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Operação Fraus Vehiculorum investiga organização criminosa e mira homicídios e lavagem de dinheiro em sete cidades do RS

Operação Fraus Vehiculorum investiga organização criminosa e mira homicídios e lavagem de dinheiro em sete cidades do RS
03.02.2026 11h01  /  Postado por: villaadriano

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, na manhã desta terça-feira, a Operação Fraus Vehiculorum, com o objetivo de investigar a atuação de uma organização criminosa envolvida com homicídios, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A ofensiva policial ocorre de forma simultânea na Serra Gaúcha, no Litoral Norte, em Porto Alegre e na Região Metropolitana, abrangendo os municípios de Caxias do Sul, Capão da Canoa, Flores da Cunha, Farroupilha, Arroio do Sal, Sapiranga e a Capital.

Ao todo, estão sendo cumpridas 60 ordens judiciais, incluindo 23 mandados de busca e apreensão, além da apreensão de cinco veículos, indisponibilidade de dois imóveis e a quebra dos sigilos fiscal e financeiro dos investigados. Conforme a Polícia Civil, o valor dos bens já bloqueados e apreendidos ultrapassa R$ 3,5 milhões.

A operação é coordenada pela Delegacia de Repressão ao Crime de Lavagem de Dinheiro (DRLD), vinculada ao Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), com apoio da Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Caxias do Sul e do 12º Batalhão da Brigada Militar.

Investigação teve origem em caso de desaparecimento

As investigações tiveram início a partir do recebimento de documentos relacionados a um inquérito policial de desaparecimento, conduzido pela Delegacia de Homicídios de Caxias do Sul. No decorrer das diligências, os policiais identificaram indícios de que a vítima poderia ter sido executada, uma vez que o veículo utilizado por ela foi negociado com integrantes da organização criminosa mesmo após o seu desaparecimento.

A apuração apontou que os envolvidos na transação do automóvel possuem ligação direta com uma facção criminosa atuante no tráfico de drogas em Caxias do Sul. Segundo a Polícia Civil, as lideranças do grupo mantêm empresas utilizadas, em tese, para lavagem de dinheiro, com o objetivo de dar aparência de legalidade aos valores obtidos de forma ilícita por meio de negociações comerciais simuladas.

Movimentação financeira milionária chamou atenção dos investigadores

A equipe da Delegacia de Repressão ao Crime de Lavagem de Dinheiro identificou movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada dos investigados, concentradas em um curto espaço de tempo. Em apenas quatro meses, foi constatada uma circulação de aproximadamente R$ 3,5 milhões em contas vinculadas aos suspeitos, em diferentes períodos analisados.

Além disso, foi possível comprovar indícios de que os investigados utilizavam os recursos ilícitos para a aquisição de imóveis, veículos e a criação de estruturas comerciais, que funcionariam como mecanismo para introduzir dinheiro ilegal no mercado formal. Os suspeitos também possuem extensos antecedentes criminais, incluindo registros por tráfico de drogas, associação para o tráfico, porte ilegal de arma de fogo, entre outros crimes.

A Delegacia de Polícia de Osório segue responsável pela investigação específica do desaparecimento da vítima que deu origem ao desdobramento do inquérito.

Enfraquecimento financeiro de grupos criminosos

De acordo com o diretor do DHPP, delegado Mario Souza, a Operação Fraus Vehiculorum está inserida na estratégia estadual de combate aos homicídios.
“Essa operação contra lavagem de dinheiro que atinge um grupo criminoso envolvido em homicídios é resultante da aplicação da medida 5 do Protocolo das 7 Medidas de Enfrentamento aos Homicídios. A repressão ao crime de lavagem de dinheiro visa enfraquecer o poderio financeiro dos grupos criminosos, evitando que eles utilizem recursos ilícitos para financiar a prática de homicídios”, afirmou o delegado.

A Polícia Civil destaca que a operação segue em andamento e que o material apreendido será analisado para aprofundar as investigações, identificar outros possíveis envolvidos e reforçar as provas já reunidas no inquérito.

Com informações: Jornalista Fernando Kopper

Fonte: Correio do Povo

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