Agronomia, tecnologia e gestão são temas de entrevista no Rumo ao Campo
O programa Rumo ao Campo, da Rádio Planetário, recebeu no sábado (12/09) o engenheiro agrônomo e coordenador de vendas da Capaz, Júlio Ferrazza Pazinato. A entrevista abordou a importância da agronomia, os desafios enfrentados atualmente pelos profissionais do setor, o avanço das tecnologias no campo e a necessidade de planejamento para a tomada de decisões dentro das propriedades rurais.
A conversa ocorreu às vésperas do Dia Mundial do Engenheiro Agrônomo, celebrado em 13 de setembro. Durante a entrevista, Júlio também lembrou que, no Brasil, o Dia do Engenheiro Agrônomo é celebrado em 12 de outubro.
Uma trajetória construída no ambiente agrícola
Formado em Engenharia Agronômica em 2022, Júlio contou que sua relação com o setor agrícola começou ainda na infância. Filho de Juliano, também engenheiro agrônomo e com mais de 30 anos de experiência na profissão, ele cresceu acompanhando de perto o trabalho desenvolvido pela família na área agrícola.
Antes da graduação, Júlio cursou Técnico Agrícola em Ibirubá. A partir dos 14 ou 15 anos, passou a ter uma aproximação ainda maior com o campo, acompanhando vendedores durante as visitas às propriedades, especialmente nos períodos de férias que coincidiam com a cultura da soja.
Segundo ele, a convivência constante com o trabalho da família foi determinante para despertar o interesse pela agronomia. A empresa familiar também fazia parte do cotidiano, com assuntos relacionados ao setor sendo discutidos dentro e fora do ambiente de trabalho.
A continuidade da família na área também está presente na formação do irmão de Júlio, que cursa Agronomia e deve concluir o curso no próximo ano.
A importância do engenheiro agrônomo junto ao produtor
Durante a entrevista, Júlio destacou que o engenheiro agrônomo possui uma função importante no acompanhamento diário das propriedades. Além de orientar sobre alternativas de manejo e utilização de tecnologias, o profissional precisa conhecer a realidade de cada produtor para que as recomendações sejam adequadas às condições da propriedade.
Entre os aspectos que precisam ser considerados estão a fertilidade das áreas, as variedades mais adaptadas, os níveis de infestação de plantas invasoras e a capacidade financeira do produtor para realizar determinados investimentos.
Para Júlio, o aumento do acesso à informação trouxe novas possibilidades, mas também exige atenção. Atualmente, os produtores têm acesso rápido a conteúdos por meio de redes sociais e outras plataformas, mas nem toda informação disponível é necessariamente correta ou adequada para determinada realidade.
Nesse cenário, a proximidade entre o produtor e o engenheiro agrônomo ganha ainda mais importância. O profissional que conhece o histórico da propriedade pode auxiliar na avaliação dessas informações e identificar aquilo que realmente pode ser aplicado em cada área.
Tecnologia exige planejamento e avaliação de custos
Júlio também destacou a evolução tecnológica observada no campo nos últimos anos. Agricultura de precisão, GPS e diferentes ferramentas de manejo já fazem parte da realidade de muitas propriedades.
No entanto, segundo o agrônomo, a existência de uma nova tecnologia não significa necessariamente que sua utilização seja prioritária em todas as propriedades. O produtor precisa avaliar o custo e o possível retorno antes de realizar um investimento.
Essa análise se torna ainda mais importante em períodos de dificuldades econômicas. Uma tecnologia pode ser eficiente, mas, dependendo da situação financeira da propriedade, talvez não seja o momento adequado para assumir determinado custo.
A avaliação das prioridades, portanto, precisa fazer parte do planejamento da propriedade, especialmente em anos de resultados mais apertados.
Decisões tomadas hoje podem afetar várias safras
Outro assunto destacado na entrevista foi a gestão financeira. Júlio ressaltou que as decisões tomadas dentro de uma propriedade rural não necessariamente produzem efeitos somente em uma safra.
A aquisição de máquinas financiadas, por exemplo, pode representar um compromisso de vários anos. Uma decisão tomada em um período de preços agrícolas elevados pode se tornar mais difícil de administrar caso os valores dos produtos caiam posteriormente, enquanto juros e demais custos continuam incidindo.
O agrônomo citou como exemplo a utilização da soja como referência para o planejamento financeiro. Segundo ele, um produtor pode projetar o pagamento de determinado investimento considerando um determinado preço da saca, mas, se esse valor diminuir ao longo dos anos, a quantidade de produto necessária para quitar o compromisso poderá aumentar significativamente.
Por isso, o planejamento e o diálogo com profissionais que acompanham a propriedade podem contribuir para uma tomada de decisão mais adequada à realidade financeira do produtor.
Atualização profissional é fundamental
A necessidade de atualização constante também foi destacada por Júlio. Para acompanhar as mudanças no setor, o engenheiro agrônomo precisa buscar conhecimento em cursos, palestras, workshops e outras atividades de formação.
Esses encontros também possibilitam a troca de experiências entre profissionais de diferentes regiões. Situações observadas em outras propriedades podem servir como referência para novos manejos, desde que sejam avaliadas de acordo com as características de cada realidade.
Júlio destacou ainda que empresas e indústrias do setor mantêm pesquisas voltadas ao desenvolvimento de novos produtos e tecnologias. Segundo ele, acompanhar esse trabalho permite ao profissional conhecer antecipadamente algumas das soluções que poderão estar disponíveis para os produtores nos próximos anos.
Controle de plantas invasoras está entre os principais desafios
Entre os desafios observados atualmente no campo, Júlio apontou a dificuldade de controle das plantas invasoras, especialmente as de folhas estreitas.
Durante a entrevista, ele explicou que plantas daninhas, insetos e doenças podem desenvolver resistência quando indivíduos resistentes sobrevivem aos tratamentos e continuam se reproduzindo. Ao longo das gerações, essa característica pode aumentar dentro da população, tornando o controle cada vez mais difícil.
Outro fator de preocupação é a disseminação de sementes. Plantas com sementes pequenas, como o caruru, podem ser transportadas pelo vento ou pelo deslocamento de máquinas agrícolas entre diferentes áreas.
A limpeza dos equipamentos também é importante para evitar a transferência de sementes e, no caso das aplicações de defensivos, a presença de resíduos de determinados produtos no tanque pode provocar danos em uma cultura que não apresenta resistência àquela tecnologia.
Novas tecnologias ampliam as alternativas de manejo
Júlio citou durante a entrevista as tecnologias Enlist e Intacta 2 Xtend como exemplos de alternativas que ampliaram as possibilidades de manejo na cultura da soja.
Segundo o agrônomo, essas diferentes tecnologias exigem atenção na escolha dos produtos e na realização das aplicações. Um herbicida indicado para determinada tecnologia de soja não necessariamente pode ser aplicado sobre outra cultivar.
A preocupação também envolve as propriedades que possuem diferentes tecnologias implantadas em áreas distintas. Antes de passar de uma lavoura para outra, é necessário realizar corretamente a limpeza do tanque e dos equipamentos, evitando que resíduos de herbicidas provoquem fitotoxicidade em uma variedade que não possui resistência ao produto utilizado anteriormente.
O cuidado com a deriva também é fundamental, já que uma aplicação inadequada pode atingir uma lavoura vizinha e causar danos.
Escolha da variedade deve fazer parte do planejamento
Na parte final da entrevista, Júlio ressaltou a importância de o produtor começar antecipadamente o planejamento da próxima lavoura. Entre as decisões mais importantes está a escolha das variedades que serão utilizadas em cada área da propriedade.
Essa definição deve considerar características como fertilidade do solo, nível de infestação de plantas invasoras e potencial produtivo de cada variedade.
O engenheiro agrônomo explicou que algumas variedades apresentam melhor desempenho em áreas de maior fertilidade, enquanto outras possuem características mais rústicas e podem ser utilizadas em áreas de menor potencial.
Dessa forma, conhecer as características de cada área permite definir quais variedades podem ser mais adequadas e quais estratégias de manejo deverão ser utilizadas.
Agrônomo como parceiro no planejamento da propriedade
Ao finalizar a entrevista, Júlio reforçou que o engenheiro agrônomo deve estar próximo do produtor e participar do planejamento da lavoura. Para ele, esse acompanhamento envolve não apenas questões relacionadas ao manejo, mas também decisões sobre investimentos e planejamento financeiro.
O profissional pode auxiliar o produtor a avaliar quais ações são realmente necessárias, quanto será investido e qual poderá ser o retorno esperado. A análise dessas prioridades é especialmente importante em períodos de dificuldades no setor agrícola.
A entrevista no Rumo ao Campo reforçou, assim, a importância da atuação do engenheiro agrônomo no cotidiano das propriedades rurais, desde a escolha das variedades e das estratégias de manejo até o acompanhamento das novas tecnologias e o apoio na tomada de decisões.
Para Júlio, manter o diálogo, buscar informação e planejar antecipadamente são fatores fundamentais para que o produtor possa enfrentar os desafios de cada safra e tomar decisões de acordo com a realidade de sua propriedade.
Confira o podcast completo abaixo.




