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Jornada NESPro debate futuro da pecuária de corte e destaca oportunidades para produtores gaúchos

A pecuária de corte vive um momento de transformação e de grandes oportunidades no Brasil. A avaliação é do professor Júlio Barcellos, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e coordenador do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (NESPro), que participou do programa Rumo ao Campo deste sábado (20/06) para falar sobre a 21ª Jornada NESPro e o 2º Congresso de Criadores, que acontecem nos dias 24 e 25 de junho, no Barra Shopping Sul, em Porto Alegre.

Segundo Barcellos, o evento chega em um momento estratégico para o setor pecuário. Com praticamente todos os ingressos comercializados, a expectativa é reunir cerca de 700 participantes entre produtores rurais, estudantes, pesquisadores, técnicos, consultores e representantes de empresas ligadas à cadeia da carne bovina.

O coordenador destaca que o NESPro completa 20 anos de atuação em 2026, desenvolvendo estudos voltados à pecuária de corte sob uma visão integrada, conectando o que acontece dentro da propriedade rural às exigências do mercado consumidor.

“Hoje não basta apenas produzir mais. O produtor precisa entender o que o consumidor deseja, acompanhar os movimentos do mercado internacional, adotar práticas sustentáveis e buscar eficiência econômica”, afirmou.

Pecuária ganha espaço como alternativa para agricultores

Durante a entrevista, Barcellos chamou atenção para o cenário enfrentado pela agricultura nos últimos anos, marcado por eventos climáticos extremos, oscilações de preços e dificuldades financeiras.

Nesse contexto, a pecuária surge como uma importante ferramenta para diversificação e mitigação de riscos nas propriedades rurais.

Segundo ele, regiões tradicionalmente agrícolas, como o Alto Jacuí, possuem grande potencial para integrar lavoura e pecuária, aproveitando áreas ociosas durante o inverno para a produção de pastagens.

“O gado pode gerar uma nova fonte de renda ao produtor, além de trazer benefícios para o solo, melhorando sua estrutura, fertilidade e contribuindo para o aumento da produtividade das culturas agrícolas”, explicou.

O professor ressaltou ainda que a pecuária moderna não deve ser vista como concorrente da agricultura, mas como uma atividade complementar capaz de fortalecer a sustentabilidade econômica das propriedades.

Mercado internacional segue atento ao Brasil

Líder mundial nas exportações de carne bovina, o Brasil continua sendo um dos principais fornecedores globais de proteína animal. No entanto, Barcellos alerta que essa posição exige atenção constante às exigências dos mercados internacionais.

Questões relacionadas à sustentabilidade, rastreabilidade, uso responsável de medicamentos veterinários e preservação ambiental estão cada vez mais presentes nas negociações comerciais.

“O produtor precisa olhar para fora da porteira. O que acontece na Europa, na China ou nos Estados Unidos impacta diretamente a realidade da propriedade rural gaúcha”, observou.

Consumo interno continua forte

Ao abordar os preços da carne bovina, o especialista explicou que a alta observada recentemente está relacionada ao chamado ciclo pecuário.

Nos últimos anos, com preços baixos pagos ao produtor, muitos pecuaristas aumentaram o abate de matrizes para gerar receita e cobrir custos. Como consequência, houve redução do rebanho reprodutivo e, posteriormente, queda na oferta de animais para abate.

Essa menor disponibilidade de gado, somada à escassez mundial da proteína bovina, contribuiu para a recuperação dos preços.

Mesmo assim, Barcellos destaca que o consumo interno segue aquecido.

“Atualmente, cerca de 75% da carne produzida no Brasil permanece no mercado interno. O brasileiro continua consumindo carne bovina e a demanda permanece forte”, afirmou.

Carne premium atende nichos específicos

Outro tema abordado foi o crescimento dos mercados de carnes diferenciadas, conhecidas popularmente como carnes premium.

Segundo o professor, não existe uma única definição de qualidade. Cada consumidor possui preferências específicas relacionadas à maciez, sabor, sistema de produção, tipo de alimentação do animal e até características visuais da carne.

Por isso, diferentes nichos de mercado vêm se consolidando no país, permitindo que produtores agreguem valor ao produto e atendam públicos específicos.

“Não existe uma carne melhor que a outra. Existem consumidores diferentes, com preferências diferentes. O importante é que o produtor saiba para qual mercado está produzindo”, destacou.

Programação reúne especialistas e empresas do setor

A Jornada NESPro e o Congresso de Criadores terão palestras técnicas, análises de mercado, debates sobre sustentabilidade, gestão rural, comportamento do consumidor e perspectivas para a pecuária brasileira nos próximos anos.

Além disso, mais de 20 empresas parceiras estarão presentes apresentando tecnologias, produtos e soluções voltadas ao desenvolvimento da atividade pecuária.

A expectativa dos organizadores é promover um ambiente de troca de conhecimento e experiências, fortalecendo ainda mais a competitividade da pecuária gaúcha e brasileira diante dos desafios e oportunidades do mercado global.

Acompanhe o podcast:

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