Nova resolução do Cofen autoriza enfermeiros a prescrever antibióticos e gera reação do CREMERS
O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) publicou na quinta-feira (22) uma nova resolução que amplia as atribuições dos enfermeiros em todo o território nacional. A norma autoriza esses profissionais a prescreverem antibióticos como amoxicilina, azitromicina e eritromicina. Com a mudança, as receitas assinadas por enfermeiros passam a ser aceitas pelas farmácias, desde que sejam observados os critérios, protocolos e diretrizes previstos na resolução.
A decisão, no entanto, provocou reação imediata de entidades médicas, que manifestaram preocupação com a possibilidade de prescrição indiscriminada de antibióticos e seus impactos na saúde pública. Uma das manifestações contrárias partiu do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (CREMERS).
Em entrevista à Rádio Uirapuru, de Passo Fundo, o vice-presidente do CREMERS, Eduardo Neubarth Trindade, afirmou que a entidade é completamente contrária à nova norma. Segundo ele, a medida vai na contramão da tendência mundial, que busca o uso racional e, inclusive, a redução do consumo de antibióticos. Trindade destacou que a indicação correta desse tipo de medicamento é um ato médico, que envolve diagnóstico clínico preciso, conhecimento aprofundado e anos de formação acadêmica.
De acordo com o vice-presidente do CREMERS, a prescrição de antibióticos não pode ser delegada a outros profissionais por meio de uma resolução de conselho diferente. Ele afirmou ainda que os enfermeiros não possuem formação acadêmica, técnica e científica para realizar diagnósticos e indicar tratamentos para doenças, especialmente aquelas que exigem avaliação clínica detalhada.
Trindade também alertou para os riscos do uso inadequado de antibióticos, ressaltando que a prescrição sem critérios rigorosos pode gerar consequências graves para a saúde pública. Entre elas, o aumento da resistência bacteriana, fenômeno que torna os antibióticos cada vez menos eficazes no combate às infecções. Segundo ele, esse problema já é amplamente discutido na imprensa e representa um dos principais desafios atuais da medicina.
O vice-presidente do CREMERS reforçou que a posição da entidade não se trata de reserva de mercado, mas de responsabilidade profissional e preocupação com a segurança dos pacientes. Por fim, informou que o Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul irá notificar o Conselho Federal de Medicina para que sejam adotadas as medidas judiciais cabíveis, com o objetivo de questionar e tentar suspender a nova resolução publicada pelo Conselho Federal de Enfermagem.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Rádio Uirapuru




