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Fé que resiste ao tempo: Devota de Espumoso relata milagres vividos em quase 50 anos de procissão

Fé que resiste ao tempo: Devota de Espumoso relata milagres vividos em quase 50 anos de procissão
09.12.2025 16h14  /  Postado por: villaadriano

Uma caminhada marcada pela devoção, pela força espiritual e por acontecimentos que, para muitos, só podem ser descritos como milagres. Assim se define a trajetória de Ana Salete da Cunha, moradora de Espumoso, que há mais de quatro décadas participa da procissão em honra a Nossa Senhora Imaculada Conceição, realizada no Pontão do Butiá. Nesta semana, após a 102ª edição do evento religioso, ela procurou a redação da Rádio Planetário para compartilhar um testemunho sobre fé, devoção e esperança.

Acompanhamos Ana Salete na manhã desta terça-feira, quando ela chegou para relatar episódios vividos ao longo de quase 50 anos de procissões, sempre guiada por uma devoção profunda. A história que ela compartilha começa quando sua mãe, portadora de diabetes, sofreu uma brusca piora no quadro após um tratamento hospitalar. Durante o procedimento, segundo ela, houve administração excessiva de soro com glicose, o que elevou drasticamente os níveis da doença e levou à perda total da visão da idosa.

O impacto foi devastador para a família. Naquele dia, Ana Salete recorda ter buscado forças onde muitos encontram conforto: na fé. Convidada por moradores das comunidades de São Lourenço e Pontão do Butiá, ela decidiu participar da caminhada até a capela dedicada à Imaculada Conceição, que à época reunia poucas dezenas de pessoas em uma celebração simples, mas profundamente simbólica. Foi nesse contexto que, segundo seu relato, o primeiro milagre aconteceu: após um mês completamente cega, sua mãe voltou a enxergar.

A recuperação surpreendente, que contrariou as expectativas médicas, se tornou o marco inicial da caminhada espiritual de Ana Salete. Desde então, ela nunca mais deixou de participar da romaria, atribuindo à santa uma lista de graças que, ao longo dos anos, se multiplicaram.

Entre os episódios mais marcantes está a história de seu esposo, diagnosticado com câncer em 2006. Depois de vencer a doença pela primeira vez, ainda enfrentaria um segundo tumor anos depois. Mesmo debilitado, passou por radioterapia e tratamentos intensos aos 85 anos, recuperando-se e vivendo até os 93. Para Ana Salete, a fé novamente foi decisiva para que ele superasse desafios que pareciam intransponíveis.

Mas os relatos não param por aí. Quando sua mãe enfrentava complicações da diabetes, sua filha sofreu uma convulsão grave, levando a família a buscar tratamento especializado em Passo Fundo. O episódio marcou profundamente Ana Salete, que diz ter se mantido firme na fé mesmo diante de sucessivas adversidades.

Um dos momentos mais emocionantes compartilhados por ela ocorreu quando seu neto, com apenas 15 dias de vida, sofreu uma parada respiratória enquanto ela trabalhava no galpão. Desesperada, correu para socorrê-lo. Encontrou o bebê sem sinais vitais, já com a pele escurecida. Movida por instinto e fé, tentou reanimá-lo fazendo respiração manual, enquanto pedia pela intercessão da Imaculada Conceição. Para ela, não há outra explicação para o que aconteceu: o bebê voltou a respirar e abriu os olhos. Hoje, é um jovem saudável, já inserido no mercado de trabalho.

Outra história comovente envolve seu neto mais novo, que nasceu com problemas de saúde e perdeu peso de forma intensa logo após o nascimento. Sem compreender o que acontecia, a família buscou atendimento médico imediatamente. O menino, segundo ela, “tinha só pele e osso”, lutou pela vida durante meses e também recebeu orações e promessas durante a romaria. Ele completa 14 anos neste mês de dezembro, caminha, corre e, embora apresente dificuldades na fala, teve melhora significativa que Ana Salete também atribui à fé.

A devota conta ainda que enfrentou problemas de saúde próprios, como complicações na vesícula e inchaços que a impediram até mesmo de vestir suas roupas. Em suas palavras, também isso foi superado com graças alcançadas.

O fio que une todos esses relatos é a caminhada religiosa que ela segue realizando há mais de 40 anos. Para Ana Salete, a romaria não é apenas uma celebração anual, mas um compromisso espiritual com a comunidade, com sua história e com sua fé. “Enquanto eu puder caminhar, eu vou caminhar”, afirma.

Na edição deste ano, marcada por pedidos insistentes de chuva, que caiu no fim da tarde, para alegria dos participantes, Ana Salete novamente sentiu que era ali, naquele momento, que deveria renovar sua devoção. Relembrou que a própria cura da mãe coincidiu com uma forte chuva em sua primeira caminhada, reforçando o simbolismo daquele dia.

Ao encerrar sua visita à redação, ela expressou gratidão e deixou um recado aos ouvintes e leitores: “Vale a pena ter fé. Vale a pena pedir intercessão. Deus é nossa primeira opção, porque Ele nos deu a vida e é quem cuida dela”.

Com informações: Jornalista Fernando Kopper

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