Pediatra Bruna Forcelini orienta pais sobre cuidados essenciais com crianças
Na manhã desta terça-feira, 16/12, o jornalista Fernando Kopper esteve na Clínica Pró Vida para uma entrevista especial com a pediatra Dra. Bruna Forcelini, dentro da programação da Rádio Planetário. A conversa teve como foco principal esclarecer dúvidas frequentes de pais e mães, especialmente de primeira viagem, sobre os cuidados com recém-nascidos e crianças nos primeiros anos de vida, desde o acompanhamento médico inicial até questões relacionadas à alimentação, sono, febre e desenvolvimento infantil.
Logo no início da entrevista, a pediatra destacou a importância do vínculo precoce entre a família e o profissional que irá acompanhar a criança. Segundo Dra. Bruna, o ideal é que os pais procurem um pediatra ainda durante a gestação, realizando uma consulta pré-natal pediátrica. Nesse encontro, é possível tirar dúvidas, receber orientações sobre vacinas, alimentação e cuidados iniciais, independentemente de o atendimento ocorrer de forma particular, por convênio ou pelo SUS. Caso isso não seja possível, a recomendação é que o bebê passe por avaliação médica entre sete e dez dias após o nascimento.
Durante a primeira consulta, a pediatra explicou que a atenção se concentra especialmente na amamentação, na avaliação do peso do bebê e na observação de sinais importantes, como a icterícia neonatal, conhecida popularmente como “amarelão”. A médica ressaltou que o acompanhamento do peso é fundamental para avaliar se a alimentação está adequada, já que os recém-nascidos desidratam com facilidade. Também são discutidas queixas comuns nesse período, como cólicas, choro excessivo e vômitos.
Sobre a alimentação, Dra. Bruna foi enfática ao alertar que, caso a amamentação não seja possível, jamais se deve oferecer leite de vaca ou leite de caixinha ao bebê. Nesses casos, a orientação correta é o uso de fórmulas infantis, que possuem composição adaptada ao organismo da criança, respeitando o funcionamento dos rins e do fígado. A transição para o leite de vaca, segundo ela, deve ocorrer preferencialmente após um ano de idade, conforme as recomendações das sociedades de pediatria.
Outro tema abordado foi a cólica infantil, que costuma gerar grande angústia nas famílias. A pediatra explicou que nem todo desconforto relacionado à evacuação é cólica propriamente dita, podendo ser disquesia, uma condição comum nos primeiros meses de vida. Já as cólicas mais intensas podem exigir massagens, medidas de conforto e, em alguns casos, investigação de alergias alimentares, como a alergia à proteína do leite de vaca.
O sono dos bebês também esteve em pauta. Dra. Bruna esclareceu que é normal que recém-nascidos troquem o dia pela noite, já que ainda não desenvolveram o ciclo biológico entre claro e escuro. Esse padrão tende a se organizar gradualmente até os quatro ou cinco meses. No entanto, após os dois anos, a criação de uma rotina de sono é fundamental, pois o hormônio do crescimento tem seu pico de liberação durante a noite, especialmente a partir das 22h. O uso excessivo de telas, sobretudo no período noturno, foi apontado como um fator que prejudica esse processo.
A introdução alimentar foi outro ponto detalhado na entrevista. A pediatra explicou que, de forma geral, os alimentos sólidos podem ser oferecidos a partir dos seis meses de idade, com texturas amassadas e progressão gradual conforme o desenvolvimento da coordenação da criança. Métodos como o BLW podem ser utilizados, desde que com orientação adequada, devido ao risco de engasgos. Sobre alimentos específicos, Dra. Bruna alertou que pipoca não deve ser oferecida antes dos quatro anos, por ser um dos alimentos com maior risco de engasgo.
Em relação à ingestão de água, a orientação é clara: até os seis meses, não há necessidade de oferecer água ao bebê, seja ele amamentado no peito ou com fórmula. Após essa idade, a água deve ser introduzida gradualmente, sempre sem adição de açúcar, chás ou outras substâncias. Já o uso de mel é contraindicado antes dos dois anos, sendo permitido somente após essa idade, quando pode auxiliar em quadros de tosse.
A pediatra também falou sobre doenças respiratórias, como a laringite, destacando que a forma viral é a mais comum e, na maioria das vezes, tratada com medidas de suporte. Sinais como tosse intensa, dificuldade respiratória e ruídos ao respirar são indicativos de que a criança deve ser levada imediatamente ao atendimento médico. Sobre febre, Dra. Bruna reforçou que mais importante do que o número no termômetro é o estado geral da criança, cabendo aos pais observar mudanças no comportamento, prostração ou dificuldade para se alimentar.
Ao final da entrevista, foram abordadas questões como o uso de chupeta, o nascimento dos dentes e a frequência das consultas pediátricas. Segundo a médica, o acompanhamento deve ser mensal até os seis meses, passando a ser bimestral e, posteriormente, espaçado conforme a idade da criança. Dra. Bruna reforçou que a consulta pediátrica é essencial não apenas para tratar doenças, mas também para orientar, prevenir e garantir um desenvolvimento saudável.
Encerrando a participação, a pediatra agradeceu o espaço e reforçou o convite para que pais e responsáveis procurem orientação médica sempre que tiverem dúvidas.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper




