Família aguarda investigação e análise de imagens sobre morte de agricultor em ação policial em Pelotas
A família do agricultor Marcos Nörnberg, de 48 anos, morto na semana passada durante uma ação da Brigada Militar em Pelotas, vive dias de expectativa e apreensão à espera do avanço das investigações. Familiares acreditam que imagens registradas no local da ocorrência poderão esclarecer com mais precisão o que aconteceu no momento da abordagem policial. Na tarde desta segunda-feira, está previsto o depoimento da esposa da vítima, Raquel Nörnberg, na Polícia Civil.
Segundo o advogado da família, Marcelo Moura, o momento ainda é de profundo abalo emocional. Ele descreve Marcos como o principal eixo de sustentação familiar, tanto do ponto de vista financeiro quanto nas decisões cotidianas. “Eles ainda estão tentando se recompor. O Marcos tinha uma característica muito forte de centralidade dentro da família, não só nos negócios, mas em todas as decisões do dia a dia. Inclusive estão se reorganizando em relação a onde a Raquel vai morar”, afirmou.
Durante uma reunião realizada no fim de semana, familiares localizaram novos elementos na residência e apresentaram ao advogado vídeos gravados por celulares. Todo esse material será encaminhado à Polícia Civil para análise. Além disso, imagens do sistema de segurança da propriedade já haviam sido entregues anteriormente às autoridades responsáveis pela investigação.
“O que se tem agora são imagens produzidas pelos próprios familiares durante o desfecho do fato. A Raquel ficou cerca de uma hora e meia detida dentro da residência e, durante e após esse período, familiares conseguiram registrar algumas cenas”, explicou Moura.
De acordo com o advogado, as imagens do sistema de monitoramento mostram o entorno da casa no momento da chegada da Brigada Militar e a forma como os policiais ingressaram no local. “Só havia uma câmera externa, mas ela permite visualizar os policiais, a forma como chegam na propriedade e como entram na casa. Como a câmera tem captação de som, ela traz outros elementos que também serão analisados”, detalhou, sem divulgar o conteúdo específico das gravações.
A família decidiu, neste momento, não tornar público o material audiovisual. Segundo Moura, a decisão foi tomada em conjunto com o delegado responsável e agentes envolvidos na apuração, para não comprometer o andamento das investigações. “A expectativa é que primeiro a polícia analise tudo. As imagens vão mostrar o que aconteceu naquele dia”, ressaltou.
Outro ponto levantado pela defesa diz respeito à nota divulgada pela Brigada Militar na noite do ocorrido. Conforme o advogado, não houve apreensão de valores, como foi informado oficialmente. “Havia dinheiro na casa, sim, mas não foi apreendido. Era um valor que a família havia economizado para pagar uma parcela de um implemento agrícola, um trator com vencimento nesta semana. A delegada plantonista liberou esse valor”, explicou.
Moura também contestou a informação sobre apreensão de moeda estrangeira em quantidade significativa. “A nota fala em dólares, mas eram apenas 10 dólares, provenientes de um intercâmbio que a filha fez no Canadá. Não houve uma grande apreensão de moeda estrangeira”, disse.
Segundo o advogado, o desconforto da família vai além de eventuais erros factuais. “O segundo equívoco é o tom da nota. De forma sutil, mas perceptível, a família sentiu uma insinuação de que poderia haver alguma prática ilegal por parte do Marcos em relação a esses valores, especialmente quando se menciona dinheiro em dólares. O que não ocorreu”, afirmou.
Questionado sobre manifestações oficiais, Moura informou que a Corregedoria da Brigada Militar esteve na propriedade acompanhando complementações da perícia, em conjunto com a Polícia Civil e o Instituto-Geral de Perícias. “O corregedor esteve no local e manifestou solidariedade à família. Sobre outras manifestações formais, preciso verificar diretamente com eles”, declarou.
Ainda conforme o advogado, instituições como o Ministério Público do Rio Grande do Sul já entraram em contato para informar que acompanham o caso. “A família deseja que todos esses fatos sejam esclarecidos e apresentados à sociedade com total transparência”, concluiu.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Correio do Povo




