Associação de Equoterapia Matheus Camargo Ludwig mantém há 21 anos trabalho terapêutico referência em Espumoso
A equoterapia, método terapêutico que utiliza o cavalo como agente facilitador no desenvolvimento físico, emocional e cognitivo, ainda é pouco difundida em muitos municípios, mas tem eficácia amplamente reconhecida por profissionais da saúde e familiares de praticantes. Em Espumoso, esse trabalho ganha forma, continuidade e relevância social por meio da Associação de Equoterapia Matheus Camargo Ludwig, instalada junto ao Parque de Exposições Armídio Bertani e consolidada como referência regional após mais de duas décadas de atuação ininterrupta.
Idealizada a partir da história de vida de Matheus Camargo Ludwig, o projeto nasceu do amor, da resiliência e da dedicação de sua mãe, Maria Inês Camargo Ludwig. O legado do filho, que não chegou a conhecer o espaço atual da associação, segue vivo diariamente em cada atividade realizada, em cada praticante atendido e em cada avanço conquistado ao longo do tratamento assistido pelos cavalos terapeutas.
Para aprofundar o conhecimento sobre esse trabalho de grande impacto social, o jornalista Fernando Kopper esteve no local e conversou com Maria Inês, responsável pela associação, que fez um amplo balanço das atividades desenvolvidas em 2025, relembrou a trajetória de 21 anos da entidade e projetou expectativas para o próximo período.
Durante a entrevista, Maria Inês destacou que a equoterapia desenvolvida em Espumoso vai muito além de um simples passeio a cavalo. O método envolve uma equipe multiprofissional formada por fisioterapeuta, fonoaudióloga, pedagogas, além dos guias que conduzem os animais e do cuidador responsável pelos cavalos. Todos atuam de forma coordenada para promover estímulos motores, neurológicos, cognitivos e emocionais, sempre com o cavalo em movimento, explorando seu deslocamento tridimensional, capaz de ativar músculos, equilíbrio, coordenação e até a musculatura da face, influenciando inclusive no desenvolvimento da fala.
Segundo Maria Inês, atualmente a associação atende 33 praticantes, termo utilizado propositalmente, já que ninguém participa de forma passiva. Cada pessoa pratica a equoterapia ativamente, interagindo com o animal, com os profissionais e com o ambiente. Ao longo dos 21 anos de funcionamento, mais de 500 pessoas já passaram pelo projeto, muitas delas apresentando avanços significativos em autonomia, comunicação, postura e interação social.
A rotina de atendimentos ocorre normalmente em dois turnos semanais, com adaptações durante o período de férias, quando os horários são concentrados pela manhã, aproveitando as temperaturas mais amenas e a redução na presença de alguns praticantes que viajam nesse período. Em dias de maior movimento, chegam a ser realizados entre 17 e 18 atendimentos, sempre em trios, já que a associação conta atualmente com três cavalos terapeutas.
A escolha e o preparo desses animais, conforme explicou Maria Inês, é um dos pontos mais delicados do trabalho. Cavalos muito jovens ou muito velhos não são indicados, sendo priorizados animais de meia-idade, com temperamento dócil e previsível. O cuidado constante, o manejo adequado e o vínculo construído ao longo do tempo fazem toda a diferença. Um exemplo marcante é o cavalo Dourado, primeiro animal da associação, que passou por uma cirurgia de alto custo para tratar uma cólica e hoje, já próximo dos 30 anos, segue vivo e bem cuidado por uma família ligada ao projeto, após ter auxiliado centenas de pessoas ao longo de sua trajetória.
Manter a estrutura da associação, os animais e a equipe exige recursos financeiros contínuos. Maria Inês ressaltou que, embora conte com doações pontuais, muitas vezes foi necessário investir recursos próprios para garantir a continuidade das atividades. Todos os profissionais são remunerados, ainda que os valores estejam abaixo do ideal, justamente para assegurar regularidade e qualidade no atendimento. A entidade também aceita doações via Pix, utilizando o CNPJ como chave, além de contribuições com ração, materiais ou apoio direto nas atividades.
Para ingressar na equoterapia, é solicitado laudo médico, uma vez que o método integra um plano terapêutico estruturado e a demanda é alta, exigindo prioridade para casos que realmente necessitam do atendimento. Ainda assim, a associação procura acolher a comunidade, permitindo visitas e atividades pontuais quando há disponibilidade.
Ao final da entrevista, Maria Inês deixou uma mensagem de reflexão, convidando a comunidade a valorizar a vida, reconhecer as próprias conquistas diárias e olhar com mais sensibilidade para quem precisa de apoio. Segundo ela, ajudar é sempre mais valioso do que precisar pedir ajuda, e conhecer de perto o trabalho da equoterapia em Espumoso é uma forma concreta de compreender o impacto positivo que essa iniciativa gera na vida de tantas pessoas.
A Associação de Equoterapia Matheus Camargo Ludwig segue, assim, como um exemplo de perseverança, cuidado humano e compromisso social, reafirmando Espumoso como referência regional em um método terapêutico que transforma vidas por meio da conexão entre pessoas, cavalos e natureza.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper




