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Produtor Arnaldo Klein relembra a evolução do campo

Produtor Arnaldo Klein relembra a evolução do campo
25.07.2026 10h59  /  Postado por: villaadriano

O produtor rural Arnaldo Klein, de Espumoso, participou de entrevista especial do Rumo ao Campo deste sábado (25) em homenagem ao Dia do Motorista e ao Dia do Agricultor, comemorados neste período, e fez um resgate da história da agricultura familiar, destacando as transformações vividas no campo ao longo das últimas décadas. Durante a conversa, ele afirmou que prefere ser chamado de “colono”, expressão herdada do pai e que, segundo ele, representa a essência de quem construiu a vida a partir da terra.

Logo no início da entrevista, Arnaldo prestou homenagem aos agricultores e aos motoristas, ressaltando que ambas as categorias são fundamentais para o desenvolvimento do país. “O colono produz a riqueza e o motorista leva essa riqueza para todos os cantos do Brasil”, resumiu.

Ao recordar a infância, o produtor contou que cresceu em uma família de nove irmãos, sendo sete homens e duas mulheres. Os filhos começaram a trabalhar ainda muito jovens na lavoura, acompanhando o pai em uma rotina marcada pelo esforço físico e pela dedicação diária.

Segundo Arnaldo, seu pai iniciou a vida praticamente sem recursos, cozinhando em um fogão de chão e construindo o patrimônio com a criação de suínos. O trabalho árduo permitiu adquirir terras e, mais tarde, destinar aproximadamente 15 hectares para cada um dos filhos.

Ele relembrou que, naquela época, praticamente todo o trabalho era manual. As áreas eram abertas com arado de bois, enxada e muito esforço físico. O preparo da terra, a colheita e o transporte da produção exigiam dias de trabalho, realidade bastante diferente da encontrada atualmente.

Mesmo diante das dificuldades, Arnaldo afirma guardar boas lembranças daquele período. Segundo ele, havia união entre as famílias, disposição para o trabalho e orgulho pela atividade agrícola. “Nós trabalhávamos a semana inteira e ainda encontrávamos forças para caminhar quilômetros até um baile”, recordou.

A entrevista também trouxe um retrato da evolução tecnológica no campo. O agricultor destacou que acompanhou todas as transformações da agricultura, desde os pulverizadores costais até os atuais drones utilizados na aplicação de defensivos. Para ele, a tecnologia trouxe mais segurança, produtividade e qualidade de vida aos produtores.

Arnaldo revelou ainda ter sido um dos primeiros agricultores da região da Costa do Jacuí a apostar no sistema de plantio direto. Inicialmente desacreditado por muitos produtores, o método mostrou resultados positivos na colheita e acabou sendo adotado por diversos agricultores da comunidade.

Outro tema abordado foi a sucessão familiar. O produtor acredita que o interesse das novas gerações pela agricultura depende do contato com a atividade desde a infância. Segundo ele, quando os filhos participam da rotina da propriedade desde pequenos, criam vínculo com o campo e aumentam as chances de permanecer na atividade.

Ele citou o próprio exemplo. Um dos filhos, formado em Administração, optou por retornar à propriedade rural e hoje atua na gestão da lavoura ao lado da família. Já o outro trabalha em uma cooperativa, mas continua ligado ao agronegócio.

Além das recordações, Arnaldo fez uma análise dos desafios enfrentados atualmente pelos produtores rurais. Na sua avaliação, os custos de produção cresceram significativamente, o preço das terras tornou-se elevado e os juros dos financiamentos dificultam novos investimentos. Ele defendeu políticas públicas mais eficientes para fortalecer o setor, reduzir a burocracia e oferecer melhores condições de crédito aos agricultores.

O produtor também manifestou preocupação com a valorização da produção nacional, especialmente em setores como o leite, defendendo maior incentivo aos produtores brasileiros e medidas que fortaleçam a competitividade do agronegócio.

A conversa ainda resgatou hábitos que marcaram a vida no interior. Arnaldo lembrou que antigamente praticamente todos os alimentos consumidos pela família eram produzidos na propriedade. As carnes eram conservadas na banha, os grãos armazenados em tulhas e o arroz precisava ser beneficiado manualmente no pilão antes de chegar à mesa. Para ele, essas lembranças demonstram a dimensão da evolução vivida pelo meio rural.

O agricultor também recordou a chegada das primeiras tecnologias de comunicação, como o telefone celular, cuja aquisição dependia de sorteio entre os interessados. Hoje, segundo ele, o aparelho se tornou uma ferramenta indispensável na gestão da propriedade, embora reconheça que as crianças dominam os recursos tecnológicos com muito mais facilidade.

Ao encerrar a entrevista, Arnaldo Klein reforçou seu orgulho de ser agricultor — ou, como faz questão de dizer, colono — e deixou uma mensagem de reconhecimento aos produtores rurais e motoristas, destacando que ambos exercem papéis indispensáveis para garantir alimento, desenvolvimento econômico e abastecimento da população. Ele também convidou a comunidade para participar da tradicional Festa do Colono e Motorista promovida pela Paróquia São Jorge, em Espumoso, celebrando duas categorias que, segundo ele, “merecem todo o respeito da sociedade”.

Acompanhe o podcast:

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