Entrevista resgata trajetória de Delmar Espíndola, comunicador com mais de 40 anos de rádio
Nesta quarta-feira, 7 de janeiro, o jornalista Fernando Kopper realizou uma entrevista especial com o comunicador Delmar Espíndola, um dos nomes mais reconhecidos do rádio regional, para resgatar e valorizar uma trajetória construída ao longo de mais de quatro décadas dedicadas à comunicação. O bate-papo foi motivado por um episódio simbólico e carregado de emoção: a visita de uma família aos estúdios da Rádio Planetário e da Rádio Líder, que tinha como principal objetivo conhecer pessoalmente a voz que acompanha o cotidiano de gerações de ouvintes.
O momento serviu como ponto de partida para uma reportagem que foi além da entrevista convencional, abrindo espaço para contar a história de vida de um profissional que ajudou a escrever capítulos importantes da radiodifusão regional e estadual. Delmar Espíndola é uma daquelas vozes que muitos reconhecem instantaneamente, mesmo sem nunca terem visto o comunicador pessoalmente, o que reforça a magia e o poder do rádio, especialmente para quem ainda mantém o hábito de acompanhar a programação pelas ondas sonoras.
Natural da região das Missões, Delmar contou que o interesse pela comunicação surgiu ainda na adolescência, quando morava entre Roque Gonzales e São Luiz Gonzaga. Aos 15 anos, já observava atentamente os comunicadores da época, especialmente aqueles que interagiam ao vivo com os ouvintes, atendendo telefonemas e conduzindo programas populares. Apesar de se definir como um jovem tímido e reservado, encontrou no rádio um espaço de expressão e identificação. A estreia profissional aconteceu entre 1983 e 1984, na Rádio Sociedade Serro Azul, de Cerro Largo, quando tinha entre 18 e 19 anos.
A partir dali, a carreira ganhou ritmo e projeção. Delmar passou por emissoras como a Rádio Navegância, de Porto Lucena, e a Rádio Vera Cruz, de Horizontina, sempre buscando crescimento profissional. O retorno a São Luiz Gonzaga marcou uma fase longa e significativa: foram cerca de 13 anos atuando na Rádio Central Missioneira e, posteriormente, na Rádio Missioneira Sete Povos, período em que consolidou seu nome tanto na comunicação musical quanto na narração esportiva.
Foi nesse contexto que surgiu a ligação com Espumoso, cidade onde Delmar construiu uma relação definitiva com o rádio local. Há 26 anos, ele integra as equipes da Rádio Planetário e da Rádio Líder, emissoras nas quais segue atuando até hoje. Ao longo desse tempo, também conciliou trabalhos em outras rádios, como a Rádio Soledade, ampliando ainda mais sua experiência e presença no dial gaúcho.
Durante a entrevista, Delmar relembrou propostas importantes que poderiam ter mudado o rumo da carreira, incluindo convites para atuar na Rádio Guaíba, em Porto Alegre, como narrador esportivo, e em emissoras da Serra Gaúcha, como em Caxias do Sul. Apesar do reconhecimento e das oportunidades, optou por permanecer no interior, decisão que, segundo ele, trouxe satisfação pessoal e profissional.
A narração esportiva ocupa um capítulo especial em sua história. Delmar transmitiu partidas históricas, incluindo jogos da Seleção Brasileira, confrontos do Campeonato Brasileiro e clássicos Grenais, mais de 30 ao longo da carreira. Também esteve presente em finais marcantes, como jogos do Grêmio na década de 1990, além de competições regionais de futebol de campo e futsal, envolvendo equipes como Guarani, América de Tapera e representantes de Espumoso.
Outro ponto destacado foi a transformação tecnológica vivida no rádio. Delmar acompanhou a transição dos discos de vinil para as fitas cassete, cartuchos, CDs e, mais recentemente, a integração com a internet, streaming e redes sociais. Ele relembrou com detalhes o funcionamento das antigas discotecas das emissoras, o trabalho conjunto com operadores de áudio e a emoção de atender pedidos musicais ao vivo em um tempo em que tudo dependia de organização e agilidade manual.
A entrevista também revelou o lado humano do comunicador, marcado pelo contato direto com os ouvintes. Delmar relatou episódios emocionantes, como o de uma família de Campos Borges que percorreu quilômetros para conhecê-lo pessoalmente, ou o de uma ouvinte de Canoas que entrou em contato décadas depois para reencontrar uma lembrança registrada em uma entrevista feita por ele nos anos 1990. Histórias que, segundo Delmar, reforçam o impacto duradouro do rádio na vida das pessoas.
Ao falar da rotina fora do estúdio, o comunicador destacou a importância da família e confessou que, mesmo nos momentos de lazer, o rádio segue presente, seja como companhia ou fonte de aprendizado. Para ele, a comunicação é uma profissão que exige entrega constante, adaptação de linguagem conforme o público e, acima de tudo, amor pelo que se faz.
Encerrando a entrevista, Delmar deixou uma mensagem aos jovens e a todos que sonham em ingressar no rádio: é preciso vocação, persistência e paixão. Segundo ele, o rádio não é apenas um trabalho, mas uma escolha de vida, que recompensa quem realmente se dedica e acredita no poder da comunicação.
A reportagem especial marcou não apenas uma homenagem a um profissional com 42 anos de carreira, mas também uma celebração da história do rádio e de sua capacidade única de criar vínculos, atravessar gerações e transformar vozes em referências afetivas para milhares de ouvintes.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper




