontada como um dos grandes desafios para o futuro da agricultura.

Segundo o secretário, a falta de sucessores já pode ser percebida em diversas propriedades do interior. Ele afirmou que, embora propriedades maiores apresentem uma tendência maior de manter os sucessores no campo, o tamanho da propriedade não é o único fator determinante.

Para Ceccon, pequenas propriedades também podem ser viáveis para as novas gerações, desde que sejam realizados ajustes no sistema produtivo capazes de aumentar a geração de renda e tornar a atividade mais atrativa para os jovens.

O secretário destacou ainda a importância da relação dos filhos com a propriedade e com a história da família. Na avaliação dele, quanto maior a conexão construída ao longo das gerações, maior pode ser a influência desse vínculo no momento em que os jovens precisarem decidir entre permanecer no campo ou buscar outras atividades.

Ao concluir, Fábio Ceccon reforçou que o futuro da agricultura depende das decisões tomadas no presente. Para ele, planejamento, diversificação, geração de renda, conhecimento técnico e sucessão familiar precisam fazer parte da discussão sobre o futuro das propriedades rurais de Espumoso e de toda a região.

Acompanhe o podcast:

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