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Fundação Gerações cria estratégia para prevenir desastres no RS

Fundação Gerações cria estratégia para prevenir desastres no RS
23.07.2026 10h02  /  Postado por: rodrigosiga007

Diante das previsões de que o fenômeno El Niño poderá provocar chuvas acima da média na Região Sul do Brasil nos próximos meses, cresce também a preocupação com a possibilidade de novas enchentes, deslizamentos e outros eventos climáticos extremos. Pensando em preparar as comunidades antes que esses desastres aconteçam, a Fundação Gerações, de Porto Alegre, com apoio do Programa Transformando Territórios, do IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social), está estruturando o Fundo Emergencial Preventivo, iniciativa que busca fortalecer organizações comunitárias e criar uma cultura permanente de prevenção.

O assunto foi destaque durante entrevista concedida por Rosana Ferraiuolo, gestora do Programa Transformando Territórios, ao programa Giro da Notícia, da rádio Planetário. Segundo ela, o principal objetivo da iniciativa é transformar a forma como o país lida com as emergências climáticas, substituindo a cultura de agir apenas após as tragédias por uma estratégia baseada no planejamento e na preparação dos territórios.

Rosana explicou que o IDIS é uma organização independente que atua nacionalmente no fortalecimento do investimento social privado e da filantropia. Entre seus programas está o Transformando Territórios, responsável por incentivar e apoiar fundações e institutos comunitários espalhados pelo país. Essas organizações possuem atuação permanente em seus territórios e conhecem de perto a realidade das comunidades onde estão inseridas.

No Rio Grande do Sul, a Fundação Gerações integra essa rede e passou a intensificar suas ações após as enchentes que atingiram o estado. A experiência adquirida durante o atendimento às comunidades afetadas motivou a criação de uma nova estratégia, focada não apenas na resposta às emergências, mas principalmente na prevenção.

De acordo com Rosana, durante muitos anos o Brasil concentrou seus esforços em atender a população somente quando os desastres já haviam ocorrido. Nesses momentos, há grande mobilização da sociedade, de empresas e do poder público, porém esse movimento costuma diminuir com o passar do tempo. A proposta do Fundo Emergencial Preventivo é justamente manter esse olhar de forma contínua, desenvolvendo ações permanentes para reduzir os riscos antes que novas tragédias aconteçam.

Ela ressalta que preparar um território não significa apenas realizar obras de infraestrutura. Embora melhorias físicas sejam importantes, a prevenção envolve diversas frentes de trabalho. Entre elas estão o levantamento dos principais riscos existentes em cada comunidade, a organização da população, a criação de planos de contingência, o fortalecimento das lideranças locais, a articulação com a Defesa Civil, órgãos públicos, empresas e organizações sociais, além da conscientização dos moradores sobre como agir em situações de emergência.

Segundo a gestora, cada município apresenta características próprias e, por isso, não existe uma solução única para todos os locais. Antes da implantação das ações é realizado um diagnóstico detalhado, identificando as áreas mais vulneráveis, os problemas específicos de cada comunidade e as medidas que podem ser adotadas para minimizar os impactos de futuras ocorrências.

Essas ações podem envolver desde melhorias relacionadas ao saneamento básico, drenagem e manejo correto dos resíduos sólidos até campanhas educativas, capacitação de voluntários, fortalecimento da comunicação comunitária e organização de protocolos para atuação rápida quando surgirem situações de risco.

No Rio Grande do Sul, a Fundação Gerações concentra inicialmente seu trabalho na Região Metropolitana de Porto Alegre, onde estão sendo estruturados núcleos comunitários responsáveis por acompanhar de perto cada território. Além de desenvolver ações preventivas, o Fundo Emergencial Preventivo também mantém recursos financeiros reservados para utilização imediata quando uma emergência efetivamente ocorrer.

Outro ponto destacado durante a entrevista foi a importância da escuta da comunidade. Conforme Rosana, o diagnóstico dos territórios não é baseado apenas em dados técnicos e levantamentos estatísticos. A experiência dos moradores, especialmente daqueles que vivem há muitos anos nas regiões mais vulneráveis, também é considerada essencial para identificar áreas de risco e apontar soluções viáveis para cada realidade.

Ela explica que muitas vezes os próprios moradores conhecem detalhes que não aparecem nos estudos técnicos, como locais onde tradicionalmente ocorrem alagamentos, pontos de deslizamento ou dificuldades enfrentadas durante situações de emergência. Essa troca de informações fortalece o planejamento e torna as ações mais eficientes.

A entrevistada também destacou que muitas famílias permanecem em áreas de risco por questões históricas, econômicas e afetivas. Por isso, qualquer medida de prevenção precisa ser construída em conjunto com a população, respeitando a realidade de cada comunidade e buscando alternativas que sejam socialmente viáveis.

Segundo Rosana, o papel das fundações comunitárias é justamente criar vínculos permanentes entre moradores, lideranças locais, organizações sociais, empresas e poder público. Essa articulação permite que todos participem das decisões e compartilhem responsabilidades na construção de soluções capazes de reduzir os impactos das mudanças climáticas.

Ela lembrou ainda que experiências internacionais demonstram que comunidades preparadas conseguem responder melhor aos desastres naturais, reduzindo perdas humanas e materiais. A preparação constante faz com que a população saiba exatamente como agir diante de situações de risco, aumentando a segurança e a capacidade de resposta dos territórios.

Com a possibilidade de um novo período de chuvas intensas provocadas pelo El Niño, iniciativas como o Fundo Emergencial Preventivo tornam-se ainda mais relevantes. A proposta é fortalecer as comunidades antes que as emergências aconteçam, promovendo planejamento, conscientização, organização e integração entre todos os setores da sociedade.

A expectativa é que esse modelo de atuação preventiva possa servir de referência para outras regiões do país, contribuindo para a construção de comunidades mais resilientes, preparadas e capazes de enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas com menos perdas e maior capacidade de recuperação.

Confira o podcast abaixo.

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