Secretário Gilmar Sossella detalha R$ 280 milhões em qualificação profissional e bolsas do RS Qualificação
Na manhã desta quarta-feira, 24 de dezembro, o programa Giro da Notícia, da Rádio Planetário, promoveu uma entrevista telefônica com o deputado estadual e secretário de Trabalho e Desenvolvimento Profissional do Rio Grande do Sul, Gilmar Sossella. A conversa foi conduzida pelos comunicadores Rodrigo Oliveira e Fernando Kopper e abordou, de forma aprofundada, as principais ações da pasta voltadas à qualificação profissional, geração de emprego, fiscalização das relações de trabalho e acesso da população às informações sobre vagas e programas públicos.
Logo no início da entrevista, Sossella relembrou sua trajetória política, destacando passagens como vereador, prefeito de Tapejara, deputado estadual e, atualmente, secretário de uma das áreas consideradas estratégicas pelo governo estadual. Ele revelou que, ao assumir a Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Profissional a convite do governador Eduardo Leite, encontrou um orçamento inicial de apenas R$ 100 mil. Segundo o secretário, o cenário era desafiador, mas a confiança no Executivo e no propósito da pasta foi determinante para aceitar a missão.
De acordo com Sossella, o cenário mudou de forma significativa ao longo da gestão. Somente nos últimos anos, cerca de R$ 280 milhões já foram repassados para programas de qualificação profissional, alcançando diretamente milhares de gaúchos. O secretário enfatizou que a qualificação é hoje o principal caminho para quem não teve acesso à faculdade ou a cursos técnicos formais, funcionando como um “passaporte para o futuro” e uma alternativa concreta de transformação social e econômica.
Um dos destaques da entrevista foi o detalhamento da Carreta do Saber, iniciativa que leva escolas móveis de qualificação a municípios sem acesso a escolas técnicas. Atualmente, o programa oferece formação em 11 profissões diferentes, com forte estrutura prática. Entre os exemplos citados, estão os cursos de mecânica agrícola, que contam com um trator zero quilômetro dentro da carreta, e mecânica automotiva, com veículos novos utilizados nas aulas. Há ainda formações nas áreas de alimentos, processamento de carnes, eletricidade, construção civil, motos, entre outras.
Sossella ressaltou que os cursos têm duração média entre 35 e 40 horas e apresentam índice de evasão praticamente zero. Em diversas localidades, as vagas se esgotam rapidamente, com lista de suplentes. Ele citou formaturas recentes envolvendo 11 municípios e destacou o envolvimento do Senai, que fornece insumos, equipamentos e professores especializados, garantindo aulas teóricas e práticas de alto nível.
Outro ponto central foi o programa RS Qualificação – Recomeçar, que já alcança cerca de 390 municípios gaúchos. A iniciativa permite que os próprios municípios definam quais profissões são prioritárias para sua realidade local, recebendo recursos do Estado para a execução dos cursos. Além da formação gratuita, o programa oferece uma bolsa qualificação: a cada 40 horas de curso concluídas, o aluno recebe R$ 750, pagos via Cartão Cidadão. Em cursos mais longos, o benefício pode chegar a R$ 1.500.
Na região, municípios como Campos Borges, Espumoso, Fontoura Xavier, Gramado Xavier, Ibirapuitã, São José do Herval e Soledade estão contemplados, com estimativa de cerca de 500 vagas e repasses que ultrapassam R$ 460 mil, além de aproximadamente R$ 400 mil em bolsas diretas aos alunos. Sossella explicou que o incentivo financeiro é fundamental para evitar desistências, especialmente entre pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Durante a entrevista, também foi destacado o FEQAT – Fundo Estadual de Qualificação Profissional, considerado pelo secretário uma iniciativa inédita no Estado. Criado por lei recentemente sancionada pelo governador Eduardo Leite, o fundo permite o repasse de recursos diretamente aos municípios, de forma semelhante ao modelo adotado na assistência social, reduzindo a burocracia. Para acessar os recursos, os municípios precisam criar um fundo municipal e um conselho, envolvendo poder público, empregadores e trabalhadores na definição das prioridades de qualificação.
O secretário também respondeu a questionamentos sobre temas sensíveis, como o combate ao trabalho informal, à precarização das relações de trabalho e às situações análogas à escravidão. Ele esclareceu que a fiscalização direta cabe a órgãos federais, como o Ministério do Trabalho e o Ministério Público do Trabalho, mas destacou o papel preventivo da secretaria estadual. Nesse contexto, apresentou o programa Trabalho Legal, que atua de forma antecipada nas principais safras agrícolas do Estado, orientando produtores, cooperativas e sindicatos sobre contratações regulares.
Segundo Sossella, o trabalho preventivo já foi realizado em diversas cadeias produtivas, como uva, maçã, fumo, pêssego e oliveiras, em regiões como Serra Gaúcha, Vacaria, Sobradinho, Pelotas e Caçapava do Sul. O objetivo é evitar irregularidades antes que elas ocorram, promovendo informação e orientação adequada aos empregadores.
Outro ponto abordado foi o acesso da população às informações sobre vagas de emprego, indicadores e programas. Sossella reconheceu as limitações atuais de ferramentas nacionais, como o portal Emprega Brasil, e afirmou que há uma articulação em curso para modernizar os sistemas, permitindo que trabalhadores e empresas façam todo o processo de forma online, inclusive entrevistas. Ele destacou ainda a importância dos dados do Caged, que permitem acompanhar admissões e demissões por setor e município.
O secretário revelou que, nas primeiras prestações de contas do RS Qualificação, cerca de 41% dos participantes já estavam empregados após a conclusão dos cursos, índice considerado expressivo. A secretaria, segundo ele, monitora os resultados em parceria com os municípios, buscando alternativas para quem ainda não conseguiu inserção no mercado de trabalho.
Encerrando a entrevista, Gilmar Sossella deixou uma mensagem de Natal aos ouvintes e reforçou que o Estado possui hoje mais de 20 mil vagas abertas, enquanto cerca de 622 mil pessoas ainda estão desocupadas. Para ele, a chave está na qualificação e na informação correta. O secretário reafirmou o compromisso da pasta em ampliar oportunidades, gerar emprego digno e deixar um legado duradouro na área da qualificação profissional no Rio Grande do Sul.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper




