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Agricultura

Drones ganham espaço no agronegócio e ampliam possibilidades no campo

Drones ganham espaço no agronegócio e ampliam possibilidades no campo
31.08.2026 08h35  /  Postado por: rodrigosiga007

A tecnologia dos drones vem conquistando espaço no agronegócio e se tornando uma importante ferramenta de apoio às atividades desenvolvidas nas propriedades rurais. Durante o ImpactaCoop, Félix Potrich, da Jetdrone, de Carazinho, participou de uma entrevista na qual abordou os principais mitos relacionados aos drones agrícolas, além de destacar as possibilidades de utilização dos equipamentos e os ganhos que a tecnologia pode proporcionar ao produtor.

A entrevista foi reprisada no sábado, dia 29 de agosto, durante o programa Rumo ao Campo, da Rádio Planetário, levando aos ouvintes informações apresentadas no evento sobre uma tecnologia que vem ganhando espaço nas operações agrícolas.

Mitos ainda cercam a utilização dos drones

Com experiência de anos no segmento, Félix Potrich explicou que ainda existe certa desconfiança por parte dos produtores em relação aos drones. Segundo ele, algumas informações incorretas acabaram sendo repetidas tantas vezes que passaram a ser encaradas como verdades.

Um dos principais questionamentos está relacionado à disponibilidade de peças e ao suporte após a aquisição do equipamento. Félix explicou que essa realidade mudou e que já existe no Brasil uma estrutura formada por revendas autorizadas e empresas preparadas para oferecer assistência aos usuários.

A Jetdrone, segundo ele, está inserida nesse mercado e trabalha também com a preocupação de oferecer suporte ao cliente depois da aquisição. Para Félix, o produtor precisa considerar não apenas o equipamento que está comprando, mas principalmente quem estará disponível para auxiliá-lo quando surgirem dúvidas ou necessidades de manutenção.

Outro mito citado durante a entrevista é a ideia de que os drones chegaram para substituir tratores, aviões agrícolas ou outras máquinas utilizadas tradicionalmente no campo. A proposta, conforme explicou Félix, é diferente: o drone deve ser encarado como uma tecnologia complementar.

Uma alternativa em situações de dificuldade operacional

As condições climáticas e o excesso de umidade podem dificultar a entrada de máquinas pesadas nas lavouras. Nesses momentos, o drone pode representar uma alternativa operacional, desde que existam condições adequadas para a realização da aplicação.

Félix destacou que, após uma chuva, por exemplo, determinadas máquinas podem não conseguir acessar a lavoura sem provocar danos. O drone, por ser uma tecnologia aérea e de menor impacto físico sobre a área cultivada, pode auxiliar o produtor em determinadas situações.

O especialista também procurou desmistificar a ideia de que operar um drone seria uma tarefa extremamente difícil. Segundo ele, os equipamentos e seus sistemas de operação permitem que o usuário aprenda as funções necessárias de maneira relativamente rápida, especialmente quando recebe orientação adequada.

Autonomia e rendimento dependem do equipamento

Ao falar sobre autonomia e capacidade operacional, Félix ressaltou que não existe um único equipamento ideal para todos os produtores. A escolha deve levar em consideração o tamanho da área, a finalidade de utilização e se o drone será empregado na propriedade ou em uma atividade de prestação de serviços.

Como referência, ele explicou que existem equipamentos menores capazes de atender áreas de até aproximadamente 100 hectares, enquanto modelos maiores podem atender áreas de mil hectares ou mais, dependendo das condições e da organização da operação.

De maneira geral, Félix explicou que os drones possuem autonomia em torno de dez minutos por voo. Nesse período, o equipamento pode consumir a bateria e, em determinadas operações, também praticamente esvaziar o tanque.

Ao retornar à base, é realizada a troca da bateria e o reabastecimento do tanque, permitindo que o drone retome a missão de forma planejada e autônoma.

Em relação ao rendimento, os equipamentos menores podem alcançar aproximadamente 1,5 hectare por voo, enquanto modelos maiores podem chegar a cerca de oito hectares por voo, dependendo das condições de trabalho.

Redução de custos é um dos pontos de atenção

Outro aspecto destacado durante a entrevista foi a necessidade de o produtor olhar para a tecnologia também sob a perspectiva dos custos de produção.

Félix explicou que o agronegócio, assim como qualquer outra atividade empresarial, precisa buscar eficiência e redução de custos. Em um mercado cada vez mais competitivo e globalizado, o produtor tem menor controle sobre os preços praticados, o que aumenta a importância de administrar os custos dentro da propriedade.

Nesse contexto, a utilização de novas tecnologias pode contribuir para tornar determinadas operações mais eficientes e reduzir perdas.

Amassamento das lavouras também representa perda

Um dos pontos abordados durante a conversa foi o amassamento provocado pelo trânsito de máquinas nas lavouras, especialmente na cultura da soja.

Félix ressaltou que não é possível entrar em uma lavoura sem provocar algum nível de amassamento. A questão, segundo ele, é avaliar o tamanho dessa perda e o impacto econômico que ela representa.

Ele citou que as perdas podem variar e chegar a percentuais significativos em determinadas situações. Porém, além daquilo que é visível sobre as plantas, existe uma série de investimentos que já foram realizados naquela área.

Sementes, calcário, fertilizantes e defensivos agrícolas são aplicados em toda a lavoura. Quando uma máquina passa sobre determinada faixa e provoca danos às plantas, parte desses investimentos também pode não resultar em retorno na área afetada.

Por isso, segundo o especialista, o cálculo das perdas não deve considerar somente aquilo que é possível enxergar sobre a lavoura. Quando todos esses fatores são somados, a economia proporcionada pela redução do amassamento pode se tornar ainda mais relevante.

Conhecimento deve vir antes da compra

Para Félix Potrich, o produtor interessado em adquirir um drone precisa, antes de tudo, buscar conhecimento.

A internet oferece uma grande quantidade de informações, vídeos e demonstrações sobre drones agrícolas. Entretanto, o especialista alertou que nem todo conteúdo disponível é confiável ou representa uma situação real de operação.

A presença cada vez maior da inteligência artificial também exige atenção. Segundo Félix, atualmente é possível produzir conteúdos que parecem reais, tornando ainda mais importante verificar a origem das informações e buscar orientação de profissionais que conheçam a tecnologia.

A recomendação é entender o funcionamento do equipamento, avaliar as necessidades da propriedade e procurar empresas que possam oferecer orientação e suporte.

Pós-venda pode fazer a diferença

Durante a entrevista, Félix também chamou atenção para situações em que produtores adquiriram drones, mas posteriormente deixaram os equipamentos parados por falta de conhecimento ou de suporte para a operação.

Segundo ele, já foram encontrados casos em que o funcionário responsável pela operação deixou a empresa e não havia outra pessoa preparada para assumir a função. Também existem situações em que o equipamento foi vendido sem que o comprador recebesse o acompanhamento necessário.

Por isso, na avaliação do representante da Jetdrone, o pós-venda precisa fazer parte da decisão de compra desde o início.

A empresa, segundo Félix, busca primeiro entender se conseguirá atender o cliente de maneira adequada e oferecer o suporte necessário para, depois, apresentar a solução mais apropriada para aquela realidade.

Drone não substitui: complementa

A entrevista realizada durante o ImpactaCoop reforçou que os drones devem ser vistos como mais uma ferramenta disponível para o produtor rural.

Assim como outras tecnologias incorporadas ao longo dos anos ao agronegócio, os drones exigem aprendizado, treinamento e conhecimento. A proposta não é simplesmente substituir máquinas e aeronaves já utilizadas, mas oferecer uma alternativa que possa ser integrada ao sistema de produção.

Para Félix Potrich, o produtor que demonstra interesse em novas tecnologias deve buscar informação de qualidade, conversar com profissionais especializados e compreender de que maneira o equipamento pode se encaixar na realidade de sua propriedade.

A participação da Jetdrone no ImpactaCoop também evidenciou como a inovação tecnológica vem ocupando espaço nas discussões sobre o futuro do agronegócio, especialmente em um cenário no qual eficiência, redução de custos, preservação da lavoura e melhor aproveitamento dos recursos são cada vez mais importantes.

A entrevista foi reprisada no dia 29 de agosto, no programa Rumo ao Campo, da Rádio Planetário, ampliando o acesso dos produtores e ouvintes às informações apresentadas durante o evento.

Confira a entrevista completa abaixo.

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