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Janeiro Branco: psicóloga Danieli Gugel destaca importância do cuidado contínuo com a saúde mental 

Janeiro Branco: psicóloga Danieli Gugel destaca importância do cuidado contínuo com a saúde mental 
12.01.2026 09h36  /  Postado por: villaadriano

Na manhã desta segunda-feira, 12 de janeiro, o programa Giro da Notícia, da Rádio Planetário, recebeu nos estúdios a psicóloga Danieli Gugel de Oliveira Dall’Agnol para uma entrevista aprofundada sobre a campanha Janeiro Branco e a necessidade de olhar com mais atenção para a saúde mental em todas as fases da vida. A conversa foi conduzida pelo comunicador Rodrigo Oliveira e abordou desde a prevenção até o acompanhamento psicológico em situações do cotidiano, rompendo tabus ainda existentes sobre o tema.

Logo no início da entrevista, foi destacado que o acompanhamento psicológico não deve ser visto apenas como um recurso para momentos de crise extrema. Danieli explicou que a psicologia atua de forma preventiva, auxiliando pessoas que desejam compreender melhor suas emoções, pensamentos e comportamentos, mesmo sem a presença de um transtorno mental diagnosticado. Segundo ela, ainda é comum a ideia equivocada de que só deve procurar um psicólogo quem “não está bem”, quando, na realidade, o cuidado com a saúde mental deveria ser contínuo, assim como ocorre com a saúde física.

Durante a conversa, a psicóloga ressaltou que a procura por atendimento psicológico tem aumentado nos últimos anos, envolvendo crianças, adolescentes, adultos e idosos. Ela destacou que escolas têm desempenhado um papel importante nesse processo, ao identificarem sinais de dificuldades emocionais ou comportamentais em alunos e encaminharem as famílias para uma avaliação profissional. Danieli também chamou atenção para uma mudança cultural significativa: atualmente, muitos adolescentes têm buscado espontaneamente o atendimento psicológico, algo menos comum em gerações anteriores, quando a decisão partia quase exclusivamente dos pais.

A campanha Janeiro Branco foi apresentada como um convite à reflexão coletiva sobre a saúde mental. Danieli explicou que o mês de janeiro foi escolhido por simbolizar recomeços, planejamento e renovação, funcionando como uma “folha em branco” para que as pessoas possam repensar suas rotinas, relações e prioridades. Ela enfatizou que saúde mental não significa apenas ausência de doenças graves, mas sim equilíbrio emocional, capacidade de lidar com frustrações, qualidade nos relacionamentos e bem-estar no dia a dia.

Outro ponto central da entrevista foi o impacto da rotina acelerada e da sobrecarga moderna sobre a saúde mental. A psicóloga alertou para o excesso de trabalho, a hiperconectividade e a dificuldade de descanso, fatores que contribuem para quadros de ansiedade, estresse crônico e depressão. Segundo ela, muitas pessoas normalizam o cansaço extremo, a irritabilidade constante e a culpa ao descansar, sem perceber que esses são sinais claros de que algo não está bem.

Danieli também abordou os sinais que o corpo e o comportamento emitem quando a saúde mental está comprometida. Alterações de humor, dificuldades para dormir, falta ou excesso de apetite, cansaço constante, ansiedade e irritabilidade foram citados como alertas importantes. Ela explicou que, quando emoções não conseguem ser elaboradas pela fala, acabam se manifestando fisicamente, por meio das chamadas doenças psicossomáticas.

A entrevista tratou ainda de temas como luto, perdas e traumas, destacando que situações como falecimento de familiares, perda de emprego, rompimentos afetivos ou fracassos profissionais podem desencadear sofrimento emocional significativo. A psicóloga reforçou que o luto é um processo natural, mas que, em alguns casos, pode se tornar patológico, exigindo acompanhamento especializado. Observar familiares e pessoas próximas que apresentam isolamento, alterações bruscas de comportamento ou sofrimento prolongado também foi apontado como uma forma importante de cuidado coletivo.

Questões relacionadas a vícios e compulsões, como alcoolismo, uso de drogas, jogos e compras excessivas, também foram discutidas. Danieli explicou que esses comportamentos muitas vezes funcionam como tentativas de aliviar dores emocionais não elaboradas e que o acompanhamento psicológico pode auxiliar tanto no reconhecimento do problema quanto no processo de mudança, sempre compreendendo que se trata de um caminho gradual, que exige tempo, disciplina e apoio.

A psicóloga destacou ainda dados preocupantes relacionados à saúde mental em nível global e nacional, citando o aumento dos transtornos mentais e sua forte relação com afastamentos do trabalho. Ansiedade e depressão figuram entre as principais causas desses afastamentos, o que reforça a urgência de ampliar o debate e investir em prevenção. Ela também lembrou a importância de campanhas como o Setembro Amarelo, voltadas à prevenção do suicídio, ressaltando que, para cada caso consumado, existem muitas tentativas que poderiam ser evitadas com identificação precoce e acolhimento adequado.

A adolescência recebeu atenção especial na entrevista. Danieli explicou que se trata de uma fase naturalmente turbulenta, marcada pela construção da identidade, busca por pertencimento e intensas mudanças emocionais. Ela alertou para sinais de risco, como isolamento excessivo, afastamento de amigos e perda de interesse por atividades antes prazerosas. A psicóloga reforçou a importância do diálogo familiar, da presença afetiva dos pais e do equilíbrio entre respeitar a individualidade dos adolescentes e manter vínculos e valores.

Ao longo da conversa, foi reforçada a ideia de que procurar ajuda psicológica é um ato de coragem e responsabilidade, e não de fraqueza. Danieli explicou que a terapia é um espaço de autoconhecimento, no qual a pessoa entra em contato não apenas com suas qualidades, mas também com suas dificuldades, assumindo responsabilidade sobre sua própria história e suas escolhas.

Ao final da entrevista, a psicóloga agradeceu o espaço e deixou uma mensagem clara aos ouvintes: incluir o cuidado com a saúde mental entre as metas do ano. Segundo ela, investir em equilíbrio emocional, qualidade de vida e relações mais saudáveis é fundamental para enfrentar os desafios do cotidiano e construir uma vida mais consciente e satisfatória.

Com informações: Jornalista Fernando Kopper

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