Domingo, 06 de Setembro de 2026
Telefone: (54) 3383 3400
Whatsapp: (54) 9 9999-7374
Curta nossa página no Facebook:
Clique para Ouvir
Tempo limpo
15°
9°C
Espumoso/RS
Tempo limpo
No ar: Bailão da Líder
Ao Vivo: Bailão da Líder
Notícias

Livro resgata história e memórias de comunidade em Espumoso

Livro resgata história e memórias de comunidade em Espumoso
14.08.2026 13h52  /  Postado por: villaadriano

A história de uma comunidade não é feita apenas por datas, nomes e acontecimentos. Ela é construída pelas pessoas, pelas famílias, pelas tradições e pelas lembranças que passam de uma geração para outra. É justamente com o propósito de preservar essa memória que está sendo lançado o livro “Pratinha no Coração – Raízes e Memórias”, uma obra que reúne parte da história da comunidade de Pratinha, no interior de Espumoso.

Com 256 páginas, o livro reúne relatos, fotografias, documentos e depoimentos de pessoas que viveram ou tiveram suas trajetórias ligadas à comunidade. A obra busca registrar mais de um século de história da Pratinha, reunindo acontecimentos que ajudam a compreender como a localidade se desenvolveu e como suas famílias contribuíram para a formação do município.

O trabalho foi construído a várias mãos e tem como protagonistas o escritor espumosense César Augusto Pierezan, a professora Rosane de Fátima Pierezan e Nadir Salette Fontana, que atualmente reside na Bahia, mas mantém uma forte ligação com suas raízes em Espumoso e, especialmente, com a Pratinha.

A ideia começou a tomar forma a partir das anotações de Nadir. Depois de anos vivendo longe da comunidade onde passou parte importante de sua vida, ela reuniu informações sobre antigos moradores, famílias, atividades e acontecimentos da Pratinha e apresentou esse material a César Pierezan. O que inicialmente poderia ser apenas um conjunto de memórias acabou se transformando em um projeto literário e histórico.

Nadir conta que, em determinado período, a Pratinha chegou a reunir aproximadamente 140 moradias e entre 700 e 800 moradores. Durante a pesquisa, foram identificados 68 sobrenomes de famílias que viveram na comunidade. Esses números ajudam a dimensionar a importância que a localidade teve em diferentes períodos de sua história.

A partir das primeiras anotações, César, Rosane e Nadir iniciaram um trabalho de pesquisa que envolveu entrevistas, levantamento de documentos, busca por fotografias e conversas com antigos moradores e seus familiares. A intenção era não apenas contar aquilo que já estava registrado, mas também recuperar histórias que permaneciam guardadas na memória das pessoas.

A professora Rosane de Fátima Pierezan teve participação direta na organização dos textos e na pesquisa de campo. Ela explica que o trabalho exigiu visitar famílias, ouvir moradores antigos e reunir diferentes versões e lembranças para contextualizar os acontecimentos. Muitas vezes, uma informação trazida por Nadir era complementada por outra família, fazendo com que novos detalhes surgissem e enriquecessem a narrativa.

Esse processo também revelou descobertas surpreendentes. Durante as pesquisas, fatos que não eram conhecidos por todos foram recuperados, inclusive informações sobre os primeiros espaços ocupados pela comunidade. Segundo Rosane, a Pratinha teve sua origem em uma área próxima ao cemitério, antes de se estabelecer no local que hoje é reconhecido como a sede da comunidade.

O livro apresenta diferentes aspectos da vida na Pratinha. Educação, religião, agricultura, comércio, transporte, indústria, comunicação, esporte e atividades sociais fazem parte da narrativa. A comunidade é retratada não apenas como um espaço geográfico, mas como um lugar de convivência, trabalho, fé, encontros e construção de histórias familiares.

As fotografias têm um papel especial na obra. São registros de pessoas, famílias, igrejas, acontecimentos e diferentes momentos da comunidade. Mais de 30 famílias contribuíram com imagens, permitindo que personagens que já não estão presentes fisicamente possam permanecer registrados nas páginas do livro.

Entre os materiais reunidos estão fotografias antigas das primeiras igrejas da Pratinha, consideradas pelos autores verdadeiras relíquias. Para César Pierezan, essas imagens possuem um valor que vai muito além do aspecto fotográfico, pois representam um patrimônio histórico e afetivo de uma época que não volta mais.

A pesquisa também procurou conferir e comprovar as informações reunidas. Documentos, fotografias e depoimentos foram utilizados para dar maior segurança aos relatos. Dessa forma, “Pratinha no Coração – Raízes e Memórias” assume também um caráter documental, tornando-se uma fonte de consulta para quem quiser conhecer a trajetória da comunidade e de suas famílias.

Para César Pierezan, preservar essas histórias é também uma forma de valorizar a leitura e a capacidade de as pessoas conhecerem melhor suas próprias origens. Ele destaca que o livro permite reencontrar pessoas, lugares e acontecimentos, além de estimular as novas gerações a conhecerem aquilo que foi vivido pelos seus antepassados.

A obra também resgata histórias de famílias que deixaram a Pratinha e buscaram novos caminhos em outras regiões do Brasil. Uma dessas trajetórias é justamente a de Nadir Salette Fontana e sua família, que se estabeleceu na Bahia.

A saída da Pratinha aconteceu em um período em que muitas famílias enfrentavam dificuldades para permanecer na comunidade. As propriedades eram pequenas e, com o crescimento das famílias, nem sempre havia espaço suficiente para que todos pudessem permanecer e construir sua própria trajetória no local.

A busca por novas terras levou Nadir e seus familiares a uma verdadeira jornada pelo Brasil. Segundo ela, foram aproximadamente 13 mil quilômetros percorridos e 45 cidades visitadas até que surgisse a possibilidade de conhecer a região de Barreiras, na Bahia.

Na época, o cenário encontrado era completamente diferente do atual. Havia grandes áreas de cerrado e praticamente nenhuma infraestrutura. Em alguns locais não havia água, energia elétrica ou telefone, e os primeiros moradores precisavam enfrentar longas distâncias e condições bastante difíceis para estabelecer suas propriedades.

Nadir relembra que algumas famílias chegaram a morar inicialmente em estruturas improvisadas e precisavam percorrer cerca de 20 quilômetros para buscar água. Em uma das histórias que ficaram marcadas em sua memória, houve situação em que água retirada do pneu de um trator precisou ser utilizada para consumo.

Com o passar dos anos, a região foi se desenvolvendo e a agricultura ganhou força. A experiência vivida por essas famílias também passou a fazer parte da identidade de seus descendentes, que hoje mantêm vínculos com as duas culturas: as raízes gaúchas e a vida construída na Bahia.

Mesmo depois de décadas longe de Espumoso, Nadir mantém viva a ligação com a Pratinha. Ela conta que continua acompanhando as notícias da região e que retornar à comunidade para participar do lançamento do livro representa um momento de grande emoção.

A trajetória de Nadir é apenas uma das histórias recuperadas pela publicação. O livro também apresenta relatos de outras pessoas que deixaram a comunidade e construíram suas vidas em diferentes regiões do país, mostrando que a história da Pratinha ultrapassou as fronteiras do próprio município.

Para os autores, esse é justamente um dos grandes objetivos da obra: mostrar que uma comunidade é formada por pessoas e que cada uma delas carrega uma história que merece ser preservada.

“Pratinha no Coração – Raízes e Memórias” chega ao público como um registro de saudade, pertencimento e identidade. É uma obra que procura preservar aquilo que o tempo poderia apagar: os nomes das famílias, os rostos, as fotografias, os costumes, os desafios, as conquistas e as histórias contadas por quem viveu cada período.

O lançamento oficial será realizado neste domingo, durante a Festa da Pratinha de São Roque. Na oportunidade, César Augusto Pierezan, Rosane de Fátima Pierezan e Nadir Salette Fontana estarão presentes para apresentar a obra e realizar autógrafos.

Mais do que contar a história de uma localidade, o livro busca deixar um legado para as próximas gerações. Porque preservar a memória da Pratinha é também preservar uma parte da própria história de Espumoso e das famílias que, ao longo de décadas, ajudaram a construir a comunidade e levaram suas raízes para diferentes lugares do Brasil.

Acompanhe o podcast:

Comente essa notícia
Receba nosso informativo
diretamente em seu e-mail.
Utilizamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência, de acordo com a nossa Política de Privacidade e, ao continuar navegando, você concorda com estas condições.
CONCORDO