A verdadeira origem do Natal e a imagem do Papai Noel: além do mito da Coca-Cola
O Natal, celebrado em 25 de dezembro, tem suas raízes na tradição cristã que comemora o nascimento de Jesus Cristo, mas a maneira como essa data é vivida hoje no mundo moderno é resultado de um longo processo cultural. Entre os diversos elementos populares dessa celebração, um dos mais discutidos é a imagem do Papai Noel de roupa vermelha, e especialmente a ideia de que essa figura seria uma invenção da publicidade da The Coca-Cola Company.
A crença de que a Coca-Cola teria sido responsável por “criar” o Papai Noel vermelho é um dos mitos mais difundidos em torno da lenda do bom velhinho. No entanto, a própria empresa já reconheceu em sua página oficial de perguntas frequentes que não foi a responsável por fazer o Papai Noel usar vermelho. O que ocorreu foi que, a partir de 1931, ilustrações produzidas para campanhas publicitárias ajudaram a popularizar mundialmente uma representação festiva do personagem, alinhada às cores da marca.
Pesquisas históricas mostram que representações de São Nicolau, figura que inspirou o Papai Noel moderno, já o retratavam com trajes vermelhos muito antes das campanhas da Coca-Cola. No século XIX, o cartunista americano Thomas Nast publicou em periódicos como Harper’s Weekly ilustrações que mostravam a figura precursora do bom velhinho em roupas dessa cor, demonstrando que a associação entre o personagem e o vermelho já existia no imaginário popular décadas antes.
Antes de sua consolidação, o personagem natalino aparecia em representações variadas: em diferentes lugares e épocas, era apresentado com trajes verdes, azuis ou marrons, acompanhando tradições locais e interpretações artísticas diversas. A evolução visual do Papai Noel foi, portanto, um processo histórico complexo e coletivo, influenciado por tradições culturais europeias, literatura, imprensa ilustrada e, posteriormente, pela publicidade moderna.
A contribuição das campanhas da Coca-Cola foi decisiva para fixar no imaginário popular uma imagem específica, a do Papai Noel rechonchudo, de barba branca e roupa vermelha com detalhes brancos, que acabou se tornando símbolo comercial do Natal em várias partes do mundo. No entanto, essa consolidação foi mais um ponto na longa trajetória de transformações da figura do bom velhinho do que um ponto de origem.
Assim, a associação entre vermelho e Papai Noel não nasceu de uma ação isolada de marketing, mas de um processo histórico que antecede o século XX, reforçado e ampliado pela publicidade da Coca-Cola, mas não originado por ela.
Esse resgate histórico torna o Natal ainda mais rico em significado: a festa que hoje celebra encontros familiares, troca de presentes e símbolos populares tem uma história complexa que atravessa séculos, culturas e tradições.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper




