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Setor de Endemias de Espumoso intensifica vigilância contra a dengue e alerta para descuido da população

Setor de Endemias de Espumoso intensifica vigilância contra a dengue e alerta para descuido da população
06.01.2026 10h23  /  Postado por: villaadriano

Na manhã desta terça-feira, 6 de janeiro, o programa Giro da Notícia, da Rádio Planetário, abriu espaço para um tema que volta a ganhar força neste início de verão: o combate às endemias, com foco principal na dengue. O jornalista Fernando Kopper e o repórter e âncora Rodrigo Oliveira receberam nos estúdios da emissora a enfermeira Letícia Ravasio, coordenadora da Vigilância em Saúde do município de Espumoso, responsável direta pelo acompanhamento do setor de endemias e pelas ações de prevenção e monitoramento do Aedes aegypti.

Durante a entrevista, Letícia destacou que, apesar de Espumoso não registrar casos confirmados ou suspeitos de dengue até o momento, o cenário exige atenção máxima. O verão mais intenso, com calor persistente e períodos frequentes de chuva, cria condições ideais para a proliferação do mosquito transmissor da doença. Segundo ela, o momento é considerado estratégico para a prevenção, já que historicamente os meses de fevereiro e março concentram o maior número de ocorrências.

A coordenadora explicou que os agentes de endemias atuam diariamente em visitas domiciliares, empresas e chamados “prédios especiais”, que incluem órgãos públicos e estabelecimentos com maior risco de acúmulo de água. O trabalho consiste em orientação direta à população, eliminação de focos visíveis e, quando necessário, aplicação de notificações formais. Em casos reincidentes, após duas ou três notificações, o município pode aplicar multas por meio da fiscalização, como forma de coibir o descuido contínuo.

Letícia chamou atenção para situações recorrentes observadas nos bairros de Espumoso, como o descarte inadequado de pneus, entulhos deixados em frente às residências por vários dias, recipientes abandonados nos pátios e até pequenos objetos, como copos e tampinhas, capazes de acumular água. Segundo ela, muitas vezes o problema não é a falta de informação, mas a negligência. “É incansável. Os agentes orientam, voltam ao local, e muitas vezes encontram a mesma situação semanas depois”, relatou.

Outro ponto abordado foi o Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), realizado periodicamente no município. A enfermeira explicou que o procedimento envolve o sorteio de bairros, com visitas sistemáticas aos imóveis para identificar larvas e possíveis focos do mosquito. O material coletado é encaminhado para análise, que confirma se as larvas pertencem ao Aedes aegypti ou a outros insetos. Os dados mais recentes indicam aumento preocupante: em uma das últimas avaliações, apenas seis dos 49 pontos monitorados apresentavam ovos do mosquito; na verificação seguinte, esse número dobrou.

Além do LIRAa, Espumoso também utiliza o sistema de ovitrampas, considerado um método avançado de vigilância. O município foi um dos pioneiros na região a adotar o programa, que hoje conta com 49 pontos distribuídos pela cidade. As ovitrampas consistem em pequenos recipientes instalados em locais estratégicos, onde o mosquito deposita seus ovos. O material é recolhido periodicamente e analisado em microscópio, permitindo identificar precocemente a presença do vetor antes mesmo do surgimento de casos da doença.

Letícia ressaltou que o aumento dos focos está diretamente ligado às condições climáticas, mas também ao comportamento da população. Segundo ela, o mosquito se espalha rapidamente a partir de áreas já contaminadas, ampliando o risco para bairros inteiros. Embora o Aedes aegypti encontrado em Espumoso, até agora, não esteja necessariamente contaminado com o vírus da dengue, o perigo aumenta com o fluxo de pessoas que viajam para municípios endêmicos e retornam ao município já infectadas.

A entrevista também abordou a importância das denúncias. A coordenadora explicou que qualquer cidadão pode registrar um protocolo junto à Prefeitura ou à Secretaria de Saúde para denunciar locais com água parada, e que essas denúncias podem ser feitas de forma anônima. Além disso, destacou o papel da conscientização comunitária, incentivando o diálogo entre vizinhos como forma de prevenção coletiva.

Em tom firme, Letícia fez um alerta sobre a responsabilidade individual. Para ela, o combate à dengue não se resume a direitos, mas envolve deveres básicos do cidadão, como cuidar do próprio pátio, manter terrenos limpos e evitar situações que coloquem toda a comunidade em risco. Ela lembrou que a dengue e outras doenças transmitidas por mosquitos, como chikungunya, provocam dores intensas e sofrimento prolongado, e que não existe tratamento específico capaz de eliminar rapidamente os sintomas.

A coordenadora ainda citou exemplos de municípios próximos, como Carazinho, que enfrentaram surtos graves recentemente, reforçando que Espumoso não está isolado desse risco. “O melhor remédio contra a dengue é a prevenção”, afirmou, ao reforçar que pequenas atitudes diárias podem evitar uma crise de saúde pública.

Ao final da entrevista, os comunicadores da Rádio Planetário reforçaram o apelo à população para que faça sua parte, mantenha os ambientes limpos e denuncie situações de risco quando necessário. A Vigilância em Saúde segue à disposição para orientações e esclarecimentos, destacando que o enfrentamento às endemias depende do esforço conjunto entre poder público e comunidade.

Com informações: Jornalista Fernando Kopper

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