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Consultoria agronômica ganha espaço no campo e ajuda produtores a aumentar rentabilidade das lavouras

Com custos cada vez mais elevados, desafios climáticos frequentes e uma oferta crescente de tecnologias para o campo, a tomada de decisão nas propriedades rurais tornou-se uma tarefa cada vez mais complexa. Nesse cenário, o trabalho das consultorias agronômicas vem ganhando importância para auxiliar produtores a obter melhores resultados, reduzindo riscos e aumentando a rentabilidade das lavouras.

Em entrevista à Rádio Planetário, o engenheiro agrônomo Samuel Soletti, diretor da Semear Consultoria Agronômica, falou sobre a atuação da empresa, que completa 10 anos de atividades em 2026, prestando serviços de assistência técnica e gestão rural para produtores da região.

Segundo Soletti, a consultoria vai muito além do acompanhamento da lavoura. O trabalho envolve desde análises de solo, regulagem de máquinas, indicação de cultivares e manejo das culturas até projetos de financiamento, regularização ambiental, documentação rural e planejamento de investimentos.

“Nossa proposta é permitir que o produtor possa focar no trabalho do campo enquanto nós auxiliamos na parte técnica e burocrática, buscando sempre as melhores alternativas para cada propriedade”, explicou.

Tecnologia exige planejamento e retorno financeiro

Ao abordar a evolução da agricultura nos últimos anos, Samuel destacou que o avanço tecnológico transformou completamente a realidade das propriedades rurais.

Máquinas mais modernas, sementes de alto potencial produtivo, agricultura de precisão, drones e novos sistemas de manejo aumentaram significativamente a eficiência das operações agrícolas. No entanto, ele alerta que nem toda tecnologia gera retorno financeiro imediato.

“O produtor precisa avaliar se o investimento realmente vai trazer resultado. Muitas vezes, produzir mais não significa ganhar mais dinheiro. O importante é analisar a rentabilidade e não apenas a produtividade”, afirmou.

Segundo o agrônomo, a pressão comercial sobre o agricultor é cada vez maior, com constantes lançamentos de produtos, equipamentos e tecnologias. Por isso, a gestão financeira e o planejamento tornaram-se fatores decisivos para a sustentabilidade das propriedades.

Canola cresce, trigo perde espaço e áreas de cobertura avançam

Outro tema abordado foi a mudança no cenário das culturas de inverno na região.

De acordo com Samuel, a área destinada ao trigo deverá apresentar redução significativa nesta safra, motivada principalmente pela baixa rentabilidade da cultura nos últimos anos. Parte dessa área está sendo direcionada para a canola, que vem despertando interesse dos produtores, mas ainda sem substituir totalmente o espaço ocupado pelo cereal.

Por outro lado, cresce o investimento em plantas de cobertura e sistemas de rotação de culturas, prática que traz benefícios importantes para a conservação do solo e para o aumento da produtividade futura.

“Estamos observando um crescimento muito grande das áreas com mix de cobertura. É um investimento que retorna em melhoria da fertilidade, estruturação do solo e maior eficiência das culturas seguintes”, destacou.

Saúde do solo é fundamental para altas produtividades

Durante a entrevista, Samuel também ressaltou a importância das análises de solo como ferramenta essencial para o sucesso das lavouras.

Segundo ele, muitos produtores investem em fertilizantes e tecnologias sem antes corrigir problemas básicos, como a acidez do solo e o excesso de alumínio, fatores que limitam a absorção dos nutrientes pelas plantas.

“O primeiro passo é avaliar a condição química do solo. Muitas vezes os nutrientes estão presentes, mas não estão disponíveis para a planta devido ao desequilíbrio do pH ou à presença de alumínio”, explicou.

Entre os nutrientes mais importantes para a produtividade estão fósforo, potássio, cálcio, magnésio, enxofre e boro. No entanto, o agrônomo alerta que tanto a deficiência quanto o excesso podem causar prejuízos ao desenvolvimento das culturas.

Atualmente, segundo ele, uma das principais necessidades observadas nas propriedades da região é a correção da acidez do solo por meio da aplicação de calcário.

Irrigação surge como alternativa diante das estiagens

Outro desafio destacado foi a irregularidade climática. Após anos consecutivos de estiagens e eventos extremos, muitos produtores têm buscado alternativas para reduzir os impactos da falta de chuva.

Nesse contexto, a irrigação vem ganhando espaço como uma importante ferramenta para garantir estabilidade produtiva, especialmente em culturas como milho e feijão.

Para Samuel, propriedades que possuem disponibilidade hídrica e condições para investir em sistemas de irrigação tendem a apresentar maior segurança produtiva e melhores resultados econômicos no longo prazo.

“A água continua sendo o principal fator limitante da nossa agricultura. Quando existe disponibilidade hídrica e viabilidade de investimento, a irrigação oferece mais segurança para produzir e investir em tecnologia”, afirmou.

Agricultura cada vez mais profissional

Ao completar uma década de atuação, a Semear Consultoria Agronômica acompanha de perto a transformação do agronegócio regional, marcado pela crescente profissionalização da gestão rural.

Para Samuel Soletti, o futuro da agricultura passa pela combinação entre conhecimento técnico, planejamento financeiro, conservação do solo e adoção consciente das novas tecnologias.

“O produtor precisa olhar para sua propriedade como uma empresa. Hoje, mais do que produzir, é preciso saber investir, planejar e tomar decisões com base em informações técnicas. Esse é o caminho para garantir rentabilidade e sustentabilidade no campo”, concluiu.

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