Produtor reforça importância da valorização da cadeia leiteira
Em celebração ao Dia do Produtor de Leite, comemorado neste 12 de julho, o programa Rumo ao Campo deste sábado (11) recebeu e conversou com o produtor rural Alverino Ozelame, de Espumoso, que fez uma ampla análise sobre a atual situação da pecuária leiteira no Rio Grande do Sul e no Brasil. Durante a entrevista, ele destacou os desafios enfrentados diariamente pelas famílias produtoras, a importância econômica e social da atividade e a necessidade de políticas públicas que garantam maior competitividade ao setor.
Logo no início da conversa, Ozelame lembrou que o trabalho do produtor de leite não conhece feriados nem finais de semana. Segundo ele, diferentemente de outras atividades, a rotina é ininterrupta, exigindo dedicação durante os 365 dias do ano.
“O melhor presente para o produtor seria um dia de descanso, mas isso não existe. Os animais dependem de nós todos os dias. É um trabalho que exige responsabilidade, respeito e cuidado permanente com seres vivos que fazem parte da nossa produção”, afirmou.
Concorrência internacional preocupa produtores
Ao avaliar o cenário da atividade, Ozelame explicou que poucas mudanças positivas ocorreram desde sua última participação na emissora. Ele recordou que o setor conquistou uma importante vitória ao comprovar, por meio de estudos e órgãos internacionais, a prática de dumping nas importações de leite provenientes, principalmente, da Argentina e do Uruguai.
Apesar desse reconhecimento, o produtor lamentou que, na prática, não tenham sido adotadas medidas efetivas para reduzir os impactos da concorrência sobre os produtores brasileiros.
Segundo ele, o leite importado continua chegando ao país com preços muito inferiores aos custos de produção nacionais, pressionando toda a cadeia leiteira e reduzindo a rentabilidade das propriedades.
Ozelame também criticou a falta de fiscalização sobre a reidratação de leite em pó importado, prática que, segundo ele, continua sendo utilizada por parte da indústria, mesmo após mudanças na legislação de alguns estados.
Custos elevados reduzem competitividade
Outro ponto destacado durante a entrevista foi o aumento constante dos custos de produção. Fertilizantes, energia elétrica, combustíveis, alimentação animal e demais insumos registraram forte alta nos últimos anos, enquanto a remuneração ao produtor permanece instável.
Para Ozelame, o Brasil acaba competindo em condições desiguais com países vizinhos, que oferecem incentivos e subsídios aos seus produtores, enquanto o setor leiteiro brasileiro convive com elevada carga tributária e custos financeiros mais altos.
Ele afirmou que essa diferença compromete a competitividade da produção nacional e dificulta a permanência de muitas famílias na atividade.
Clima e sucessivas perdas aumentam dificuldades
Além das questões econômicas, o produtor lembrou que o setor ainda enfrenta os impactos das condições climáticas extremas registradas nos últimos anos.
Depois de sucessivas estiagens, muitas propriedades passaram a conviver também com enchentes e excesso de chuvas, comprometendo a produção de alimentos para o rebanho, elevando custos e reduzindo a produtividade.
Segundo ele, os produtores já começam a se preparar para um novo período de instabilidade climática, buscando alternativas para minimizar possíveis prejuízos.
Sucessão familiar é um dos maiores desafios
Durante a entrevista, Ozelame também demonstrou preocupação com o futuro da atividade leiteira.
Na avaliação dele, a instabilidade econômica, os baixos resultados financeiros e a falta de valorização acabam desmotivando os jovens a permanecerem no campo.
Ele destacou que a sucessão familiar depende não apenas da vontade das novas gerações, mas também da existência de perspectivas de renda e qualidade de vida para quem decide continuar produzindo leite.
Atividade exige profissionalização
O produtor ressaltou ainda que a pecuária leiteira tornou-se uma atividade altamente técnica. Segundo ele, além do conhecimento sobre manejo dos animais, o produtor precisa atuar como gestor da propriedade, controlando custos, investindo em tecnologia e tomando decisões estratégicas diariamente.
“O produtor precisa reduzir custos sem perder produtividade. É um equilíbrio muito difícil, porque o principal gasto está justamente na alimentação dos animais, que é essencial para manter a produção”, explicou.
Ele acrescentou que a margem de lucro da atividade vem diminuindo ao longo dos últimos anos, tornando indispensável uma gestão cada vez mais eficiente.
Cadeia movimenta a economia dos municípios
Ao final da entrevista, Alverino Ozelame reforçou que a produção de leite vai muito além da propriedade rural. Segundo ele, trata-se de uma das atividades que mais movimentam a economia dos pequenos municípios, gerando empregos diretos e indiretos, renda no comércio, arrecadação de impostos e desenvolvimento regional.
Para o produtor, valorizar quem permanece na atividade significa fortalecer toda a cadeia produtiva e garantir a continuidade de um alimento essencial para a população.
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