Semana da Inclusão destaca trabalho da APAE em Espumoso
A Semana das Pessoas com Necessidades Especiais está sendo marcada por uma programação especial na APAE de Espumoso, com atividades voltadas à inclusão, à convivência e à valorização das pessoas com deficiência. O tema da campanha deste ano é “Deficiência não define, oportunidade transforma, inclua nossa voz”, acompanhado do lema “Nada sobre nós sem nós”. A programação teve início no dia 21 de agosto e segue ao longo da semana.
Em entrevista ao programa Giro da Notícia, da Rádio Planetário, a diretora da APAE, professora Magali Cristina Zarpelon, destacou que a inclusão é uma das principais preocupações da instituição. Segundo ela, o trabalho desenvolvido busca criar oportunidades para que cada aluno possa se expressar, participar das atividades e desenvolver suas potencialidades, respeitando suas características e limitações.
A abertura da programação contou com uma conversa com os alunos, que foram convidados a falar sobre quem são e como se percebem. Mesmo aqueles que não conseguem se expressar por meio da fala encontraram outras formas de comunicação, utilizando gestos, pinturas e outras manifestações. A atividade resultou na produção de um painel coletivo, no qual cada participante deixou sua marca, reforçando a mensagem de que todos possuem os mesmos direitos.
Ao longo da semana, a programação inclui diferentes experiências. Entre as atividades está uma ação voltada à conscientização sobre o capacitismo, utilizando painéis, brincadeiras, cores e estímulos táteis. Também está previsto um piquenique com as turmas da manhã e da tarde, um momento de integração fora do ambiente escolar, além da exibição de vídeos e de um filme sobre inclusão.
Um dos momentos mais aguardados pelos alunos será a participação em uma balada, programada para quinta-feira. A atividade contará com a presença de alunos dos diferentes turnos, professores e familiares, incluindo os estudantes que utilizam cadeira de rodas. O encerramento da programação acontece no sábado, com uma missa na Igreja Matriz.
Mais do que oferecer atividades recreativas, a programação reforça a importância da convivência e da participação social. Magali ressaltou que a APAE atende pessoas de diferentes idades, desde crianças da educação infantil até jovens, adultos e idosos. A instituição inclusive trabalha na possibilidade de abrir uma nova turma voltada à educação infantil.
A diretora também destacou o ambiente de cooperação construído entre os próprios alunos. Um dos exemplos citados durante a entrevista envolve Mateus, aluno cadeirante que conta com uma rampa para facilitar sua locomoção. Segundo Magali, os próprios colegas já desenvolveram naturalmente o hábito de ajudá-lo, demonstrando que a inclusão também é construída diariamente por meio de atitudes simples de cuidado, respeito e parceria.
Outro ponto ressaltado é que a comunicação vai muito além da fala. A APAE atende alunos com diferentes limitações físicas, cognitivas e de comunicação, e muitos deles não utilizam a linguagem verbal, mas encontram outras maneiras de se expressar. Para a diretora, a convivência diária permite que professores, técnicos e colegas compreendam essas diferentes formas de comunicação e reconheçam as capacidades individuais de cada pessoa.
A instituição também conta com uma equipe formada por professores, profissionais técnicos, colaboradores, equipe de limpeza, cozinheiros e responsáveis pelas oficinas e atividades, como canto, educação física e artesanato. De acordo com Magali, o trabalho conjunto dessa equipe é fundamental para garantir um atendimento diferenciado e proporcionar um ambiente de desenvolvimento e acolhimento.
Durante a entrevista, Magali reforçou ainda o papel da APAE na transformação da forma como a sociedade enxerga as pessoas com deficiência. Se no passado muitas famílias escondiam seus filhos ou pessoas com deficiência acabavam isoladas, hoje a instituição busca justamente promover autonomia, convivência e participação. Ela lembrou que a APAE atende inclusive pessoas que estavam em situação de vulnerabilidade, oferecendo alimentação, cuidados e acompanhamento, sempre com a participação e o aval das famílias.
A inclusão também tem avançado por meio de oportunidades no mercado de trabalho e de parcerias com empresas e instituições. Em Espumoso, segundo a diretora, uma cooperativa mantém um projeto junto à APAE que possibilita a participação de quatro alunas em atividades profissionais duas vezes por semana. Para Magali, iniciativas como essa mostram a importância de ampliar as parcerias e criar cada vez mais espaços para a participação das pessoas com deficiência na sociedade.
Outro projeto citado foi o grupo de defensores da inclusão, formado por integrantes da APAE e representantes de APAEs da região. A proposta é dar voz às próprias pessoas com deficiência e fortalecer a defesa de seus direitos. Magali destacou que integrantes do grupo participam de ações e encontros, levando suas experiências e mostrando, na prática, que podem ocupar espaços de participação e representação.
A diretora também fez um convite à comunidade para conhecer de perto o trabalho desenvolvido pela instituição. Segundo ela, a APAE está de portas abertas para receber visitantes e voluntários interessados em conhecer as atividades e contribuir com o trabalho realizado. O objetivo é aproximar a comunidade da realidade vivenciada diariamente pelos alunos e combater antigos preconceitos relacionados à deficiência.
Magali reforçou ainda que existem crianças que ainda não estão incluídas e que as famílias podem procurar a instituição para conhecer o trabalho desenvolvido. Para ela, garantir momentos de convivência, aprendizado e alegria pode representar uma transformação importante na vida dessas crianças e de suas famílias.
Ao longo da conversa, ficou evidente que a inclusão não se resume a adaptar espaços ou oferecer atendimento especializado. Ela também passa pelo reconhecimento da individualidade, pela criação de oportunidades e pelo fortalecimento dos vínculos. Na APAE de Espumoso, atividades simples do cotidiano, como uma brincadeira, uma oficina ou até a ajuda entre colegas, fazem parte de um processo maior de construção de autonomia e respeito.
Com uma programação que reúne informação, lazer, convivência e conscientização, a Semana das Pessoas com Necessidades Especiais reforça uma mensagem central: a deficiência não deve definir os limites de uma pessoa. A proposta é garantir oportunidades para que cada indivíduo possa desenvolver suas capacidades, participar da comunidade e ter sua voz reconhecida.
Para Magali, conhecer a APAE é também uma forma de compreender melhor o potencial de cada aluno e perceber que a inclusão acontece nas pequenas atitudes do dia a dia. “Estamos esperando vocês para nos visitar”, reforçou a diretora ao final da entrevista, convidando a comunidade de Espumoso a conhecer e valorizar o trabalho desenvolvido pela instituição.
Acompanhe o podcast completo abaixo.




