Manejo de plantas daninhas, tecnologia e qualidade das sementes são destaques no Rumo ao Campo
O programa Rumo ao Campo, da Rádio Planetário 91.5 FM, recebeu neste sábado (26) o engenheiro agrônomo Emerson Derlan, da C.Vale, que atua na região de Selbach e atende produtores principalmente nos municípios de Espumoso e Soledade. Durante a entrevista, o profissional abordou temas relacionados ao manejo das lavouras, controle de plantas daninhas, culturas de cobertura, tecnologia, qualidade das sementes e planejamento da próxima safra de soja.
Natural de Mormaço e residente em Soledade, Emerson é formado em Engenharia Agronômica desde 2020 e já atuava anteriormente como técnico agrícola. Segundo ele, sua atividade é realizada de forma itinerante, acompanhando propriedades e produtores de diferentes localidades da região.
CLIMA E OS DESAFIOS DA AGRICULTURA
Ao falar sobre as transformações observadas no campo ao longo dos últimos anos, Emerson destacou a influência das condições climáticas sobre a atividade agrícola.
Segundo o engenheiro agrônomo, períodos de estiagem, excesso de chuva e outras oscilações climáticas sempre fizeram parte da realidade do produtor rural. No entanto, ele avaliou que os últimos anos foram especialmente desafiadores, com impactos sobre a produtividade e, consequentemente, sobre a situação financeira dos produtores e de toda a cadeia ligada ao agronegócio.
Para Emerson, esse cenário reforça a necessidade de planejamento e de decisões cada vez mais técnicas dentro das propriedades.
PLANTAS DANINHAS EXIGEM ATENÇÃO
Um dos principais assuntos da entrevista foi o controle das plantas daninhas. Emerson explicou que os problemas podem variar de acordo com a região e com as características de cada propriedade.
Entre as espécies mencionadas durante a conversa estão buva, caruru, losna e azevém. O engenheiro agrônomo destacou que a losna tem sido uma preocupação especialmente na região de Soledade, devido à dificuldade de controle.
As plantas daninhas competem com as culturas por água, luz e nutrientes, podendo comprometer o potencial produtivo da lavoura. O problema, segundo Emerson, muitas vezes acaba sendo subestimado quando a quantidade de plantas invasoras parece pequena.
Entretanto, uma planta daninha por metro quadrado representa milhares de plantas quando esse número é projetado para uma área de um hectare. Por isso, o acompanhamento da lavoura e o planejamento do manejo são fundamentais para evitar que a infestação provoque perdas de produtividade.
O MANEJO DURANTE O INVERNO
O período de inverno também foi destacado como uma etapa estratégica para o planejamento da próxima safra. Emerson explicou que a escolha das culturas e das plantas de cobertura pode contribuir tanto para o controle de plantas daninhas quanto para a conservação e melhoria das condições do solo.
Nas áreas que não recebem uma cultura comercial durante o inverno, o uso de plantas de cobertura pode ajudar a proteger o solo e melhorar características físicas, biológicas e nutricionais da área.
O sombreamento provocado pelas plantas de cobertura também pode dificultar a germinação de plantas daninhas presentes no banco de sementes do solo.
Entre as alternativas utilizadas pelos produtores estão nabo, ervilhaca, aveia branca, aveia preta e centeio. Emerson também destacou o uso de consórcios, com a combinação de diferentes espécies de plantas de cobertura.
Segundo ele, a associação de espécies com características diferentes pode proporcionar benefícios complementares para a área, contribuindo para a formação de palhada, cobertura do solo e manejo das plantas daninhas.
PLANEJAMENTO DA SUCESSÃO DE CULTURAS
Apesar dos benefícios das plantas de cobertura, o engenheiro agrônomo chamou atenção para a necessidade de planejamento antes da escolha das espécies.
Durante a entrevista, Emerson citou como exemplo uma área que recebe aveia durante o inverno e que, posteriormente, será utilizada para o cultivo de trigo destinado à produção de sementes.
Nesse caso, a presença de plantas ou grãos de aveia pode se tornar um problema no processo de classificação do trigo. Por isso, a decisão sobre o que será plantado no inverno precisa levar em consideração não apenas a cultura atual, mas também o destino da área nas safras seguintes.
A orientação reforça a importância de pensar o sistema de produção de forma integrada, considerando a sucessão de culturas e os objetivos de cada talhão.
GESTÃO E VISÃO EMPRESARIAL DA PROPRIEDADE
Outro ponto abordado foi a necessidade de o produtor rural administrar a propriedade cada vez mais como uma atividade empresarial.
Para Emerson, independentemente do tamanho da área cultivada, é fundamental trabalhar com planejamento das safras, controle dos custos, escolha adequada do momento de aquisição dos insumos e acompanhamento técnico.
A assistência agronômica também foi apontada como importante para definir quais produtos e tecnologias realmente são necessários em cada situação.
A própria C.Vale destaca a agricultura de precisão como uma ferramenta voltada à tomada de decisões, à otimização dos custos e ao uso mais eficiente dos insumos.
TECNOLOGIA A SERVIÇO DO PRODUTOR
As novas tecnologias disponíveis para o campo também estiveram entre os assuntos da entrevista.
Emerson citou ferramentas como GPS, imagens de satélite, drones e softwares de análise. Segundo ele, essas tecnologias permitem identificar diferenças dentro dos talhões e direcionar as visitas técnicas para pontos que apresentam algum tipo de alteração.
A agricultura de precisão permite justamente analisar a variabilidade existente dentro das áreas cultivadas e auxiliar na definição de estratégias de manejo mais específicas. A C.Vale informa que utiliza ferramentas de agricultura de precisão para apoiar recomendações relacionadas ao manejo e à fertilidade do solo.
Os drones também vêm sendo utilizados no acompanhamento das lavouras. A C.Vale apresenta aplicações da tecnologia para levantamento de informações das áreas agrícolas e identificação de características que podem auxiliar na tomada de decisões.
PRÉ-EMERGENTES COMO FERRAMENTA DE MANEJO
Com a proximidade da implantação da próxima safra de soja, o uso de herbicidas pré-emergentes também foi abordado.
Emerson explicou que essa ferramenta pode contribuir para o controle das plantas daninhas antes de sua emergência, proporcionando maior segurança operacional ao produtor.
A estratégia ganha importância especialmente em períodos em que as condições climáticas podem dificultar a entrada de máquinas nas lavouras. Ao reduzir a emergência das plantas daninhas, o pré-emergente pode diminuir a pressão sobre as operações posteriores de controle.
O profissional ressaltou, porém, que a escolha dos produtos e das estratégias deve considerar as características de cada área, o histórico da lavoura e a orientação técnica adequada.
QUALIDADE DAS SEMENTES É FUNDAMENTAL
Na parte final da entrevista, Emerson falou sobre a qualidade das sementes utilizadas na implantação da lavoura de soja.
Segundo o engenheiro agrônomo, aspectos como germinação, vigor, sanidade e qualidade do tratamento são fundamentais para garantir um bom estabelecimento inicial da cultura.
A própria C.Vale informa que suas sementes de soja passam por controle de qualidade envolvendo aspectos genéticos, físicos, fisiológicos e sanitários. A cooperativa também destaca a importância de elevados índices de germinação e vigor para o estabelecimento inicial da lavoura.
A C.Vale produz sementes de soja em regiões consideradas adequadas para essa finalidade, incluindo Tapera, no Rio Grande do Sul, além de unidades em Santa Catarina e Goiás. A cooperativa informa que a produção em Tapera teve início em 2015, enquanto a produção em Catalão, Goiás, começou em 2024.
SEMENTES SALVAS TAMBÉM EXIGEM CUIDADOS
Em relação às sementes salvas, Emerson destacou a importância de acompanhar a qualidade do material desde o armazenamento até o momento da semeadura.
Entre os cuidados mencionados estão a avaliação da germinação, do vigor e da sanidade das sementes. A qualidade fisiológica e sanitária é determinante para o estabelecimento uniforme da lavoura.
O produtor que optar pelo uso de sementes próprias também precisa estar atento às regras relacionadas à origem do material e às tecnologias eventualmente presentes na semente.
ROYALTIES E TECNOLOGIAS GENÉTICAS
A entrevista também abordou a questão dos royalties relacionados às tecnologias utilizadas nas sementes de soja.
Emerson explicou que o tema envolve aspectos técnicos e jurídicos e que o produtor precisa estar atento à documentação e às regras aplicáveis à tecnologia utilizada.
A legislação brasileira diferencia a proteção de cultivares da proteção de eventos biotecnológicos. Estudos do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) apontam que eventos biotecnológicos podem estar protegidos pela legislação de propriedade industrial e que o uso de sementes com determinadas tecnologias pode envolver o pagamento de royalties, inclusive em situações de sementes reservadas pelo produtor para utilização em safras posteriores.
Diante da complexidade do tema, a orientação é que o produtor busque informações junto aos canais oficiais e assistência técnica especializada para verificar as condições específicas de cada tecnologia e situação.
ASSISTÊNCIA TÉCNICA E PLANEJAMENTO
Ao longo da entrevista, Emerson reforçou diversas vezes a importância da assistência técnica para a tomada de decisões no campo.
Para o engenheiro agrônomo, antes de recomendar qualquer estratégia é necessário conhecer a realidade da propriedade, suas limitações operacionais, o histórico da área, as características do solo, as culturas utilizadas e os objetivos do produtor.
A proposta é buscar maior precisão nas decisões, evitando aplicações ou investimentos que não sejam necessários e direcionando os recursos para as situações em que podem trazer maior retorno.
A C.Vale define a agricultura de precisão justamente como uma forma de tornar mais eficientes os processos que interferem na rentabilidade da propriedade, com foco em fazer a coisa certa, no momento certo, na quantidade certa e no lugar certo.
O conjunto de temas discutidos no Rumo ao Campo mostrou que o planejamento da próxima safra começa muito antes da semeadura. Controle de plantas daninhas, cobertura do solo, sucessão de culturas, qualidade das sementes, tratamento, tecnologia, gestão de custos e assistência técnica fazem parte de uma mesma estratégia para o produtor buscar eficiência e preservar o potencial produtivo de sua lavoura.
A entrevista com Emerson Derlan foi realizada neste sábado (26), durante o programa Rumo ao Campo, da Rádio Planetário 91.5 FM.
Acompanhe o podcast completo abaixo.




