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Julho Dourado alerta para a saúde animal e prevenção de zoonoses

Julho Dourado alerta para a saúde animal e prevenção de zoonoses
29.07.2026 14h56  /  Postado por: villaadriano

O mês de julho é marcado pela campanha Julho Dourado, período dedicado à conscientização sobre a saúde e o bem-estar dos animais, além da prevenção de zoonoses e da importância da posse responsável. O tema foi debatido no programa Giro da Notícia desta quarta-feira (29), da Rádio Planetário, em entrevista com o vereador de Espumoso pelo União Brasil e defensor da causa animal, Eduardo Signor; o médico veterinário e docente do Curso Técnico em Agropecuária da EEEMBOC, Dr. Carlos Hermínio Magalhães Fortes; e Alexi Loesch, proprietário da Glamour Pet Care, de Tapera e Espumoso.

A campanha busca ampliar o debate sobre os cuidados necessários com os animais e, principalmente, mostrar que a saúde animal está diretamente ligada à saúde das pessoas e à preservação do meio ambiente.

Durante a entrevista, Eduardo Signor destacou que a defesa dos animais não deve ser vista apenas como uma questão relacionada ao bem-estar dos pets, mas também como uma questão de saúde pública. Segundo ele, o controle das zoonoses precisa estar entre as preocupações do poder público e da sociedade.

O vereador lembrou sua atuação na causa animal, que começou antes mesmo de ocupar uma cadeira no Legislativo, quando já participava da SOS Animais de Espumoso. Entre as ações realizadas ao longo dos anos estão campanhas de vacinação antirrábica, desenvolvidas sem custo adicional para o município e sem cobrança dos tutores que participaram das iniciativas.

Para Eduardo, a vacinação e a prevenção são fundamentais, especialmente porque algumas doenças podem ser transmitidas entre animais e seres humanos. Ele reforçou que, quando se trabalha pela causa animal, também se está trabalhando pela proteção da população.

O médico veterinário Dr. Carlos Hermínio Magalhães Fortes explicou que as zoonoses são doenças que podem ser transmitidas entre animais e seres humanos, podendo ocorrer tanto do animal para a pessoa quanto da pessoa para o animal. Entre os exemplos mencionados durante a entrevista estão a raiva, a leptospirose e a toxoplasmose.

O profissional chamou atenção especialmente para a leptospirose, doença que merece cuidados redobrados em períodos de chuvas intensas e enchentes. Segundo ele, a presença de roedores e a contaminação de ambientes pela urina desses animais podem contribuir para a disseminação da doença.

Em regiões que enfrentam enchentes, o cuidado precisa ser ainda maior. O contato com águas potencialmente contaminadas representa um risco e exige atenção da população, além de medidas de higiene e controle de roedores.

Dr. Carlos também destacou que a prevenção precisa começar pelos cuidados básicos com os animais. Manter o calendário de vacinação atualizado, realizar o controle de verminoses e parasitas, manter a higiene adequada e buscar acompanhamento de profissionais são medidas importantes para a saúde dos animais e, consequentemente, das famílias.

Outro conceito ressaltado pelo médico veterinário foi o de Saúde Única, que reúne três áreas diretamente conectadas: saúde animal, saúde humana e saúde ambiental. A ideia é mostrar que não é possível tratar essas áreas de maneira isolada.

Nesse sentido, o cuidado com um animal doméstico, a higiene de uma residência, o controle de parasitas, a vacinação e até mesmo a preservação do ambiente fazem parte de uma mesma rede de proteção.

A castração também foi apontada como uma importante ferramenta de prevenção e de promoção do bem-estar animal. Além de contribuir para o controle populacional, a medida ajuda a reduzir situações de abandono e o crescimento do número de animais em situação de rua.

Durante a entrevista, também foi abordada a importância das organizações e grupos de proteção animal, que desempenham um papel relevante no atendimento de animais abandonados ou em situação de vulnerabilidade.

Eduardo Signor destacou, porém, que essas entidades não podem assumir sozinhas uma responsabilidade que precisa ser compartilhada. Segundo ele, os grupos de proteção têm enfrentado desgaste financeiro e psicológico, diante da grande demanda existente.

O vereador defendeu uma maior participação do poder público nas políticas de proteção e bem-estar animal. Ele lembrou que o município precisa desenvolver ações permanentes, como programas de castração, controle de zoonoses e atendimento aos animais em situação de abandono.

Eduardo também afirmou que continua trabalhando no Legislativo para apresentar projetos, buscar recursos e encaminhar demandas relacionadas à causa animal.

Na avaliação dos participantes, a comunidade também tem papel fundamental. Mesmo quem não possui animais ou não tem proximidade com a causa pode contribuir para a prevenção, já que algumas doenças e problemas relacionados aos animais podem afetar toda a população.

A entrevista também abordou a evolução dos cuidados com os animais domésticos nos últimos anos. Alexi Loesch, proprietário da Glamour Pet Care, destacou que atualmente existe uma estrutura muito maior de atendimento e serviços especializados para os pets, incluindo pet shops, clínicas veterinárias e profissionais capacitados.

Segundo Alexi, o papel de um estabelecimento especializado vai muito além do banho e da tosa. A orientação aos tutores também é fundamental para lembrar sobre vacinas, vermífugos, controle de pulgas e carrapatos e outros cuidados preventivos.

Na Glamour Pet Care, conforme relatado durante a entrevista, existe inclusive um sistema de acompanhamento para lembrar os tutores sobre períodos de vacinação e reposição de medicamentos preventivos. A orientação é oferecida inclusive para pessoas que não realizam todos os serviços no estabelecimento.

Alexi destacou que uma das preocupações observadas no dia a dia é justamente a presença de parasitas, principalmente pulgas e carrapatos. O problema, segundo ele, não pode ser combatido apenas tratando o animal, já que o ambiente também pode estar contaminado.

O médico veterinário explicou que grande parte do ciclo dos parasitas ocorre no ambiente. Dessa forma, apenas aplicar um produto no animal pode não ser suficiente para interromper uma infestação. É necessário também cuidar do local onde o animal vive, seguindo a orientação de profissionais.

Outro alerta apresentado durante a entrevista foi de que o fato de um animal permanecer dentro de casa não significa que esteja livre de riscos. Parasitas podem chegar ao ambiente por diferentes meios e, por isso, a prevenção precisa ser contínua.

A conversa também destacou a importância da chamada família multiespécie, realidade cada vez mais presente, em que os animais passaram a ocupar um espaço de maior proximidade dentro das residências e das famílias.

Com essa mudança, cresce também a responsabilidade dos tutores. Ter um animal significa assumir compromissos com alimentação, higiene, vacinação, acompanhamento veterinário, controle de parasitas, bem-estar, comportamento e, principalmente, responsabilidade durante toda a vida do animal.

Dr. Carlos também chamou atenção para a medicina veterinária comportamental. Segundo ele, problemas de comportamento podem estar relacionados a diferentes fatores, inclusive à retirada inadequada dos filhotes da ninhada e a condições inadequadas de criação.

Por isso, a orientação profissional desde os primeiros momentos da vida do animal pode contribuir para prevenir problemas futuros e melhorar a convivência entre os pets e as famílias.

Outro ponto destacado foi o abandono. Os participantes reforçaram que animais não podem ser tratados como objetos que podem ser descartados quando deixam de atender às expectativas do tutor.

A prevenção começa antes mesmo da chegada do animal à família. É necessário avaliar as condições para assumir aquele compromisso e compreender que se trata de uma responsabilidade de longo prazo.

Ao longo da entrevista, os participantes reforçaram que a causa animal depende da união de diferentes setores. Poder público, entidades de proteção, médicos veterinários, pet shops, tutores, comunidade e imprensa possuem responsabilidades complementares.

A imprensa, inclusive, foi apontada como uma ferramenta importante para ampliar a conscientização e levar informação para um número maior de pessoas.

A principal mensagem deixada durante o debate é que a proteção animal não beneficia somente quem possui um pet. Ela também representa prevenção em saúde pública.

Manter animais vacinados, controlar parasitas, realizar castrações, evitar o abandono, buscar orientação veterinária e cuidar corretamente dos ambientes são atitudes que ajudam a reduzir riscos e contribuem para uma comunidade mais saudável.

O Julho Dourado reforça justamente essa visão: cuidar dos animais é também cuidar das pessoas e do meio ambiente.

A campanha serve como um convite para que a sociedade amplie a atenção à saúde animal e compreenda que a prevenção precisa acontecer durante todo o ano, com ações conjuntas entre poder público, profissionais, entidades e comunidade.

Em Espumoso, a participação de representantes da causa animal, profissionais da medicina veterinária e estabelecimentos especializados reforça a necessidade de manter esse debate ativo e transformar conscientização em atitudes concretas.

Acompanhe o podcast:

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