Neste sábado (18/04), Rodrigo Oliveira conversou com o avicultor Tadeu Vidal, do município de Campos Borges, para entender como funciona o dia a dia na criação de aves e o crescimento da atividade na região, no programa Rumo ao Campo.
Tadeu ingressou na avicultura há cerca de um ano, buscando diversificar a renda da propriedade. “A lavoura para o pequeno produtor estava complicada, então vimos na avicultura uma alternativa”, explicou.
Hoje, ele trabalha com cerca de 70 mil aves, distribuídas em dois aviários, com 35 mil animais em cada galpão. O ciclo de produção é rápido: os pintinhos chegam com um dia de vida e, em aproximadamente 40 a 42 dias, já estão prontos para o envio à indústria.
Clima influencia diretamente na produção
Segundo o produtor, cada estação traz seus desafios. Apesar das dificuldades operacionais no inverno, como o manejo do aquecimento, essa época costuma trazer melhores resultados.
“No inverno é mais fácil controlar a temperatura dentro do aviário. Já no verão, o calor excessivo prejudica bastante as aves”, destacou.
Ele afirma que os melhores lotes foram obtidos nos períodos mais frios, devido à maior estabilidade térmica.
Rotina exige dedicação constante
Mesmo com parte do sistema automatizado, a rotina exige atenção diária. Tadeu relata que o trabalho começa cedo e se estende ao longo do dia.
“Entramos nos aviários por volta das seis da manhã, voltamos ao meio-dia e depois novamente à tarde. Mesmo com automação, sempre precisa acompanhamento”, explicou.
O produtor também reforça que o investimento é alto e exige responsabilidade. “Se não fizer bem feito, pode ter dificuldade para honrar os compromissos”, afirmou.
Biosseguridade é prioridade
Um dos principais cuidados atualmente é com a biosseguridade, especialmente devido ao aumento de doenças.
“Hoje não é mais recomendado receber visitas nos aviários. Só entra quem trabalha ou com autorização da empresa e acompanhamento técnico”, disse.
Segundo ele, evitar a entrada de doenças é fundamental para garantir a produtividade e evitar prejuízos.
Sistema integrado com a indústria
A produção funciona no sistema de integração. A empresa fornece os pintinhos, ração e medicamentos, enquanto o produtor entra com a estrutura, mão de obra e manejo.
“Eles trazem tudo: ração, medicamentos e assistência técnica. A nossa parte é o cuidado com as aves e a manutenção do aviário”, explicou.
A ração é fornecida em diferentes fases — pré-inicial, inicial, crescimento e final — garantindo o desenvolvimento adequado dos animais.
Resultados e rentabilidade
A média de peso das aves tem ficado em torno de 3,3 quilos por animal no momento do abate. Já a taxa de mortalidade registrada na propriedade gira entre 3% e 4%, abaixo do limite considerado aceitável pela indústria, que é de até 5%.
Sobre a rentabilidade, Tadeu explica que o primeiro ano foi mais apertado devido ao financiamento da estrutura.
“Deu para pagar todos os custos e compromissos. A tendência é melhorar nos próximos anos, com a redução das parcelas”, destacou.
Investimento e expansão
A estrutura dos aviários foi totalmente financiada. Segundo o produtor, a recomendação das empresas é trabalhar com mais de um galpão para viabilizar economicamente a atividade.
“A ideia agora é, no futuro, ampliar com mais aviários, conforme a situação for melhorando”, afirmou.
A iniciativa para implantação da avicultura em Campos Borges contou com apoio do poder público, que intermediou o contato com a empresa integradora.
Produção voltada à exportação
Grande parte da produção é destinada ao mercado externo, com destaque para países como a China. Isso exige padrões rigorosos de qualidade e constantes auditorias.
“Quanto mais mercados, maior a exigência. A gente precisa estar preparado para atender esses padrões”, comentou.
Tecnologia e manejo
Os aviários são climatizados e contam com sistemas automatizados de alimentação e controle de ambiente. Ainda assim, o manejo manual continua sendo essencial.
Entre os cuidados principais estão:
- controle de temperatura;
- qualidade da água (com cloração adequada);
- alimentação balanceada;
- manejo da cama (maravalha);
- controle sanitário rigoroso.
Além disso, o consumo de ração é elevado: cada lote pode consumir mais de 300 mil quilos somando os dois aviários.
Diversificação como alternativa no campo
Para Tadeu, a avicultura se mostra uma alternativa viável para pequenos produtores que buscam diversificar a renda.
“É um investimento alto, mas é um negócio vantajoso para quem quer trabalhar e se dedicar”, afirmou.
Ele também destaca que a atividade pode ser desenvolvida em áreas relativamente pequenas, com alta produtividade por espaço.
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