Mercado de arroz segue travado no Rio Grande do Sul e depende da exportação para escoar excedente
O mercado brasileiro de arroz encerrou a primeira quinzena de janeiro mantendo um cenário de forte rigidez operacional e baixa fluidez nas negociações, especialmente no Rio Grande do Sul, principal estado produtor do país. Na prática, as operações seguem praticamente paralisadas, com volumes reduzidos e pouca disposição para novos negócios.
De acordo com o analista e consultor de Safras & Mercado, Evandro Oliveira, a movimentação observada no período foi residual e concentrada quase exclusivamente no cumprimento de contratos vinculados aos leilões de Prêmio para Escoamento de Produto (PEP) e Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro), realizados no período do Natal. “Esses leilões seguem cercados por incertezas operacionais e logísticas, o que acaba limitando qualquer efeito mais estruturante sobre os preços”, avalia.
Pelo lado da demanda, o mercado apresenta uma dualidade clara. Conforme Oliveira, há situações pontuais em que compradores aceitam pagar prêmios marginais para recompor estoques. Em contrapartida, outros agentes adotam postura mais retraída, aguardando ofertas mais baratas diante da dificuldade de repassar custos ao arroz beneficiado. Esse movimento ocorre em um contexto de varejo ainda extremamente pressionado, o que reduz a margem de manobra das indústrias.
Nesse ambiente de baixa liquidez interna, a exportação continua se consolidando como a principal válvula de escape para o excedente doméstico. “As referências externas permanecem relativamente mais atrativas do que as internas, o que intensifica a urgência de escoamento para fora do país”, destaca o analista.
No entanto, Oliveira alerta que a valorização do real atua como um fator limitante adicional. Com o dólar girando em torno de R$ 5,35, a competitividade das vendas externas é reduzida, ao mesmo tempo em que as importações se tornam mais atraentes. Esse cenário amplia a pressão sobre o mercado doméstico e dificulta uma reação mais consistente dos preços.
No Rio Grande do Sul, a média da saca de 50 quilos de arroz, com 58% a 62% de grãos inteiros e pagamento à vista, encerrou o dia 15 cotada a R$ 52,43. O valor representa uma alta discreta de 0,11% em relação à semana anterior. Na comparação com o mesmo período do mês passado, a queda foi de 0,21%. Já em relação a 2025, a desvalorização acumulada atinge expressivos 47,85%, evidenciando a pressão prolongada sobre o setor orizícola gaúcho.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper




