Tumor neural raro mobiliza Espumoso em campanha solidária pela cirurgia da professora Ângela Maria da Silva
Na tarde desta terça-feira, 13 de janeiro, os estúdios da Rádio Planetário, em Espumoso, foram tomados por emoção, silêncio atento e uma forte corrente de solidariedade. Em entrevista conduzida pelo jornalista Fernando Kopper, a professora Ângela Maria da Silva falou abertamente sobre a luta que enfrenta há cerca de dois anos após ser diagnosticada com um tumor neural raro no plexo braquial direito, condição extremamente incomum e de alta complexidade.
Logo no início da conversa, Ângela destacou que decidiu tornar pública a sua história não como um pedido de pena, mas como um relato de superação. “Às vezes Deus coloca provas na nossa vida porque Ele sabe do tamanho da nossa força e da nossa capacidade. Isso que parecia algo inofensivo acabou se mostrando algo muito raro, muito incomum, mas que também me fez mais forte”, afirmou.

A professora relembrou que tudo começou em 2023, em um momento simples do cotidiano. “Eu estava amarrando o cabelo quando senti uma bolinha no braço. Era algo pequeno, parecia um caroço, mas quando eu tocava dava choque, formigamento. Aquilo me chamou atenção”, contou. Segundo ela, essa sensação é uma das principais características dos tumores neurais. “Eles não aparecem, crescem lentamente e, quando a gente percebe, muitas vezes já estão ali há anos.”
Ângela explicou aos ouvintes que o tumor se desenvolveu em um local extremamente delicado. “É um tumor de nervo periférico que se alojou no plexo braquial, na parte superior do braço direito. Além disso, ele está comprimindo a artéria braquial. Não é só um risco neurológico, é um risco vascular também”, relatou.
O caminho até o diagnóstico definitivo foi longo e desgastante. “Começou aqui em Espumoso. Mostrei a bolinha para médicos, fiz exames, tentaram tratar como algo simples. Quando abriram para uma biópsia, os médicos tiveram o bom senso de fechar e não mexer, porque perceberam que não era algo comum. Sou eternamente grata por isso, porque meu braço foi preservado”, disse.
A confirmação veio após uma ressonância magnética, em dezembro de 2023. “O laudo apontou como hipótese diagnóstica principal um tumor de bainha neural. E aí começa uma caminhada que ninguém imagina. É algo raro, poucas pessoas ouviram falar, e nem os médicos sabem exatamente como conduzir”, relatou.
Durante o processo, Ângela passou por atendimentos em Passo Fundo e enfrentou uma das notícias mais difíceis. “Eu ouvi que o tumor seria inoperável. Que eu teria que conviver com ele, com a dor, e que em algum momento poderia perder o braço. É muito duro ouvir isso”, desabafou. Mesmo assim, ela afirmou que decidiu não se colocar como vítima. “Eu pensei: se é isso que eu tenho, vamos enfrentar. Eu não sou uma vítima. Eu tenho uma história de superação desde a infância.”
A esperança surgiu meses depois, quando ela passou a ser acompanhada pelo neurocirurgião Dr. Moisés Augusto Araújo. “Ele foi muito sincero comigo. Disse que era um tumor raro, numa localização ainda mais rara, e que naquele momento não havia uma abordagem cirúrgica definida. Mas prometeu estudar o caso e encontrar uma forma menos agressiva de operar”, contou.
Após novos exames e análises, veio a notícia aguardada. “Em dezembro de 2024, ele me disse que havia encontrado uma abordagem. É uma cirurgia que tem apenas seis casos documentados no mundo, todos com sucesso. E eu já falei para ele: eu serei o sétimo caso de sucesso”, afirmou, com convicção.
A professora fez questão de explicar aos ouvintes a complexidade do procedimento. “Essa cirurgia só pode ser feita com eletroneuromonitorização intraoperatória. Durante a cirurgia, outro médico monitora todos os nervos com eletrodos. À medida que o cirurgião vai mexendo, o equipamento indica se pode ou não tocar naquele nervo. Sem isso, é 100% de chance de perder o braço”, alertou.
No entanto, o recurso não é coberto pelo SUS. “Foram quase dois anos lutando por essa neuromonitorização. A cirurgia estava autorizada, mas sem esse equipamento ela não poderia acontecer”, relatou. Diante do impasse, o caminho foi a Justiça. “Foi um desencontro enorme de informações. Até que consegui orientação correta e busquei ajuda jurídica. No dia 8 de janeiro de 2026, saiu a liminar determinando que o Estado garantisse a cirurgia com urgência.”
Apesar da conquista, Ângela explicou que os desafios continuam. “A cirurgia, a internação e o procedimento em si são pelo SUS. Mas o pré e o pós-operatório geram muitos custos. Vou precisar de acompanhamento, cuidados, ajuda em casa, alimentação para quem vai me acompanhar no hospital. Além disso, vou perder parte da minha renda durante a licença”, explicou.
Foi nesse contexto que nasceu a campanha solidária. “Eu nunca pedi nada para a comunidade. Mas cheguei num momento de esgotamento. Não tenho mais de onde tirar recursos. Esse Pix é de coração. Quem puder ajudar com R$ 5 já está ajudando muito. E quem não puder, que reze por mim”, disse, emocionada.
Ao final da entrevista, a professora falou sobre o que mais lhe dá forças. “O que mais me emociona é a sala de aula. Eu nasci para ser professora. Em 27 anos de profissão, eu nunca deixei de iniciar um ano letivo. Tenho certeza que vou voltar, vou contar esse testemunho e vou continuar vivendo o meu sonho.”
A entrevista encerrou-se com uma forte manifestação de apoio da Rádio Planetário e dos ouvintes. A campanha em apoio à professora Ângela Maria da Silva segue mobilizando Espumoso, unindo fé, solidariedade e esperança em torno de uma cirurgia considerada decisiva para sua qualidade de vida e continuidade na profissão que escolheu para viver.
Ângela deu início a uma campanha solidária que vem mobilizando a comunidade espumosense, intitulada “Mãos Unidas pela Cura do Tumor Neural Raro”. Para quem desejar contribuir, a professora divulgou a própria chave Pix, que também é seu número de contato pessoal, registrada em seu nome: (54) 99205-3882.
Além disso, foi criado um grupo no WhatsApp onde, diariamente, Ângela mantém a comunidade informada sobre o andamento do processo, os trâmites para a realização da cirurgia e as atualizações relacionadas ao seu tratamento.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper




