Avicultura gaúcha fecha 2025 com 808 milhões de aves abatidas
A Organização Avícola do Rio Grande do Sul (O/A.RS), formada pela Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) e pelo Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas no Estado (Sipargs), apresentou nesta sexta-feira (16), em coletiva de imprensa realizada na sede da entidade, em Porto Alegre, o balanço completo do setor avícola gaúcho referente ao ano de 2025. Mesmo diante de um dos períodos mais desafiadores da história recente da atividade, marcado por enchentes de grande impacto, ocorrência da doença de Newcastle e, principalmente, pelo registro de Influenza Aviária em maio do ano passado, o setor conseguiu preservar sua relevância no cenário nacional e internacional.
De acordo com os dados divulgados, o Rio Grande do Sul encerrou 2025 com cerca de 808 milhões de aves abatidas, volume que representa crescimento aproximado de 1,5% em relação a 2024. O desempenho assegurou ao Estado a manutenção da terceira colocação entre os maiores produtores e exportadores de carne de frango do Brasil, resultado atribuído, pela entidade, à capacidade de gestão de crises, à rápida atuação frente às adversidades sanitárias e climáticas e ao trabalho integrado com órgãos oficiais e demais instituições ligadas à cadeia produtiva.
No mercado externo, entretanto, os reflexos dos embargos impostos após o caso de Influenza Aviária impactaram os números das exportações. Em volume, o setor avícola gaúcho exportou 686,3 mil toneladas de carne de frango em 2025, registrando leve retração de 0,77% em comparação às 691,6 mil toneladas embarcadas no ano anterior. Já a receita cambial somou US$ 1,24 bilhão, queda de 1,35% frente aos US$ 1,26 bilhão alcançados em 2024.
Segundo o presidente executivo da O/A.RS, José Eduardo dos Santos, a redução nas exportações está diretamente relacionada às restrições impostas por mercados estratégicos. “A baixa nas exportações está diretamente ligada aos embargos decorrentes do caso de Influenza Aviária registrado no Estado, o que evitou a retomada das exportações para a China. Se estivéssemos exportando para os chineses, teríamos fechado o ano com um ligeiro crescimento”, destacou.
Mercado de ovos sente bloqueio, mas registra forte alta de receita
O segmento de produção e indústria de ovos também foi impactado pelo bloqueio sanitário, especialmente no comércio com a China. Em 2025, o Rio Grande do Sul exportou 6,2 mil toneladas de ovos, volume 3,91% inferior ao registrado em 2024, quando foram embarcadas 6,5 mil toneladas.
Apesar da retração em volume, o resultado financeiro foi considerado altamente positivo. A valorização da proteína no mercado internacional impulsionou a receita cambial do setor, que alcançou US$ 23,6 milhões em 2025, representando crescimento expressivo de 39,1% em relação ao ano anterior, quando o faturamento ficou em torno de US$ 17 milhões.
Perspectivas para 2026 e foco na sanidade
Para 2026, a avaliação da O/A.RS é de otimismo moderado. Mantida a condição sanitária livre de enfermidades e não ocorrendo eventos climáticos extremos de grande impacto, a expectativa é de retomada do crescimento nas exportações, com avanço estimado entre 3% e 4% nos volumes de carne de frango e entre 10% e 20% nos volumes de ovos destinados ao mercado externo.
Durante a apresentação, também foram destacados temas considerados estratégicos para o futuro da atividade, como o reforço permanente das medidas de biosseguridade nos aviários, a importância da sanidade avícola e a necessidade de atualização das normativas relacionadas à biosseguridade, além do monitoramento das criações de subsistência.
José Eduardo dos Santos ressaltou ainda que a entidade seguirá investindo em campanhas de valorização das marcas gaúchas produtoras de carne de frango e ovos, estimulando o consumo interno das proteínas produzidas no Estado. Ele também confirmou a realização de dois eventos estratégicos ao longo de 2026: o Salão Internacional de Proteína Animal (Siavs), de 4 a 8 de agosto, em São Paulo, e a 2ª Conferência Brasil Sul da Indústria e Produção de Carne de Frango (Conbrasfran), marcada para o período de 23 a 25 de novembro, em Gramado.
Importância econômica e social da avicultura no RS
O balanço apresentado reforça o peso econômico e social da avicultura gaúcha. O setor gera cerca de 35 mil empregos diretos, movimenta aproximadamente 550 mil atividades indiretas e está presente em cerca de 270 municípios do Estado. Atualmente, a Asgav reúne 57 associados, entre frigoríficos, produtores de ovos, indústrias de processamento, incubatórios, empresas de genética, recria e fornecedores do setor.
Em 2025, o Rio Grande do Sul consolidou-se como o terceiro maior produtor e exportador de carne de frango do Brasil, com produção de 1,8 milhão de toneladas e exportações de 686 mil toneladas. No segmento de ovos, o Estado ocupa a sexta posição na produção nacional, com 244 mil toneladas produzidas no ano, e manteve destaque no comércio exterior, com 6,2 mil toneladas exportadas, além de histórico recente como maior exportador do país.
Mesmo diante de um cenário adverso, os números apresentados pela O/A.RS evidenciam a resiliência da avicultura gaúcha e apontam para um processo de reconstrução e retomada sustentada, ancorada em sanidade, gestão e integração de toda a cadeia produtiva.
Fonte: Assessoria ASGAV




