Sequestradores estudaram rotina do dono da Stara e reservaram cativeiro pela internet em Marau
As investigações da Polícia Civil revelaram que o sequestro do empresário proprietário da Stara foi resultado de um planejamento detalhado, com monitoramento prévio da rotina da vítima e uso de recursos digitais para a execução do crime. Conforme o delegado e diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), João Paulo de Abreu, os criminosos estudaram horários, fragilidades na segurança da residência e chegaram a reservar, por meio de uma plataforma online de hospedagem, a chácara que serviu como cativeiro no município de Marau.
De acordo com o delegado, a motivação do crime foi exclusivamente financeira. Os sequestradores sabiam exatamente quando o empresário estaria sozinho e aproveitaram uma brecha no esquema de segurança para agir. “Tudo indica que o sequestro teve motivação pecuniária. Os criminosos monitoraram a rotina da vítima, sabiam que não haveria outra pessoa no momento do sequestro e conheciam as brechas na segurança. Estamos avaliando se houve contato com outros envolvidos para uma eventual tentativa de fuga, que não se concretizou”, afirmou João Paulo de Abreu.
A investigação aponta ainda que, além do imóvel utilizado como cativeiro, dois veículos foram alugados para dar suporte à ação criminosa. Apesar do grau de organização, o diretor do Deic destacou que os presos não possuem histórico de participação em sequestros nem ocupam posições de liderança em facções criminosas. “Eles não tinham experiência em crimes dessa natureza nem destaque no crime organizado. Até o momento, não foi possível identificar uma quadrilha maior estruturada, mas é inegável que houve bastante planejamento”, avaliou.
Os suspeitos vão responder pelo crime de extorsão mediante sequestro. Um homem de 33 anos, apontado como o principal articulador da ação, foi preso na noite de segunda-feira, em Marau, cerca de 90 quilômetros do local onde ocorreu o sequestro. Na tarde anterior, ele havia entrado com o empresário em um milharal e utilizava o celular da vítima para negociar com a família. Por volta da 1h30min, o suspeito teria se assustado com a aproximação de uma viatura da Brigada Militar, momento em que o empresário conseguiu se desvencilhar e buscar ajuda. O homem foi localizado e preso por volta das 19h30min, durante uma incursão do 3º Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque) em uma área de matagal, sem oferecer resistência. A arma que teria sido utilizada no crime não foi encontrada.
Antes dessa prisão, ainda na segunda-feira, um segundo suspeito, de 25 anos, foi detido no início da tarde em Não-Me-Toque, durante uma ação do 38º Batalhão de Polícia Militar (BPM) com apoio da Agência de Inteligência da corporação. Ele foi abordado no local onde trabalhava em uma obra e, conforme a investigação, teria atuado como motorista durante o sequestro.
Um terceiro homem, de 20 anos, foi preso no domingo à tarde, na RS-324, em Marau. Ele estava em um Chevrolet Ônix e foi abordado após moradores da região desconfiarem de sua atitude em um posto de combustíveis e acionarem a Brigada Militar. Segundo a polícia, ele também é apontado como um dos mentores da ação criminosa.
Conforme o Ministério Público, dois dos presos já tinham antecedentes criminais e teriam participado de um homicídio ocorrido em 11 de março de 2016, em Não-Me-Toque. Na ocasião, Júlio César Fagundes, de 32 anos, morreu após ser baleado durante uma discussão. Apesar desse histórico, nenhum dos envolvidos tinha passagem por crimes de sequestro.
A operação de resgate mobilizou mais de 40 horas de atuação integrada das forças de segurança, envolvendo o Comando de Polícia de Choque (CPChq), Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM), Batalhão de Aviação da BM (BavBM), Comando Regional de Polícia Ostensiva (CRPO) do Planalto, Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), 3º Regimento de Polícia Montada (3º RPMon) e a Polícia Civil. Não houve pagamento de resgate.
O sequestro teve início por volta das 2h30min de sábado, quando o empresário chegava em casa após participar da confraternização de final de ano da empresa. Dois homens já o aguardavam dentro da propriedade, que foi invadida pouco depois da meia-noite, após os criminosos ultrapassarem um alambrado. Por volta das 10h, o grupo saiu do local na Toyota Hilux da vítima, abandonando o veículo posteriormente em Passo Fundo. Em seguida, passaram a utilizar um Renault Duster, conduzido por um terceiro comparsa, até uma propriedade rural, onde entraram em contato com o filho do empresário.
No final da manhã de domingo, durante uma tentativa de resgate pelas forças policiais, os sequestradores fugiram por uma estrada de terra, incendiaram o SUV e levaram a vítima para um matagal. O empresário foi resgatado no início da madrugada e encaminhado ao Hospital Cristo Redentor de Marau, onde recebeu atendimento médico e foi liberado sem ferimentos. Ele passa bem.
Segundo o delegado João Paulo de Abreu, a atuação conjunta e o sigilo das informações foram fundamentais para o desfecho positivo da ocorrência. “Estabelecemos um gabinete de crise, pois a compartimentação das informações é determinante em casos dessa gravidade, visando sempre a preservação da vítima. Polícia Civil e Brigada Militar atuaram de forma ininterrupta até a resolução do caso”, concluiu.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Correio do Povo




