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Amarildo Provensi analisa safra de trigo, clima e manejo de defensivos no programa Rumo ao Campo

Amarildo Provensi analisa safra de trigo, clima e manejo de defensivos no programa Rumo ao Campo
22.12.2025 09h28  /  Postado por: villaadriano

Na manhã do último sábado, 20 de dezembro, o programa Rumo ao Campo, da Rádio Planetário, promoveu um amplo e aprofundado debate sobre a cultura do trigo no Rio Grande do Sul, as condições climáticas que impactam o agronegócio e a importância do manejo correto de defensivos agrícolas. A entrevista foi conduzida pelos comunicadores Rodrigo Oliveira e Fernando Kopper, que receberam nos estúdios o agrônomo Amarildo Provensi, gerente da Cotriel, em Espumoso, profissional com quase quatro décadas de atuação no setor.

Logo na abertura do programa, os apresentadores destacaram o início de mais uma edição do Rumo ao Campo, em um sábado de temperatura amena, na casa dos 20 graus, reforçando o compromisso da atração com a informação técnica e atualizada voltada ao produtor rural. O programa também registrou o apoio de entidades e empresas parceiras tradicionais do horário, como Cressol, Maan, Coprel, Cepasa, Sindicato Rural de Espumoso e Três Tentos.

Ao iniciar sua participação, Amarildo Provensi ressaltou a importância do programa para a região, lembrando que o Rumo ao Campo acompanha praticamente a história da própria Rádio Planetário e alcança não apenas Espumoso, mas diversos municípios vizinhos. Segundo ele, é comum produtores procurarem a equipe técnica com dúvidas baseadas em informações ouvidas durante o programa, o que reforça o alcance e a credibilidade da atração.

Safra de trigo no RS: qualidade elevada e desafios econômicos

Durante a entrevista, Fernando Kopper contextualizou o cenário do trigo no Estado, lembrando que o Rio Grande do Sul segue como o maior produtor nacional do cereal. Apesar de uma expectativa inicial positiva para a safra 2025/2026, o setor enfrentou desafios significativos, especialmente em função das chuvas ocorridas entre outubro e novembro, que em várias regiões afetaram a colheita, a qualidade dos grãos e o pH, além de atrasos e perdas pontuais.

Amarildo explicou que, na região de atuação da Cotriel, a situação foi diferente. As chuvas excessivas ocorridas entre maio e início de junho impediram o plantio mais precoce do trigo, o que acabou deslocando o período de colheita para fora da janela crítica de chuvas intensas. Como resultado, a maior parte das lavouras não foi prejudicada na fase final, garantindo boa qualidade do grão.

Segundo o agrônomo, a média de pH do trigo recebido nas unidades da Cotriel ficou em torno de 80, índice considerado elevado. Muitas cargas chegaram a registrar pH entre 83 e 84, enquanto poucas ficaram abaixo de 78. Além do peso do grão, a coloração, fator essencial para a panificação, também foi considerada muito boa, o que permitiu classificar a safra regional como de ótima qualidade do ponto de vista industrial.

Apesar disso, o bom desempenho técnico não se refletiu na rentabilidade. Amarildo destacou que, mesmo com produtividades médias de 54 sacas por hectare na área de atuação da cooperativa — que abrange mais de 40 municípios e 15 unidades —, os preços pagos ao produtor permaneceram baixos. Em muitos casos, o custo de produção ficou entre 50 e 55 sacas por hectare, comprometendo a margem econômica, especialmente para quem investiu mais em tecnologia.

Mercado, concorrência externa e expansão do trigo no Brasil

Outro ponto abordado foi o impacto do mercado internacional e da ampliação das áreas de trigo no Brasil. Amarildo lembrou que, até cerca de 15 anos atrás, a produção nacional estava praticamente restrita ao Rio Grande do Sul e ao Paraná. Atualmente, estados do Brasil Central passaram a cultivar trigo com altas produtividades, inclusive acima de 100 sacas por hectare, graças ao avanço genético das cultivares e ao uso intensivo de tecnologia.

Além disso, a concorrência com a Argentina segue sendo um fator determinante para os preços. O país vizinho produz trigo com custos significativamente menores, utilizando menos fertilizantes e se beneficiando de solos mais férteis. Esse cenário favorece a importação do cereal argentino, que acaba competindo diretamente com o trigo gaúcho e pressionando o mercado interno.

Clima, La Niña e riscos fitossanitários

O programa também trouxe uma análise detalhada sobre os efeitos do fenômeno La Niña, marcado por períodos de estiagem intercalados com chuvas intensas e concentradas. Amarildo explicou que esse padrão climático afeta diretamente culturas como milho, trigo e soja, principalmente em fases sensíveis como floração e enchimento de grãos.

No trigo, ele destacou a importância do monitoramento constante das condições climáticas para o controle de doenças. Um exemplo citado foi o oídio, que se desenvolve em períodos prolongados de umidade e nebulosidade. Segundo o agrônomo, na safra anterior, muitos produtores tiveram perdas significativas por não realizarem aplicações preventivas no momento adequado. Já nesta safra, a doença praticamente não se manifestou, justamente pela ausência de condições favoráveis.

A giberela também foi mencionada como uma das principais preocupações, especialmente por estar associada à produção de micotoxinas, que podem inviabilizar o uso do trigo para consumo humano. Amarildo reforçou que o controle deve ser preventivo, com fungicidas específicos aplicados antes de períodos de chuva durante a floração, garantindo a segurança alimentar e a aceitação do produto pelos moinhos.

Rotação de culturas e alternativas de inverno

Ao longo da entrevista, Amarildo defendeu a diversificação e a rotação de culturas como estratégias fundamentais para aumentar a produtividade e reduzir a pressão de pragas e doenças. Ele citou o milho como exemplo, destacando que a inserção da cultura na rotação pode gerar incrementos de até 18% na produtividade da soja ao longo de três safras subsequentes.

Outra cultura em ascensão é a canola, apontada como uma alternativa importante ao trigo no inverno. Com preços atrativos e avanços genéticos, a canola vem ganhando espaço no Estado. Dados apresentados indicam que a área cultivada deve crescer significativamente nos próximos anos, com projeções que apontam até 1 milhão de hectares em 2030. Além da rentabilidade, a canola contribui para a quebra do ciclo de doenças típicas das gramíneas, beneficiando lavouras de trigo implantadas na sequência.

Destinação correta de embalagens e fiscalização

Um dos temas finais da entrevista foi a destinação correta de embalagens vazias de defensivos agrícolas. Amarildo, responsável pelo posto de recebimento da Cotriel em Espumoso, explicou todo o processo legal, desde a tríplice lavagem até a devolução obrigatória das embalagens em locais credenciados.

Ele alertou para os riscos do comércio irregular dessas embalagens, muitas vezes utilizadas para falsificação de produtos ou reutilização inadequada. Segundo Amarildo, o posto da Cotriel recebe cerca de 80 mil toneladas de embalagens por ano, que seguem para reciclagem ou destinação ambientalmente correta, reforçando o papel da cooperativa na sustentabilidade e na segurança do setor.

Encerramento com orientações ao produtor

Ao encerrar a entrevista, Amarildo deixou orientações práticas aos produtores para o início do ciclo de verão, destacando a importância do monitoramento de pragas, doenças e plantas daninhas nas lavouras de soja e milho. Ele reforçou a necessidade de planejamento, especialmente antes do período de festas de fim de ano, para que o produtor não perca o momento correto de manejo.

A participação foi definida pelos apresentadores como uma verdadeira aula técnica, reafirmando o papel do Rumo ao Campo como espaço de informação qualificada e de diálogo direto com quem vive o agronegócio no dia a dia.

Com informações: Jornalista Fernando Kopper

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