Padre Marcos Denardi explica a origem do Natal e critica a banalização da data em entrevista especial de Natal
Na manhã desta quinta-feira, 25 de dezembro, feriado de Natal, o programa Giro da Notícia promoveu uma entrevista especial com o padre Marcos Rogério Denardi, pároco da Paróquia São Jorge, de Espumoso. A conversa foi conduzida ao vivo pelos comunicadores Rodrigo Oliveira e Fernando Kopper, diretamente dos estúdios da rádio, em um diálogo aprofundado sobre o verdadeiro significado do Natal, a origem histórica da data e a visão da Igreja Católica diante das comemorações contemporâneas marcadas pelo consumo excessivo.
Logo no início da entrevista, o padre Marcos destacou a importância da comunicação regional e o alcance da emissora, que transmite missas e programas religiosos para Espumoso e municípios vizinhos. Segundo ele, falar sobre o Natal em um espaço de grande audiência é essencial para resgatar o sentido cristão da celebração. O sacerdote lembrou que o tema trabalhado ao longo do Advento na paróquia foi “Eu vos anuncio uma grande alegria: nasceu o Salvador, Cristo Senhor”, reforçando que o Natal é, para os cristãos, a manifestação concreta do amor de Deus pela humanidade por meio da encarnação.
Ao abordar a origem histórica da data, padre Marcos explicou que não há comprovação documental de que Jesus Cristo tenha nascido exatamente no dia 25 de dezembro. Conforme relatou, a Igreja definiu essa data posteriormente, levando em consideração registros históricos, acontecimentos narrados nos Evangelhos e também fatores culturais. Ele destacou que, a partir de elementos como o início do ministério público de Jesus e referências históricas da época, os estudiosos situam o nascimento de Cristo entre os anos 6 e 4 antes da era cristã. O sacerdote citou ainda Hipólito de Roma, teólogo do século III, como um dos primeiros a afirmar explicitamente o 25 de dezembro como data do nascimento de Jesus.
Durante a entrevista, o padre também contextualizou o nascimento do cristianismo, esclarecendo que Jesus é o marco central da fé cristã e da própria Igreja. Segundo ele, Cristo veio anunciar o Reino de Deus, e a Igreja surge como consequência desse anúncio, sustentada pela tradição apostólica iniciada com Pedro e mantida ao longo dos séculos. O pároco enfatizou que a Igreja não anuncia a si mesma, mas anuncia o mistério da encarnação, da salvação e do amor de Deus revelado em Jesus Cristo.
Um dos pontos centrais da conversa foi a crítica à banalização do Natal na sociedade atual. Questionado sobre o consumismo e a perda do significado religioso da data, padre Marcos afirmou que há um “desfoco” crescente, no qual símbolos comerciais acabam substituindo os símbolos cristãos. Ele explicou que o cristianismo dialoga com as culturas, mas alertou que isso não pode resultar no esvaziamento do sentido espiritual da celebração. Para o sacerdote, quando o Natal se resume apenas a presentes, festas e excessos, perde-se a essência do acontecimento que dividiu a história da humanidade.
O padre também comentou sobre a origem de símbolos populares associados ao Natal, como o pinheiro e o Papai Noel, destacando que muitos deles têm raízes em culturas não cristãs e foram ressignificados ao longo do tempo. Ao falar sobre a figura de São Nicolau, explicou que sua história foi distorcida pelo apelo comercial, afastando-se do exemplo de solidariedade e caridade que marcou sua trajetória original. Segundo ele, a apropriação desses símbolos pelo mercado contribuiu para transformar o Natal em um evento essencialmente materialista.
Outro aspecto abordado foi a vivência prática da fé. Padre Marcos ressaltou que celebrar o Natal não se limita à reflexão individual ou a práticas isoladas, mas envolve participação na comunidade, nos sacramentos e na vivência concreta da caridade. Ele comparou a fé a um “café” que não basta ser contemplado, mas precisa ser tomado, destacando a importância da Eucaristia, da oração e do compromisso cristão no dia a dia.
Ao final da entrevista, o pároco deixou uma mensagem especial aos ouvintes, convidando cada pessoa a fazer um encontro pessoal com o Emanuel, Deus conosco. Ele incentivou aqueles que se sentem distantes da fé a buscarem esse reencontro, seja em uma celebração, seja em um momento de silêncio e oração nas igrejas abertas à comunidade. Para o padre Marcos, perder o “sinal de Deus” na vida é como ficar sem conexão, afastando-se do verdadeiro sentido da existência.
A entrevista, marcada por reflexões teológicas, históricas e pastorais, encerrou-se com votos de um Natal abençoado para todas as famílias de Espumoso e da região, reforçando o convite à vivência autêntica do Natal como tempo de fé, esperança, reconciliação e renovação espiritual.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper




