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Clima muda comportamento e desafia o varejo

Clima muda comportamento e desafia o varejo
19.08.2026 11h13  /  Postado por: rodrigosiga007

As mudanças climáticas e a ocorrência cada vez mais frequente de eventos extremos estão provocando impactos que vão muito além da agricultura e das questões ambientais. O comércio também sente os efeitos das oscilações de temperatura, das chuvas intensas, das estiagens e dos períodos de calor ou frio fora de época. O assunto foi destaque no Giro da Notícia, da Rádio Planetário 91.5 FM, nesta quarta-feira (19), em entrevista com Dora Lia Moreto Zuffo, CEO, do Centro Comercial PAMDY, de Espumoso.

Durante a conversa, Dora explicou que o clima passou a ser um dos principais fatores que influenciam o fluxo de consumidores nas lojas físicas. Segundo ela, dias chuvosos ou com previsão de eventos climáticos severos podem fazer com que as pessoas evitem sair de casa, reduzindo a circulação nas áreas comerciais. O comportamento também mudou em relação ao passado, quando dias de chuva eram vistos como uma oportunidade para aproveitar o tempo livre e realizar compras.

Para a empresária, o excesso de informações sobre temporais, ciclones e outros fenômenos pode aumentar a sensação de insegurança da população. Ela ressaltou que é necessário adotar os cuidados recomendados diante de situações de risco, mas sem permitir que o medo paralise a rotina e os relacionamentos. Nesse contexto, Dora destacou que a loja física continua tendo uma função que vai além da comercialização de produtos, funcionando também como espaço de convivência, relacionamento e interação social.

Consumidor está mais atento à previsão do tempo

Outro reflexo das mudanças climáticas está na forma como o consumidor decide o momento de comprar. Segundo Dora, atualmente muitas pessoas deixaram de fazer grandes compras antecipadamente e passaram a observar as condições meteorológicas da semana para decidir o que precisam adquirir.

A mudança pode ser percebida especialmente no setor de vestuário. Se antes era comum comprar roupas pensando em toda uma estação, hoje o consumidor pode esperar a previsão do tempo para decidir o que vestir em determinado compromisso. Uma festa no fim de semana, por exemplo, pode levar o cliente a procurar uma peça específica somente quando já tem uma ideia mais clara de como estará a temperatura.

Esse comportamento exige uma adaptação maior por parte dos lojistas. Para Dora, o comércio precisa trabalhar com produtos mais versáteis e atemporais, capazes de atender diferentes condições climáticas e permanecer úteis durante boa parte do ano.

Estoques precisam ser planejados com mais agilidade

O clima também interfere diretamente no gerenciamento dos estoques. Dora explicou que, no passado, uma loja de roupas podia planejar suas compras com oito, dez meses ou até mais de antecedência. Hoje, diante da dificuldade de prever as condições climáticas por períodos tão longos, o planejamento precisa ser mais dinâmico.

Na PAMDY, essa realidade levou à adoção de coleções mais curtas e rápidas. A profissional responsável pelas compras precisa acompanhar constantemente as mudanças do mercado, avaliar as tendências e adaptar os pedidos de acordo com o comportamento dos consumidores e as condições esperadas para as próximas semanas.

A imprevisibilidade também aumenta o risco para o empresário. Um lojista pode investir em determinado estoque esperando uma estação mais quente ou mais fria e, caso a previsão não se confirme, ficar com produtos parados. Ao mesmo tempo, as despesas continuam chegando, incluindo boletos e juros, aumentando a pressão sobre o caixa das empresas.

Clima pode influenciar preços dos produtos

O impacto não fica restrito ao movimento das lojas. As condições climáticas também podem interferir nos custos e, consequentemente, nos preços pagos pelo consumidor.

Dora citou como exemplo a produção de algodão. Uma estiagem severa em regiões produtoras pode reduzir a oferta da matéria-prima e provocar reflexos em toda a cadeia produtiva, chegando ao preço das roupas comercializadas no varejo.

Ela relacionou esse processo à tradicional lei da oferta e da procura: quando existe maior disponibilidade de determinado produto, a tendência é de redução dos preços; quando a produção diminui e a oferta fica menor, os valores podem subir. Dessa forma, um fenômeno climático ocorrido em uma região produtora pode gerar consequências para consumidores e empresas muito distantes daquele local.

Loja física ganha importância como espaço de relacionamento

Outro ponto abordado na entrevista foi a importância das lojas físicas em um cenário de crescimento das compras pela internet. Para Dora, apesar da praticidade do comércio eletrônico, a experiência presencial proporciona algo que a compra virtual não consegue reproduzir completamente.

A loja permite que o consumidor experimente as peças, observe como elas ficam no corpo, confira tamanhos e tenha contato direto com outras pessoas. Além disso, o ambiente pode contribuir para a autoestima e para o relacionamento social.

No caso da PAMDY, a proposta é transformar a experiência de compra também em um momento de convivência. A loja conta com ambiente preparado para receber os clientes, oferecendo, entre outros atrativos, café e água saborizada. A empresa utiliza inclusive o conceito de ser mais do que uma loja, um ponto de encontro.

Peças versáteis ganham espaço

Diante das mudanças no comportamento do consumidor e da instabilidade climática, peças que podem ser utilizadas em diferentes períodos do ano ganharam importância. O jeans foi citado como um dos principais exemplos dessa versatilidade.

Durante a entrevista, Dora destacou o Festival do Jeans da PAMDY, que reúne mais de 600 calças jeans e opções para diferentes públicos. A loja trabalha com modelos infantis, masculinos e femininos, além de tamanhos maiores, chegando ao 62.

A empresária ressaltou que o jeans é uma peça democrática e versátil, podendo ser utilizado em diferentes ocasiões e combinado com diversos estilos. Dependendo dos acessórios e das demais peças escolhidas, uma calça jeans pode compor desde um visual para o trabalho até uma produção para uma festa.

Também foram destacadas opções com elastano e tecidos que proporcionam maior conforto, acompanhando uma tendência de consumidores que procuram roupas que conciliem praticidade, qualidade e bem-estar.

PAMDY aposta em variedade e adaptação

Com cerca de 600 metros de área, o Centro Comercial PAMDY mantém uma proposta de oferecer produtos para diferentes idades, estilos e necessidades. Além do vestuário, a loja trabalha com acessórios e itens para diferentes ocasiões, incluindo roupas sociais, peças mais casuais, cintos e outros produtos.

Segundo Dora, a estrutura da empresa também busca acompanhar as transformações do mercado. Mesmo com quatro décadas de atuação, a PANDI mantém o processo de revitalização e atualização da loja, buscando oferecer uma experiência moderna aos consumidores.

A abrangência do estabelecimento também ultrapassa os limites de Espumoso. Durante a entrevista, Dora relatou que a PAMDY recebe clientes de municípios da região. Ela citou, inclusive, a visita recente de professoras de Soledade, que conheceram a estrutura da loja e destacaram o tamanho e a organização do espaço.

Localizado na Avenida Osvaldo Júlio Werlang, próximo à sinaleira e à rodovia, o Centro Comercial PAMDY é uma referência visual para quem chega a Espumoso pela região. A localização facilita o acesso de moradores e também de consumidores de outros municípios.

Varejo precisa acompanhar as transformações

A entrevista mostrou que as mudanças climáticas já fazem parte das decisões estratégicas do comércio. Para o varejista, não basta apenas observar tendências de moda ou o calendário tradicional das estações. É necessário acompanhar o comportamento do consumidor, as previsões meteorológicas, os custos de produção, a logística e a capacidade de manter os estoques adequados.

Ao mesmo tempo, o consumidor também passou a participar desse processo de maneira diferente, observando o clima antes de sair de casa e, muitas vezes, adiando compras até ter maior segurança sobre as condições meteorológicas.

Nesse cenário, a capacidade de adaptação se torna fundamental. Para Dora, o varejo precisa trabalhar com estoques mais inteligentes, produtos versáteis e planejamento mais ágil, mantendo a roda da economia em movimento mesmo diante de um cenário de maior imprevisibilidade.

A conversa no Giro da Notícia reforçou, assim, que os efeitos do clima chegam diretamente ao cotidiano das cidades: influenciam o comportamento das pessoas, o movimento das ruas, as decisões dos lojistas, o planejamento dos estoques e até os preços dos produtos. E, diante de um clima cada vez menos previsível, a adaptação passa a ser uma das principais ferramentas para o comércio continuar atendendo seus consumidores.

Acompanhe o podcast completo abaixo.

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