Segunda-feira, 09 de Fevereiro de 2026
Telefone: (54) 3383 3400
Whatsapp: (54) 9 9999-7374
Curta nossa página no Facebook:
Clique para Ouvir
Parcialmente nublado
32°
16°
30°C
Espumoso/RS
Parcialmente nublado
No ar: Batidão da Líder
Ao Vivo: Batidão da Líder
Notícias

‘Rodízio de terror’: câmera corporal grava áudio de suposta sessão de tortura envolvendo PMs em Porto Alegre

‘Rodízio de terror’: câmera corporal grava áudio de suposta sessão de tortura envolvendo PMs em Porto Alegre
29.01.2026 09h39  /  Postado por: villaadriano

Quatro soldados do 21º Batalhão da Brigada Militar se tornaram réus na Justiça Militar do Rio Grande do Sul por crimes como tortura, invasão de domicílio e cárcere privado, após uma câmera corporal registrar, em áudio, uma suposta sessão de tortura durante uma abordagem policial na Zona Sul de Porto Alegre.

O caso teria ocorrido na madrugada de 1º de agosto de 2025, no bairro Lami. Segundo denúncia do Ministério Público (MP), policiais militares teriam invadido residências sem mandado judicial e submetido ao menos três pessoas a agressões físicas e psicológicas. Em um dos episódios, o MP descreve o que chamou de “rodízio de terror”, no qual as vítimas teriam sido torturadas de forma alternada.

Respondem ao processo os soldados Sandro Urubata Acosta, Anderson Azambuja de Souza, Anderson Nascimento da Silva e Nathan Fraga Leon. Todos chegaram a ser presos durante as investigações. Atualmente, Nascimento e Leon respondem em liberdade, enquanto dois dos policiais permanecem presos após julgamento de habeas corpus realizado nesta quarta-feira (28) pelo Tribunal de Justiça Militar, que resultou em dois votos pela manutenção das prisões e dois pedidos de vista, mantendo a custódia até nova decisão.

De acordo com o Ministério Público, a câmera corporal de um dos policiais estava com a lente propositalmente obstruída, impedindo a gravação de imagens. Entretanto, o equipamento continuou registrando o áudio da ação. Conforme a acusação, os registros captaram sons compatíveis com agressões, uso de sacola plástica para sufocamento, disparos de arma de choque e ameaças contra as vítimas.

Em gravação obtida pela imprensa, um homem pode ser ouvido durante cerca de 23 minutos pedindo para que as agressões parem, enquanto vozes atribuídas aos policiais exigem a entrega de uma arma de fogo, referida como “PT”, abreviação popular para pistola. Em determinados momentos, também seriam feitas ameaças envolvendo familiares da vítima e referências a uma “sessão de horrores”, segundo consta na denúncia.

Conforme o MP, a ocorrência teve início quando policiais teriam arrombado a porta de uma residência durante a madrugada, enquanto um casal e a filha dormiam. O homem teria sido rendido dentro do quarto e, ainda no imóvel, sofrido agressões com spray de pimenta e ameaças para revelar a localização de uma arma.

Sem obter respostas, os policiais teriam colocado a vítima no porta-malas de uma viatura e a levado para diferentes pontos da Zona Sul. Em um desses locais, segundo a acusação, ocorreram sessões de tortura. Posteriormente, o homem teria sido levado novamente à residência, onde novas agressões teriam ocorrido durante buscas por armas, drogas e dinheiro.

Em seguida, o homem teria sido novamente colocado na viatura e levado a uma área de matagal, onde, segundo a denúncia, sofreu agressões com pedaços de madeira, chutes, disparos de arma de incapacitação neuromuscular e tiros efetuados próximos ao corpo como forma de intimidação.

Laudos periciais anexados ao processo apontam lesões pelo corpo, incluindo hematomas, escoriações e equimoses compatíveis com os relatos apresentados na investigação.

Enquanto o homem era levado pelos policiais, a companheira dele teria permanecido na residência sob vigilância, impedida de sair. O MP sustenta que um dos militares ficou no local mantendo a mulher em cárcere privado para evitar que ela buscasse ajuda.

A denúncia foi assinada pela promotora de Justiça Anelise Haertel Grehs, que afirmou não ter ficado claro durante a investigação qual seria o interesse dos policiais em uma pistola específica mencionada durante a ação.

Procurada, a Brigada Militar informou que instaurou Inquérito Policial Militar por meio da Corregedoria-Geral assim que tomou conhecimento do caso. Ao final da investigação, quatro policiais foram indiciados e o caso encaminhado à Justiça Militar.

A corporação informou ainda que os envolvidos foram submetidos a processos administrativos para avaliar a permanência nos quadros da instituição e reafirmou que não tolera condutas que violem a dignidade humana. A reportagem apurou, porém, que o soldado Nathan Leon já retornou ao trabalho, enquanto os demais permanecem afastados.

As defesas dos acusados negam irregularidades. O advogado Marcio Rosano, que representa dois dos soldados, afirma que a inocência dos clientes vem sendo demonstrada durante a instrução processual, inclusive com depoimentos e imagens que, segundo ele, indicariam ausência de violência na abordagem.

Já a defesa de Anderson Nascimento da Silva sustenta que o policial não teve contato físico com as vítimas e que, por decisão judicial, responde ao processo em liberdade. O advogado de Nathan Leon declarou que o soldado atuava apenas como motorista da viatura e não participou das agressões descritas, ressaltando que a colaboração do cliente com a investigação contribuiu para sua soltura.

O processo segue em tramitação na Justiça Militar, que ainda deverá julgar o mérito das acusações.

Com informações: Jornalista Fernando Kopper

Comente essa notícia
Receba nosso informativo
diretamente em seu e-mail.
Utilizamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência, de acordo com a nossa Política de Privacidade e, ao continuar navegando, você concorda com estas condições.
CONCORDO