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Canola ganha protagonismo no RS e mostra avanço de produtividade, afirma agrônomo Carlos Alberto Lamel

Canola ganha protagonismo no RS e mostra avanço de produtividade, afirma agrônomo Carlos Alberto Lamel
13.12.2025 10h08  /  Postado por: villaadriano

Na manhã deste sábado, 13 de dezembro, o programa Rumo ao Campo, da Rádio Planetário, recebeu nos estúdios o engenheiro agrônomo Carlos Alberto Lamel, profissional com mais de 20 anos de experiência no cultivo da canola e integrante da equipe técnica da Cotriel, de Espumoso. A entrevista foi conduzida pelo âncora e repórter Rodrigo Oliveira, com participação do jornalista Fernando Kopper, dentro de uma edição especial dedicada à análise do crescimento da cultura da canola no Rio Grande do Sul.

Logo na abertura, a equipe destacou que o Rumo ao Campo vai ao ar ao vivo pelo rádio, aplicativo, site e também pelas plataformas digitais da emissora, como Facebook e YouTube, reforçando o compromisso de levar informação técnica e atualizada ao produtor rural. O programa contou ainda com o apoio de Cressol, Lojas Asmazan, Coprel, Cepasa, Sindicato Rural de Espumoso e Três Tentos, além da produção do Departamento de Jornalismo da Rádio Planetário, apresentação de Rodrigo Oliveira e supervisão geral de Ramon Fioni.

Durante a conversa, Carlos Alberto Lamel detalhou o momento de expansão vivido pela canola no Estado, impulsionado pelo aumento expressivo da área plantada, que cresceu mais de 37% em 2025, pela adoção de novos híbridos com maior potencial produtivo, pela evolução tecnológica no manejo e pela ampliação do mercado consumidor, inclusive com exportações ganhando espaço. Segundo o agrônomo, em algumas regiões gaúchas já se observam produtividades superiores a 1.700 quilos por hectare, com áreas específicas alcançando patamares ainda mais elevados, superando expectativas iniciais.

Ao relatar sua trajetória com a cultura, Carlos explicou que o contato com a canola começou ainda no início dos anos 2000, quando atuava em uma multinacional e acompanhava áreas fomentadas por empresas do setor. Naquele período, as alternativas de inverno eram basicamente trigo e aveia branca, o que limitava a rotação de culturas. A canola surgiu, então, como uma possibilidade técnica e comercial viável, mesmo enfrentando desafios iniciais, como híbridos menos produtivos e maior suscetibilidade a doenças, especialmente o mofo branco.

Com o passar dos anos, a realidade mudou. Lamel destacou que os híbridos atuais são muito mais resistentes e produtivos, permitindo sair de uma meta antiga de 20 a 25 sacas por hectare para médias consolidadas acima de 30 sacas, com lavouras bem conduzidas alcançando 35 a 40 sacas por hectare. Em sua própria experiência, o agrônomo relatou um recorde de 49 sacas por hectare, registrado há três anos, em um ciclo climático especialmente favorável para as culturas de inverno.

Outro ponto amplamente abordado foi a segurança produtiva da canola, especialmente quando comparada ao trigo. Segundo Carlos, ao longo de mais de duas décadas de trabalho com a cultura, ele nunca teve prejuízo financeiro com a canola, enquanto em pelo menos duas safras de trigo precisou utilizar recursos da soja para cobrir perdas causadas por problemas climáticos. A canola, conforme explicou, apresenta maior resiliência, sobretudo após superar a fase inicial de desenvolvimento, considerada a mais sensível a geadas.

A entrevista também aprofundou a discussão sobre o papel da canola como alternativa estratégica no inverno, especialmente em regiões onde o trigo não consegue ocupar toda a área disponível. Lamel citou dados da própria Cotriel, que atua em cerca de 180 mil hectares de verão, enquanto a área de trigo raramente ultrapassa 50 mil hectares. Isso evidencia uma grande extensão de terras que ficam sem uma cultura economicamente atrativa no inverno, espaço onde a canola vem se consolidando como complemento, e não substituta, do trigo.

Do ponto de vista comercial, o agrônomo ressaltou que a canola oferece maior previsibilidade ao produtor, com possibilidade de contratos antecipados de venda, garantia de mercado e melhor liquidez em comparação ao trigo. Ele destacou ainda que a recente valorização da canola, chegando a superar o preço da soja em determinados momentos, está diretamente ligada à abertura do mercado externo e à necessidade da indústria nacional competir com os preços internacionais.

Dados oficiais citados durante o programa reforçam esse cenário. A área plantada com canola no Rio Grande do Sul já ultrapassa 176 mil hectares, com aumento superior a 19% em relação ao ano anterior. A expectativa de produção passa de 289 mil toneladas, representando um crescimento de quase 39% em comparação a 2024, mesmo com pequenas variações regionais de produtividade. Regiões como Erechim, Bagé, Santa Rosa e municípios do entorno de Cruz Alta e Ijuí registram números expressivos, com lavouras bem manejadas alcançando até 2.700 quilos por hectare.

Questionado sobre a ideia, muitas vezes difundida, de que seria possível “ficar rico” plantando canola, Carlos foi categórico ao afirmar que a cultura não elimina riscos climáticos nem garante lucros extraordinários por si só. No entanto, destacou que, dentro do atual cenário de mercado, a canola tem se mostrado mais rentável que outras culturas de inverno, além de permitir a diluição dos custos fixos da propriedade, como máquinas e equipamentos, que precisam ser amortizados ao longo do ano.

Na avaliação final, o agrônomo enfatizou que o sucesso da canola depende de planejamento, manejo adequado e profissionalismo, alertando que a cultura não deve ser tratada como uma aposta de baixo investimento. Ele recomendou que produtores interessados iniciem com áreas menores, bem conduzidas, respeitando critérios técnicos de fertilidade, adubação e manejo de pragas, aproveitando o suporte das cooperativas e da assistência técnica disponível.

Encerrando a entrevista, Carlos Alberto Lamel reforçou que a canola vive um momento completamente diferente daquele do início de sua trajetória, com mercado mais amplo, exportações consolidadas e avanços rápidos em genética e produtividade. Para ele, a cultura tende a seguir em expansão nos próximos anos, consolidando-se como uma das principais alternativas do inverno gaúcho, desde que o produtor esteja disposto a investir com conhecimento e gestão.

Com informações: Jornalista Fernando Kopper

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