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Setor leiteiro alerta para concorrência desigual com importações

Em alusão ao Dia do Produtor de Leite, celebrado em 12 de julho, a Rádio Planetário promoveu um debate sobre os desafios enfrentados pela cadeia leiteira no Rio Grande do Sul e no Brasil. Participaram da entrevista o secretário-executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Sul (Sindilat), Darlan Palharini, e o produtor leiteiro de Espumoso, Alverino Ozelame.

Durante a conversa, ambos defenderam maior equilíbrio nas políticas voltadas ao setor e manifestaram preocupação com o aumento das importações de leite e derivados da Argentina e do Uruguai, apontando que a concorrência tem ocorrido em condições desiguais.

Segundo Darlan Palharini, a investigação sobre a prática de dumping nas importações confirmou que produtores e indústrias brasileiras estavam corretos ao denunciar a existência de concorrência desleal. No entanto, ele lamentou que o Governo Federal tenha optado por não aplicar medidas compensatórias.

“O produtor brasileiro e a indústria investem cada vez mais em tecnologia e produtividade, mas enfrentam uma concorrência de produtos importados vendidos a preços que muitas vezes não refletem os custos reais de produção”, afirmou.

Ele explicou que o Brasil ampliou sua produção de leite em cerca de 2,3 bilhões de litros em 2025, praticamente o mesmo volume equivalente às importações registradas no período, o que, segundo ele, pressiona os preços pagos ao produtor.

Palharini destacou que a competitividade do setor não depende apenas da eficiência dentro das propriedades. Conforme estudos apresentados pelo Sindilat, para manter equilíbrio financeiro, muitas propriedades precisariam produzir aproximadamente 750 litros de leite por dia, realidade distante de milhares de pequenos produtores brasileiros.

Além da concorrência internacional, o dirigente citou outros fatores que elevam os custos da atividade, como logística, carga tributária, juros elevados, custo dos fertilizantes e combustíveis, além das dificuldades para exportação.

Ele defendeu alternativas como mecanismos de compensação às importações, incentivos às exportações e políticas públicas que permitam maior igualdade de condições frente aos países vizinhos.

Agricultura familiar em risco

Representando os produtores, Alverino Ozelame afirmou que o leite continua sendo uma das principais fontes de renda da agricultura familiar por garantir entrada de recursos diariamente durante todo o ano.

Segundo ele, a permanência das famílias no campo depende de uma remuneração adequada ao produtor.

“O leite coloca dinheiro na propriedade todos os dias do ano. É isso que mantém muitas famílias no campo. O produtor precisa ser remunerado para continuar investindo, pagar suas contas e garantir sucessão familiar”, destacou.

Ozelame afirmou que os produtores têm buscado constantemente reduzir custos, aumentar eficiência e melhorar a gestão das propriedades, mas ressaltou que muitos dos problemas enfrentados atualmente fogem do controle do setor produtivo.

Ele também alertou para o risco de abandono da atividade leiteira caso não haja políticas que valorizem a produção nacional.

“Se não houver condições para que o produtor permaneça na atividade, aumenta o êxodo rural e perde toda a sociedade. A produção de leite é um dos pilares da agricultura familiar”, afirmou.

Milk Summit Mercosul será lançado na próxima semana

Durante a entrevista, Darlan Palharini anunciou o lançamento oficial da programação da segunda edição do Milk Summit Mercosul, marcado para a próxima terça-feira. O evento principal ocorrerá nos dias 14 e 15 de outubro, em Ijuí.

O encontro reunirá pesquisadores, representantes da indústria, produtores, entidades do setor, instituições financeiras e órgãos públicos para discutir competitividade, mercado, gestão, inovação e perspectivas para a cadeia leiteira.

Entre os destaques da programação estão palestras sobre a competitividade entre Brasil, Argentina e Uruguai, mercado futuro do leite, alternativas de financiamento para produtores, sanidade animal e uma mesa-redonda com representantes de diversas entidades ligadas ao setor.

Segundo Palharini, o objetivo é levar informação técnica e estratégica para uma das principais regiões produtoras de leite do país, aproximando pesquisadores e especialistas dos produtores rurais.

Ele ressaltou que conhecimento, gestão e inovação serão fundamentais para garantir a permanência das famílias na atividade e fortalecer toda a cadeia produtiva do leite no Rio Grande do Sul.

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