Engenheira agrônoma Giovana Natalin Simon relata trajetória profissional em entrevista ao programa Rumo ao Campo
Na manhã deste sábado, 27 de dezembro, o programa Rumo ao Campo, veiculado pela Rádio Planetário, abriu espaço para uma reportagem especial dedicada à profissão de engenheira agrônoma, a partir da experiência de uma jovem profissional da região. O jornalista Fernando Kopper recebeu nos estúdios a engenheira agrônoma Giovana Natalin Simon, atualmente atuando junto à Cooperativa Cotriel, em Espumoso, para uma entrevista extensa e aprofundada sobre escolha de carreira, formação acadêmica, mercado de trabalho e os desafios enfrentados pela agronomia nos últimos anos.
Logo no início da conversa, Giovana destacou que sua trajetória profissional está diretamente ligada à vivência no meio rural. Filha de produtores rurais e moradora do interior, ela contou que desde cedo teve contato com a rotina do campo, acompanhando o trabalho dos pais e da família na atividade agrícola. Embora não tenha crescido com a certeza absoluta de que seguiria a agronomia, sempre teve afinidade com plantas e com o ambiente produtivo rural, o que aos poucos foi consolidando a decisão de ingressar no curso de Engenharia Agronômica.
Durante a entrevista, a agrônoma relembrou o período de graduação, iniciado na Universidade de Cruz Alta (Unicruz), onde estudou por cerca de um ano e meio. O deslocamento diário de aproximadamente 89 quilômetros entre Espumoso e Cruz Alta foi apontado como um dos primeiros grandes desafios da formação. As viagens noturnas, após um dia inteiro de atividades, exigiram disciplina, resiliência e força de vontade para manter o foco nos estudos. Posteriormente, Giovana conseguiu transferência para o Instituto Federal de Ibirubá, onde concluiu a graduação, em um modelo de ensino integral que também demandou dedicação intensa, mas facilitou a logística e ampliou a convivência acadêmica.
Ao comparar as duas instituições, Giovana destacou diferenças importantes na metodologia e no perfil dos docentes. Segundo ela, no Instituto Federal encontrou professores mais jovens, com forte conexão com pesquisas recentes e exigência elevada, o que contribuiu para uma formação mais alinhada com as demandas atuais do mercado. Ainda assim, ressaltou que toda a base construída ao longo da graduação foi fundamental para a atuação profissional, reforçando que a agronomia é uma área dinâmica, que exige atualização constante e aprendizado contínuo mesmo após a conclusão do curso.
Entre as disciplinas que mais despertaram seu interesse durante a formação, Giovana citou aquelas ligadas à produção de cultivos, com ênfase em fitossanidade, controle de pragas, doenças e plantas daninhas, além da área de sementes. Essa afinidade acabou se refletindo diretamente na carreira, já que atualmente ela atua no setor de produção e comercialização de sementes dentro da Cotriel. A engenheira explicou que o conhecimento adquirido na graduação e na pós-graduação se aplica diariamente à rotina profissional, reforçando que a formação acadêmica é apenas o início de um processo permanente de capacitação.
A transição da sala de aula para o mercado de trabalho foi outro ponto abordado com profundidade. Giovana destacou a importância dos estágios obrigatórios e não obrigatórios, especialmente aquele realizado na Cotriel, que acabou se tornando a porta de entrada para sua carreira profissional. Segundo ela, o estágio permite vivenciar a realidade do campo, lidar com produtores, compreender limitações financeiras, desafios climáticos e a necessidade de adaptação entre teoria e prática. Foi nesse período que ela passou a entender a responsabilidade técnica do agrônomo, cujas decisões podem impactar diretamente a rentabilidade e a sustentabilidade das propriedades rurais.
Ao falar dos primeiros três anos de atuação profissional, Giovana classificou o período como extremamente desafiador. Ela lembrou que o setor agrícola enfrentou estiagens severas, excesso de chuvas em determinados momentos e um cenário econômico difícil para os produtores. Nesse contexto, o papel do agrônomo vai além da recomendação técnica, exigindo sensibilidade, diálogo e capacidade de compreender a realidade de quem está no campo. A engenheira ressaltou que o profissional precisa ser assertivo, pois uma orientação equivocada pode gerar prejuízos significativos ao produtor.
A entrevista também abordou a amplitude da atuação do engenheiro agrônomo, desconstruindo a visão limitada de que a profissão se restringe apenas à lavoura. Giovana explicou que o agrônomo pode atuar em assistência técnica, cooperativas, pesquisa, melhoramento genético, desenvolvimento de produtos, perícia agrícola, gestão de propriedades, área animal, vendas e até em órgãos de fiscalização. Segundo ela, trata-se de uma profissão estratégica para o país, já que o Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo e depende diretamente da qualificação desses profissionais.
Outro tema de destaque foi a fiscalização e a legislação que envolve o setor agrícola. Giovana explicou que tanto produtores quanto empresas estão sujeitos a constantes fiscalizações do Ministério da Agricultura, o que torna indispensável o acompanhamento técnico adequado. Ela citou exemplos como o descarte correto de embalagens de defensivos, o uso de produtos registrados para cada cultura e o cumprimento rigoroso das normas técnicas, reforçando que a sustentabilidade passa pelo uso correto e responsável dos insumos, e não simplesmente pela eliminação deles.
A presença feminina na agronomia também ganhou espaço na conversa. Giovana afirmou que o número de mulheres na profissão cresceu significativamente nos últimos anos e que hoje é comum encontrar turmas equilibradas entre homens e mulheres nas universidades. Segundo ela, apesar de ainda existir preconceito em alguns contextos, sua experiência pessoal tem sido positiva, com boa receptividade por parte de colegas e produtores. A evolução tecnológica, com máquinas mais modernas e processos mais automatizados, também contribuiu para ampliar o espaço das mulheres no setor.
Ao detalhar sua rotina atual na Cotriel, Giovana explicou que atua diretamente na produção de sementes, com responsabilidade sobre compra, documentação, inscrição de campos, vistorias e acompanhamento de todo o processo até a comercialização. Ela destacou a importância dos testes laboratoriais de germinação e vigor, realizados antes que qualquer lote seja internalizado e disponibilizado aos associados, reforçando o caráter científico e a responsabilidade técnica da profissão.
Na parte final da entrevista, a engenheira agrônoma deixou uma mensagem aos jovens que pensam em seguir carreira na agronomia. Segundo ela, trata-se de uma profissão essencial, ligada diretamente à produção de alimentos, com amplo mercado de trabalho e necessidade constante de profissionais qualificados. Giovana aconselhou que os estudantes aproveitem todas as oportunidades durante a graduação, participem de projetos, estágios e capacitações, e compreendam que o crescimento profissional é resultado de uma trajetória construída com dedicação e estudo.
Encerrando a reportagem especial, Giovana agradeceu o convite da Rádio Planetário e do programa Rumo ao Campo, desejando uma safra positiva em 2026 para os produtores da região e reforçando que o esforço, tanto no campo quanto nos estudos, sempre resulta em bons frutos. A entrevista completa está disponível nas plataformas digitais da emissora, incluindo YouTube, Instagram e site oficial da Rádio Planetário.




