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Presidente do Corede Botucaraí alerta para risco de paralisação da duplicação da BR-386

Presidente do Corede Botucaraí alerta para risco de paralisação da duplicação da BR-386
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27.01.2026 09h42  /  Postado por: villaadriano

Na manhã desta terça-feira (27/01), durante entrevista ao programa Giro da Notícia, da Rádio Planetário, o presidente do Fórum do Corede Alto da Serra do Botucaraí, Idioney Oliveira Vieira, fez um alerta contundente sobre o futuro da duplicação da BR-386, uma das principais rodovias federais do Rio Grande do Sul. Recebido pelo comunicador Rodrigo Oliveira, Idioney afirmou que há risco real de paralisação das obras por até quatro ou cinco anos, ao mesmo tempo em que a população poderá enfrentar aumento na tarifa de pedágio e redução na qualidade da rodovia.

Ao longo da entrevista, o dirigente do Corede criticou duramente o modelo adotado pelo governo federal na condução da concessão da BR-386, especialmente no que diz respeito à transferência de responsabilidades técnicas para a iniciativa privada. Segundo ele, estudos de viabilidade, definição de traçados, custos e planejamento de obras são atribuições mínimas do poder público, que estariam sendo repassadas às concessionárias, resultando em cobrança direta ao cidadão por meio do pedágio.

Idioney destacou que a BR-386 é um eixo estratégico para o Estado, servindo como principal acesso à capital para motoristas vindos do Noroeste, Norte e de regiões como Alto Jacuí e Alto da Serra do Botucaraí. “É uma via extremamente movimentada, essencial para a economia, para o transporte de cargas, para o deslocamento de pessoas. E, mesmo assim, estamos vendo o cidadão tirar dinheiro do bolso, pagar pedágio e, em troca, correr o risco de ter menos rodovia e mais problemas”, afirmou.

Durante a conversa, o presidente do Corede alertou para um cenário considerado crítico: trechos duplicados que terminam abruptamente e voltam a ser pista simples. Ele citou, como exemplo, a possibilidade de a duplicação parar entre Fontoura Xavier e Marques de Souza, criando gargalos perigosos em uma rodovia de intenso fluxo. “Você sai de um trecho duplicado e, de repente, entra numa pista simples. Isso gera congestionamento, estresse e aumenta drasticamente o risco de acidentes”, explicou.

Idioney também chamou atenção para o comportamento de parte dos motoristas em situações de retenção no trânsito. Segundo ele, após longos períodos de congestionamento, muitos condutores retomam a viagem de forma imprudente, tentando compensar o tempo perdido, o que acaba resultando em acidentes graves. “A gente sabe que obra bem sinalizada canaliza o trânsito e ajuda, mas quando há falhas de sinalização, atrasos e obras que andam devagar, o risco aumenta ainda mais”, acrescentou.

Outro ponto abordado foi a lentidão na execução das obras e rumores de atrasos em pagamentos a empresas terceirizadas que atuam na duplicação. Embora tenha ressaltado que não há confirmação oficial, Idioney afirmou que comentários recorrentes de caminhoneiros e prestadores de serviço indicam dificuldades financeiras no consórcio responsável pelas obras. Para ele, quando a obra desacelera visivelmente, o sinal de alerta precisa ser ligado.

Diante desse cenário, o Corede Alto da Serra do Botucaraí, juntamente com os Coredes do Vale do Taquari e do Alto Jacuí, iniciou um movimento de mobilização regional. Idioney relatou que já houve contato com a presidência da Famurs e articulações com associações de prefeitos, com o objetivo de ampliar o debate e pressionar por soluções. “É inadmissível que uma obra federal, privatizada, tenha aumento de pedágio na revisão quinquenal e ainda corra o risco de parar”, declarou.

Ele fez um apelo direto a vereadores, prefeitos, lideranças políticas e à população em geral, destacando que a defesa da BR-386 não é responsabilidade apenas dos municípios lindeiros. “O vereador não é só do seu município. Quando se trata de rodovia, ele trabalha para todo o Estado. Quem anda por ali pode perder a vida, ter prejuízo com o carro, com a carga”, afirmou.

Idioney também criticou o que chamou de “armadilha” das concessões, em que pequenas obras ou melhorias locais acabam enfraquecendo a mobilização coletiva. Segundo ele, muitas lideranças acabam evitando confronto em troca de benefícios pontuais, enquanto o problema estrutural permanece. “A rua é de todos, não é só de quem mora nela”, comparou.

Como encaminhamento, o presidente do Corede defendeu a criação de um grupo de trabalho envolvendo o Ministério dos Transportes e o Tribunal de Contas da União (TCU), para dar transparência total ao contrato de concessão. Ele cobrou esclarecimentos sobre o que não foi cumprido, o que a tarifa de pedágio efetivamente cobre e por que recursos extraordinários, como seguros relacionados a enchentes, não foram utilizados para manter o cronograma das obras.

“A população precisa ter acesso às informações reais. Não dá para simplesmente jogar a obra para frente, aumentar pedágio e não discutir isso com a sociedade”, ressaltou. Para Idioney, pagar pedágio não é o problema, desde que a rodovia entregue segurança, trafegabilidade e infraestrutura adequada. “Quando a via é boa, dá até orgulho de pagar. O problema é pagar mais e receber menos”, disse.

Ao final da entrevista, Idioney reforçou o chamado à mobilização social, incentivando o uso das redes sociais, moções nas câmaras de vereadores, contatos com deputados e ações públicas ao longo da BR-386. “Não precisamos aparecer, precisamos que as pessoas se indignem. A duplicação da BR-386 não pode parar”, concluiu.

Além do tema rodoviário, Idioney aproveitou o espaço para divulgar informações do campus da UPF em Soledade, do qual é diretor e coordenador, destacando a abertura de inscrições para vestibular, cursos ofertados e oportunidades de bolsas, reforçando a importância da educação como ferramenta de transformação social e desenvolvimento regional.

Com informações: Jornalista Fernando Kopper

Reportagem: Repórter Rodrigo Oliveira

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