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Agricultura

Escola Técnica Belizário de Oliveira Carpes fortalece formação no agro, aposta em inovação e sonha com ampliação da estrutura

Escola Técnica Belizário de Oliveira Carpes fortalece formação no agro, aposta em inovação e sonha com ampliação da estrutura
25.05.2026 09h38  /  Postado por: rodrigosiga007

Referência regional em educação profissional voltada ao agronegócio, a Escola Técnica Belizário de Oliveira Carpes, localizada na comunidade de Campina Redonda, interior de Espumoso, segue desempenhando um papel fundamental na formação de jovens preparados para os desafios do campo moderno. Em entrevista à reportagem, a diretora Isabel Orsolin Batistti falou sobre o funcionamento da instituição, os projetos em desenvolvimento, a conexão direta com o mercado de trabalho e os desafios enfrentados pela escola.

A instituição oferece o Ensino Médio integrado ao Curso Técnico em Agropecuária, permitindo que os estudantes concluam a educação básica com qualificação profissional na área agropecuária. O ingresso acontece anualmente, durante o período oficial de matrículas da rede estadual, normalmente entre outubro e novembro.

Devido às limitações estruturais, a escola disponibiliza atualmente 50 vagas para ingressantes, preenchidas por sorteio. Mesmo assim, a procura supera a oferta todos os anos, gerando fila de espera para possíveis transferências ou desistências.

Segundo a diretora, o reconhecimento da comunidade demonstra a importância do trabalho desenvolvido pela instituição.

“Somos a única escola pública de educação profissional da nossa região voltada ao agro. Isso aumenta muito a nossa responsabilidade, porque agricultura e pecuária são a base econômica dos municípios que atendemos”, destaca.

Hoje, a escola atende 156 alunos de nove municípios da região, incluindo Espumoso, Soledade, Alto Alegre, Campos Borges, Jacuizinho, Salto do Jacuí, Quinze de Novembro, entre outros. Sem alojamento disponível, os estudantes dependem do transporte escolar oferecido pelas prefeituras parceiras.

Todos os dias, dezenas de jovens percorrem longas distâncias para frequentar as aulas em turno integral. Muitos deixam suas casas ainda de madrugada e retornam somente no fim da tarde.

“São alunos extremamente dedicados, corajosos e determinados. Muitos saem às cinco da manhã e voltam para casa perto das sete da noite. Isso reforça ainda mais nossa missão de devolver à sociedade profissionais realmente preparados”, enfatiza Isabel.

Parcerias fortalecem ensino e aproximam alunos do mercado

O trabalho da escola vai além da sala de aula e conta com uma ampla rede de apoio formada por cooperativas, empresas, instituições e entidades ligadas ao setor agropecuário.

Entre os projetos de maior destaque está a implantação da Cooperativa Escola, iniciativa desenvolvida em parceria com o Sicredi, por meio do programa estadual Escola Melhor, Sociedade Melhor.

O projeto é considerado inovador e funciona por adesão voluntária dos estudantes. Os próprios alunos organizam diretorias, conselho fiscal, coordenações e simulam a gestão de uma cooperativa real, exercitando liderança, empreendedorismo, organização, gestão financeira, trabalho em equipe e tomada de decisões.

A cooperativa recebeu o nome “Rotas do Futuro”, escolhido pelos próprios estudantes. Segundo a diretora, o significado vai além de um simples nome. “Eles entendem que diferentes caminhos os trouxeram até a escola e que diferentes sonhos e projetos de vida surgem aqui dentro. Tudo foi pensado pelos próprios alunos: nome, símbolo, identidade e propósito.”

Formação técnica com forte ligação ao mercado de trabalho

A ligação entre escola e setor produtivo também se reflete diretamente na empregabilidade dos estudantes. De acordo com Isabel, praticamente diariamente empresas procuram a instituição em busca de profissionais qualificados. “Muitas empresas entram em contato perguntando se temos técnicos para indicar. Temos ex-alunos atuando em cooperativas, empresas do agro, assistência técnica, propriedades rurais e também estudantes que seguem para o ensino superior.”

A diretora ressalta que muitos jovens procuram a escola justamente por enxergar no curso uma oportunidade concreta de construir uma carreira profissional. “Muitos dos nossos estudantes são filhos de agricultores, pertencem a famílias de renda média ou baixa e encontram aqui uma oportunidade real de qualificação, crescimento profissional e transformação de vida.”

Ensino alia teoria, prática e realidade do campo

O modelo pedagógico da Escola Técnica Belizário de Oliveira Carpes tem como diferencial a forte integração entre teoria e prática. As atividades práticas ocorrem tanto nas áreas experimentais da escola quanto em propriedades rurais parceiras, visitas técnicas, demonstrações de equipamentos, lavouras, confinamentos e unidades produtivas da região.

Na área agrícola, os alunos acompanham processos como plantio, manejo de culturas, análise de solos, uso de tecnologias e demonstrações técnicas. Já na pecuária, a escola trabalha com práticas realizadas em propriedades parceiras, permitindo aos estudantes contato direto com a realidade do setor. Nos próximos dias, por exemplo, alunos participarão de atividades em confinamentos da região e também acompanharão demonstrações de equipamentos agrícolas voltados ao manejo do solo.

Projeto prevê galpão pedagógico e unidades educativas na área animal

Uma das novidades anunciadas pela direção é a aprovação de um projeto junto à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) para construção de um galpão pedagógico de 150 metros quadrados.

O novo espaço permitirá a implantação de unidades educativas voltadas à produção animal.

A primeira etapa deverá contemplar a criação de frangos de corte e galinhas poedeiras, alinhando a formação técnica às novas demandas produtivas da região, onde a avicultura e a suinocultura vêm ganhando espaço. O projeto também seguirá rigorosamente as exigências sanitárias e ambientais.

Tecnologia, sucessão familiar e permanência no campo

Outro tema central abordado pela direção é a transformação tecnológica vivida pelo meio rural. Segundo Isabel, a vida no campo mudou significativamente nas últimas décadas e exige produtores cada vez mais preparados.

“Hoje o campo tem tecnologia, informação, conectividade, máquinas modernas e acesso às mesmas facilidades existentes na cidade. Mas quem não estiver preparado para acompanhar essa evolução ficará para trás.”

Nesse contexto, a escola trabalha também o fortalecimento da sucessão familiar rural, preparando jovens que pretendem retornar às propriedades dos pais. “Muitos alunos desejam voltar para dar continuidade à atividade da família. Nosso papel é desenvolver neles o conhecimento técnico, o espírito empreendedor e a capacidade de inovar dentro da própria propriedade.”

Estrutura limitada desafia crescimento da escola

Apesar dos resultados positivos, a infraestrutura ainda é apontada como um dos maiores desafios da instituição.

O último investimento de ampliação ocorreu em 2002. Hoje, todas as salas de aula operam com capacidade máxima, limitando a abertura de novas vagas. Existe um projeto para construção de três novas salas, porém a execução depende da destinação de recursos.

“A demanda existe, nós poderíamos ampliar o número de alunos, mas faltam salas de aula. Ainda sonhamos com ampliação, com mais espaço e até mesmo com a possibilidade de um futuro internato”, afirma Isabel.

A diretora defende maior atenção do poder público e da classe política à educação profissional rural.

“Investir em uma escola técnica como a nossa é investir diretamente no desenvolvimento regional, na agricultura, na pecuária, na qualificação dos jovens e no fortalecimento do campo.”

Participação ativa em feiras, eventos e projetos científicos

Além da rotina escolar, a instituição participa ativamente de feiras científicas, eventos técnicos, congressos, viagens de estudo, mostras de educação profissional e atividades de pesquisa.

Projetos desenvolvidos pelos estudantes já vêm sendo preparados para representar a escola em mostras estaduais da educação técnica, reforçando o perfil inovador da instituição.

Com um corpo docente formado por engenheiros agrônomos, médico veterinário, engenheira ambiental, especialistas em fruticultura e profissionais com ampla experiência prática, a Escola Técnica Belizário de Oliveira Carpes segue consolidando sua missão: formar jovens preparados para liderar o futuro do agronegócio, fortalecer a sucessão rural e impulsionar o desenvolvimento da região.

Acompanhe o podcast completo:

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