Secretário do Plano Rio Grande detalha obras viárias e situação da ponte da VRS-817 em entrevista à Rádio Planetário
Na manhã desta segunda-feira, 29/12, o programa Giro da Notícia, da Rádio Planetário, recebeu o secretário executivo do Plano Rio Grande, Clair Tomé Kuhn, para uma entrevista conduzida pelo jornalista Fernando Kopper e pelo comunicador Rodrigo Oliveira. Ao longo da conversa, o secretário abordou uma série de demandas estruturais da região do Alto Jacuí e do entorno, com destaque para obras rodoviárias, recuperação de estradas e a situação crítica da ponte sobre o Rio Butiá, na VRS-817, que liga os municípios de Espumoso e Alto Alegre.
Natural de Alto Alegre, à época distrito de Espumoso, Clair Kuhn construiu uma trajetória política marcada pela atuação municipal e estadual. Formado em Educação Física e com MBA em Gestão Pública, foi eleito vereador aos 22 anos, reelegendo-se por três mandatos, além de presidir a Câmara de Vereadores e atuar como secretário de Administração. Posteriormente, foi vice-prefeito e prefeito reeleito de Quinze de Novembro, período em que também presidiu a Associação dos Municípios do Alto Jacuí (Amaja) e ocupou a vice-presidência da Famurs. Entre 2015 e 2018, esteve à frente da Emater/RS e, de 2019 a 2020, atuou no Ministério da Cidadania. Em 2021, assumiu como deputado estadual e, em junho de 2024, tornou-se secretário de Agricultura do Rio Grande do Sul. Atualmente, ocupa o cargo de secretário executivo do Plano Rio Grande, responsável por coordenar ações de reconstrução após os eventos climáticos extremos de 2024.
Durante a entrevista, um dos principais temas foi a duplicação da ponte sobre o Rio Butiá, na VRS-817. Kuhn explicou que a estrutura atual apresenta sérios problemas de segurança, agravados pelas enchentes do último ano, com cabeceiras inundadas e guarda-corpos comprometidos. Segundo ele, a obra já possui projeto concluído, custeado pelo município de Alto Alegre e entregue ao Estado, estratégia adotada para acelerar o processo de viabilização. Inicialmente prevista para receber recursos do caixa único estadual, a obra acabou sendo redirecionada ao Fundo do Plano Rio Grande devido à necessidade de priorização de ações emergenciais após as enchentes de 2024.
O secretário detalhou que o projeto passou por validação política e técnica, com aval do Daer, e já foi aprovado no âmbito do fundo. Atualmente, encontra-se na fase final de tramitação administrativa, devendo avançar nos próximos meses. Kuhn reforçou que, apesar da ausência de um prazo fechado, há compromisso do governo estadual em executar a obra, considerada estratégica para o escoamento da produção agrícola e para a mobilidade regional.
Além da VRS-817, a entrevista abordou os impactos das cheias do Rio Jacuí em Espumoso, os problemas recorrentes do Rio Pulador, em Ibirubá, e a situação da Ponte do Aterro, trecho que liga Quinze de Novembro à localidade de Santa Clara do Ingaí, às margens da barragem do Passo Real. Kuhn reconheceu as dificuldades enfrentadas pelas comunidades e afirmou que essas demandas estão sendo tratadas dentro do escopo de reconstrução e mitigação de danos climáticos.
Outro ponto relevante foi a situação da ERS-506, que liga Ibirubá à localidade de Alfredo Brenner e, posteriormente, a Santa Bárbara do Sul. O secretário lembrou que a obra era um antigo sonho da comunidade local e confirmou que o trecho até Alfredo Brenner está concluído, com mais três quilômetros já executados em direção a Santo Antônio. A retomada das obras no segmento restante, até Santa Bárbara do Sul, está prevista após novos processos licitatórios, com expectativa de avanço entre fevereiro e março de 2026.
Também entrou em pauta o entroncamento da ERS-223 com a RSC-377, entre Ibirubá e Cruz Alta, considerado um dos pontos mais críticos da malha viária regional. Kuhn destacou que diversas rodovias da região necessitam não apenas de operações tapa-buracos, mas de restauração completa, devido ao desgaste estrutural agravado pelas chuvas intensas. Entre os trechos citados estão as ligações entre Espumoso e Soledade, Quinze de Novembro e Fortaleza dos Valos, Colorado e Selbach, além de rodovias sob responsabilidade das regionais do Daer.
Ao falar sobre os critérios técnicos para intervenções, o secretário explicou que o Daer realiza avaliações periódicas da condição das rodovias, levando em conta a durabilidade prevista, o volume de tráfego e os impactos climáticos. A partir desses laudos, define-se se a solução será emergencial ou estrutural. Kuhn ressaltou ainda que mantém contato direto com a população e com a imprensa, recebendo registros fotográficos e vídeos que auxiliam na identificação dos pontos mais críticos.
Por fim, Clair Kuhn comentou sobre o alcance do Plano Rio Grande, que dispõe de cerca de R$ 14,5 bilhões para ações de reconstrução. Segundo ele, além das grandes enchentes, eventos climáticos recentes, como tornados registrados na Serra Gaúcha, também podem ser contemplados pelo fundo, desde que atendam aos critérios técnicos e legais. O secretário reafirmou que a prioridade do governo é garantir segurança, infraestrutura e condições adequadas de desenvolvimento para as regiões mais afetadas, especialmente aquelas com forte base agrícola, como o Alto Jacuí.
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