CFC Geremias esclarece boatos sobre “CNH barata” e reforça importância da formação segura de condutores
Nos últimos dias, a discussão sobre as novas regras para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) tomou conta das redes sociais e dos comentários em reportagens, mas junto com o interesse cresceram também a confusão e a desinformação. A Resolução nº 1.020/2025 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), a Medida Provisória nº 1.327/2025 e a Lei nº 15.153/2025 passaram a ser citadas como responsáveis por uma suposta redução drástica no custo da CNH, com valores abaixo de R$ 800,00, além da ideia equivocada de que seria possível se habilitar sem cumprir todas as etapas tradicionais do processo.
Para esclarecer o que realmente muda, e, principalmente, o que não muda, a Rádio Planetário conversou com a sócia e proprietária do CFC Geremias, de Espumoso, Márcia Cristina Andrade, e com o diretor de ensino da instituição, Jonei Morais. Durante a entrevista, ambos detalharam como o processo deve funcionar no Rio Grande do Sul a partir de janeiro de 2026 e alertaram para interpretações erradas que vêm circulando.
Márcia explicou que, apesar do anúncio de novas diretrizes, o que passa a vigorar no Estado a partir de 5 de janeiro é um modelo híbrido para a primeira habilitação. Esse formato reúne regras já existentes com pontos da nova resolução, mas não representa, em hipótese alguma, uma liberação geral do processo. Segundo ela, o candidato poderá manifestar interesse pela primeira CNH por meio da plataforma Gov.br e realizar as aulas teóricas de forma online, mas continuará obrigado a comparecer ao CFC Geremias para coleta de dados biométricos, fotografia, exames médico e psicológico, além das aulas práticas e das provas.
A proprietária do CFC Geremias destacou que muitas pessoas acreditam que, a partir de janeiro, será possível ir diretamente ao centro de formação, pagar um valor reduzido e sair habilitado, o que não corresponde à realidade. “Existem muitos artigos e pontos da resolução que ainda não entram em vigor agora. O que é certo é que as provas teórica e prática continuam sendo realizadas no CFC, com os mesmos critérios de avaliação, incluindo faltas e reprovações”, explicou.
Outro tema que tem gerado grande confusão é a possibilidade de aprender a dirigir com parentes ou conhecidos, dispensando as aulas práticas no CFC. Sobre isso, Márcia foi direta: não há regulamentação que autorize aulas com instrutores autônomos ou com veículos particulares para fins de habilitação. As aulas práticas seguem obrigatoriamente vinculadas ao CFC, em veículos adaptados e conduzidas por instrutores credenciados junto ao Detran.
O diretor de ensino do CFC Geremias, Jonei Morais, reforçou essa informação ao explicar a questão legal e de segurança envolvida. Ele lembrou que o aluno só pode conduzir um veículo durante o processo de habilitação porque existe toda uma estrutura formal, que inclui autorização específica, carro adaptado e acompanhamento de um profissional habilitado. “Hoje, se a pessoa sair dirigindo o carro do pai, da mãe ou de qualquer familiar sem CNH e for abordada pela Brigada Militar, estará cometendo infração. Isso não mudou”, afirmou.
Jonei também alertou para o momento de transição vivido pelos próprios CFCs. Segundo ele, os últimos dias têm sido marcados por incertezas e instabilidade nos sistemas, já que muitas mudanças ainda dependem de atualizações técnicas e orientações oficiais do Detran, da Procergs e da Senatran. “Não é porque a data é 5 de janeiro que tudo vai funcionar automaticamente. Os sistemas precisam ser integrados, ajustados e testados. Por isso, pedimos calma à população”, ressaltou.
Sobre os valores, tanto Márcia quanto Jonei foram claros ao afirmar que não existe, até agora, nenhuma definição oficial sobre redução significativa no custo da CNH. Não há nova tabela divulgada e tampouco confirmação de que o processo ficará mais barato. Eles lembram que taxas obrigatórias, exames, possíveis reprovações e, futuramente, a exigência do exame toxicológico podem, inclusive, elevar o custo final para o candidato.
Em relação ao exame toxicológico, Márcia explicou que a lei que prevê a exigência para a primeira habilitação ainda não foi regulamentada. Assim, ela não passa a valer automaticamente em janeiro. O mesmo ocorre com a chamada renovação automática da CNH, prevista em medida provisória, que depende de regras complementares para entrar em vigor. Até lá, os procedimentos seguem como atualmente.
Ao longo da entrevista, os representantes do CFC Geremias enfatizaram que a CNH deve ser vista como um investimento em formação e segurança, e não apenas como um custo financeiro. Jonei destacou que aprender a dirigir vai muito além de passar em uma prova. “O trânsito exige preparo, consciência e responsabilidade. Um veículo pode se tornar uma arma se não for conduzido corretamente. Nosso papel é formar motoristas conscientes, não apenas habilitar pessoas”, afirmou.
Márcia acrescentou que a formação teórica é fundamental, especialmente para quem nunca teve contato com um veículo. Conhecer regras, sinalização, noções básicas de funcionamento do carro e comportamento seguro no trânsito faz parte de um processo que não pode ser simplificado ao extremo. Segundo ela, a busca apenas pelo menor preço pode resultar em mais reprovações, gastos adicionais e, principalmente, condutores despreparados.
Ao final, ambos reforçaram o convite para que a população de Espumoso e região procure diretamente o CFC Geremias para esclarecer dúvidas, em vez de confiar apenas em comentários nas redes sociais ou em manchetes isoladas. A instituição seguirá atendendo durante o período de transição, com exceção dos feriados dos dias 26 e 2, e se compromete a orientar cada candidato conforme as regras vigentes.
A entrevista encerrou com um apelo à informação correta e à paciência neste momento de mudanças. “As regras estão sendo ajustadas, mas o compromisso com a segurança no trânsito continua o mesmo. Na dúvida, procure o CFC Geremias”, destacaram Márcia Cristina Andrade e Jonei Morais.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper




