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Engenheira agrônoma Giovana Natalin Simon relata trajetória profissional em entrevista ao programa Rumo ao Campo

Engenheira agrônoma Giovana Natalin Simon relata trajetória profissional em entrevista ao programa Rumo ao Campo
27.12.2025 10h53  /  Postado por: villaadriano

Na manhã deste sábado, 27 de dezembro, o programa Rumo ao Campo, veiculado pela Rádio Planetário, abriu espaço para uma reportagem especial dedicada à profissão de engenheira agrônoma, a partir da experiência de uma jovem profissional da região. O jornalista Fernando Kopper recebeu nos estúdios a engenheira agrônoma Giovana Natalin Simon, atualmente atuando junto à Cooperativa Cotriel, em Espumoso, para uma entrevista extensa e aprofundada sobre escolha de carreira, formação acadêmica, mercado de trabalho e os desafios enfrentados pela agronomia nos últimos anos.

Logo no início da conversa, Giovana destacou que sua trajetória profissional está diretamente ligada à vivência no meio rural. Filha de produtores rurais e moradora do interior, ela contou que desde cedo teve contato com a rotina do campo, acompanhando o trabalho dos pais e da família na atividade agrícola. Embora não tenha crescido com a certeza absoluta de que seguiria a agronomia, sempre teve afinidade com plantas e com o ambiente produtivo rural, o que aos poucos foi consolidando a decisão de ingressar no curso de Engenharia Agronômica.

Durante a entrevista, a agrônoma relembrou o período de graduação, iniciado na Universidade de Cruz Alta (Unicruz), onde estudou por cerca de um ano e meio. O deslocamento diário de aproximadamente 89 quilômetros entre Espumoso e Cruz Alta foi apontado como um dos primeiros grandes desafios da formação. As viagens noturnas, após um dia inteiro de atividades, exigiram disciplina, resiliência e força de vontade para manter o foco nos estudos. Posteriormente, Giovana conseguiu transferência para o Instituto Federal de Ibirubá, onde concluiu a graduação, em um modelo de ensino integral que também demandou dedicação intensa, mas facilitou a logística e ampliou a convivência acadêmica.

Ao comparar as duas instituições, Giovana destacou diferenças importantes na metodologia e no perfil dos docentes. Segundo ela, no Instituto Federal encontrou professores mais jovens, com forte conexão com pesquisas recentes e exigência elevada, o que contribuiu para uma formação mais alinhada com as demandas atuais do mercado. Ainda assim, ressaltou que toda a base construída ao longo da graduação foi fundamental para a atuação profissional, reforçando que a agronomia é uma área dinâmica, que exige atualização constante e aprendizado contínuo mesmo após a conclusão do curso.

Entre as disciplinas que mais despertaram seu interesse durante a formação, Giovana citou aquelas ligadas à produção de cultivos, com ênfase em fitossanidade, controle de pragas, doenças e plantas daninhas, além da área de sementes. Essa afinidade acabou se refletindo diretamente na carreira, já que atualmente ela atua no setor de produção e comercialização de sementes dentro da Cotriel. A engenheira explicou que o conhecimento adquirido na graduação e na pós-graduação se aplica diariamente à rotina profissional, reforçando que a formação acadêmica é apenas o início de um processo permanente de capacitação.

A transição da sala de aula para o mercado de trabalho foi outro ponto abordado com profundidade. Giovana destacou a importância dos estágios obrigatórios e não obrigatórios, especialmente aquele realizado na Cotriel, que acabou se tornando a porta de entrada para sua carreira profissional. Segundo ela, o estágio permite vivenciar a realidade do campo, lidar com produtores, compreender limitações financeiras, desafios climáticos e a necessidade de adaptação entre teoria e prática. Foi nesse período que ela passou a entender a responsabilidade técnica do agrônomo, cujas decisões podem impactar diretamente a rentabilidade e a sustentabilidade das propriedades rurais.

Ao falar dos primeiros três anos de atuação profissional, Giovana classificou o período como extremamente desafiador. Ela lembrou que o setor agrícola enfrentou estiagens severas, excesso de chuvas em determinados momentos e um cenário econômico difícil para os produtores. Nesse contexto, o papel do agrônomo vai além da recomendação técnica, exigindo sensibilidade, diálogo e capacidade de compreender a realidade de quem está no campo. A engenheira ressaltou que o profissional precisa ser assertivo, pois uma orientação equivocada pode gerar prejuízos significativos ao produtor.

A entrevista também abordou a amplitude da atuação do engenheiro agrônomo, desconstruindo a visão limitada de que a profissão se restringe apenas à lavoura. Giovana explicou que o agrônomo pode atuar em assistência técnica, cooperativas, pesquisa, melhoramento genético, desenvolvimento de produtos, perícia agrícola, gestão de propriedades, área animal, vendas e até em órgãos de fiscalização. Segundo ela, trata-se de uma profissão estratégica para o país, já que o Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo e depende diretamente da qualificação desses profissionais.

Outro tema de destaque foi a fiscalização e a legislação que envolve o setor agrícola. Giovana explicou que tanto produtores quanto empresas estão sujeitos a constantes fiscalizações do Ministério da Agricultura, o que torna indispensável o acompanhamento técnico adequado. Ela citou exemplos como o descarte correto de embalagens de defensivos, o uso de produtos registrados para cada cultura e o cumprimento rigoroso das normas técnicas, reforçando que a sustentabilidade passa pelo uso correto e responsável dos insumos, e não simplesmente pela eliminação deles.

A presença feminina na agronomia também ganhou espaço na conversa. Giovana afirmou que o número de mulheres na profissão cresceu significativamente nos últimos anos e que hoje é comum encontrar turmas equilibradas entre homens e mulheres nas universidades. Segundo ela, apesar de ainda existir preconceito em alguns contextos, sua experiência pessoal tem sido positiva, com boa receptividade por parte de colegas e produtores. A evolução tecnológica, com máquinas mais modernas e processos mais automatizados, também contribuiu para ampliar o espaço das mulheres no setor.

Ao detalhar sua rotina atual na Cotriel, Giovana explicou que atua diretamente na produção de sementes, com responsabilidade sobre compra, documentação, inscrição de campos, vistorias e acompanhamento de todo o processo até a comercialização. Ela destacou a importância dos testes laboratoriais de germinação e vigor, realizados antes que qualquer lote seja internalizado e disponibilizado aos associados, reforçando o caráter científico e a responsabilidade técnica da profissão.

Na parte final da entrevista, a engenheira agrônoma deixou uma mensagem aos jovens que pensam em seguir carreira na agronomia. Segundo ela, trata-se de uma profissão essencial, ligada diretamente à produção de alimentos, com amplo mercado de trabalho e necessidade constante de profissionais qualificados. Giovana aconselhou que os estudantes aproveitem todas as oportunidades durante a graduação, participem de projetos, estágios e capacitações, e compreendam que o crescimento profissional é resultado de uma trajetória construída com dedicação e estudo.

Encerrando a reportagem especial, Giovana agradeceu o convite da Rádio Planetário e do programa Rumo ao Campo, desejando uma safra positiva em 2026 para os produtores da região e reforçando que o esforço, tanto no campo quanto nos estudos, sempre resulta em bons frutos. A entrevista completa está disponível nas plataformas digitais da emissora, incluindo YouTube, Instagram e site oficial da Rádio Planetário.

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