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MetSul alerta para chuvas extremas no Rio Grande do Sul com atuação de rio atmosférico na semana do Natal

MetSul alerta para chuvas extremas no Rio Grande do Sul com atuação de rio atmosférico na semana do Natal
22.12.2025 10h56  /  Postado por: villaadriano

A MetSul Meteorologia emitiu um alerta para o Rio Grande do Sul diante da atuação de um rio atmosférico sobre o estado, fenômeno que deve provocar chuvas extremas e persistentes ao longo da semana do Natal. O cenário eleva de forma significativa o risco de alagamentos, enxurradas, inundações repentinas e, em situações mais graves, transbordamento de rios e enchentes em diversas regiões gaúchas.

Os rios atmosféricos são corredores estreitos e intensos de transporte de umidade, responsáveis por deslocar grandes volumes de ar úmido das regiões tropicais para latitudes mais altas. Quando essa umidade encontra ventos de alta velocidade em médios e altos níveis da atmosfera, cria condições favoráveis para volumes muito elevados de precipitação. Segundo a MetSul, o fenômeno começa a atuar neste início de semana e deve persistir durante praticamente todo o período natalino.

Dinâmica da instabilidade

O Rio Grande do Sul deverá enfrentar uma sequência prolongada de dias com forte instabilidade atmosférica. A chuva será frequente e, em muitos momentos, ocorrerá com intensidade forte a torrencial. Esse padrão, com grande volume concentrado em curtos intervalos de tempo, tende a sobrecarregar sistemas de macrodrenagem urbana, aumentando de forma expressiva o risco de inundações tanto em áreas urbanas quanto rurais.

Volumes de chuva e regiões mais críticas

Em pontos isolados, os acumulados de chuva podem variar entre 100 mm e 150 mm em apenas 24 horas, volume que representa dois terços ou até a totalidade da média histórica de chuva prevista para todo o mês de dezembro. A análise da MetSul indica que as regiões Centro e Oeste do estado concentram os maiores riscos.

Nessas áreas, ao longo de um período entre sete e dez dias, os volumes de chuva podem alcançar de duas a três vezes a média mensal. Modelos meteorológicos de alta resolução, como WRF, GFS e ECMWF, indicam que municípios como Barra do Quaraí, Quaraí, Uruguaiana, Itaqui, Alegrete, Maçambará e São Borja podem registrar acumulados entre 200 mm e 300 mm, ou até superiores, já nas primeiras 72 horas, até a noite de terça-feira.

O cenário é considerado excepcional, com possibilidade de que alguns municípios registrem, nos últimos dez dias do ano, o equivalente a cerca de um quarto de toda a chuva normalmente esperada para um ano inteiro.

Riscos hidrológicos e impactos na mobilidade

A persistência do mau tempo deve provocar elevação significativa dos níveis dos rios, com alto risco de cheias nas bacias do Rio Uruguai, especialmente ao sul de São Borja, além dos rios Ibicuí, Vacacaí, Jaguari e Quaraí. Já nas regiões da Serra e dos Vales, a MetSul não projeta chuva extrema neste período, o que mantém o risco de enchentes nos rios Taquari, Caí, Sinos e Paranhana entre baixo e médio.

Em Porto Alegre, o nível do Guaíba, atualmente em torno de 0,90 metro, tende a subir ao longo da semana. No entanto, a MetSul não antecipa um cenário de maior gravidade para a Capital, considerando que a cota de transbordamento é de 3,00 metros.

No interior do estado, especialmente em áreas rurais, há risco de rodovias municipais e estradas vicinais se tornarem intransitáveis devido ao transbordamento de arroios e córregos. A orientação das autoridades é para que a população evite, em qualquer hipótese, atravessar trechos alagados, diante do risco de correntezas e acidentes graves.

Temporais isolados

Além do grande volume de chuva, a combinação de calor, abafamento e alta umidade favorece a formação de nuvens de grande desenvolvimento vertical. Esse cenário pode resultar em temporais isolados, com intensa atividade elétrica, rajadas de vento forte e eventual queda de granizo em diferentes regiões do Rio Grande do Sul.

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