Endividamento atinge 85% das famílias gaúchas e comprometimento da renda chega ao maior nível desde 2019
A Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Rio Grande do Sul (Fecomércio-RS) divulgou os resultados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência das Famílias do Rio Grande do Sul (PEIC-RS) referentes ao mês de dezembro de 2025. O levantamento aponta que 85% das famílias gaúchas estavam endividadas no período, índice que se manteve estável em relação a novembro e que ficou abaixo do registrado em dezembro de 2024.
Entre os dados apurados, um dos que mais chama atenção é o aumento contínuo da parcela da renda comprometida com dívidas. O indicador vem apresentando trajetória de alta há 14 meses consecutivos e, em dezembro, atingiu 29,5%, o maior patamar desde outubro de 2019, sinalizando maior pressão sobre os orçamentos familiares no Estado.
O percentual de famílias com contas em atraso ficou em 25,4% em dezembro, praticamente estável em comparação ao mês anterior, quando era de 25,5%. A inadimplência segue mais concentrada entre as famílias com renda de até 10 salários-mínimos, segmento no qual o índice subiu levemente de 31,5% para 31,6%. Já entre as famílias com renda superior a 10 salários-mínimos, o cenário é distinto, com queda da inadimplência para 4,7%.
Outro dado considerado positivo pelo levantamento é a redução do percentual de famílias que afirmaram não ter condições de regularizar nenhuma parte das dívidas. Esse indicador caiu para 1,2% em dezembro, o menor nível desde o início da série histórica da pesquisa, sugerindo maior capacidade de negociação ou reorganização financeira por parte dos endividados.
No recorte do comprometimento da renda, as famílias com renda de até 10 salários-mínimos apresentaram percentual médio de 29,9% da renda destinada ao pagamento de dívidas. Entre as famílias de maior renda, o comprometimento ficou em 27,6%, demonstrando que, embora o impacto seja generalizado, ele pesa de forma mais intensa sobre os grupos de menor renda.
Segundo a Fecomércio-RS, o comportamento crescente do comprometimento da renda é compatível com outros indicadores econômico-financeiros baseados em valores reais, diferentemente da PEIC, que se fundamenta na percepção das famílias. A tendência de alta sustentada acende um sinal de alerta para a saúde financeira dos lares gaúchos, especialmente em um contexto de custos elevados e necessidade de maior planejamento do orçamento doméstico.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper




