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Secretário Executivo do Sindilat detalha crise no setor leiteiro e aponta incertezas para 2026

Secretário Executivo do Sindilat detalha crise no setor leiteiro e aponta incertezas para 2026
06.12.2025 10h47  /  Postado por: villaadriano

Durante participação no programa Rumo ao Campo, o secretário executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS), Darlan Palharini, apresentou um amplo diagnóstico sobre a situação da cadeia leiteira em 2025 e as expectativas para o próximo ano. A entrevista destacou o crescimento da produção estadual, o impacto das importações e a urgência por ações do governo federal para evitar o agravamento da crise que afeta produtores e indústrias.

Palharini explicou que 2025 começou com cenário positivo, tanto para produtores quanto para a indústria, impulsionado por uma recuperação após os prejuízos da enchente de 2024. O Rio Grande do Sul registrou aumento superior a 12% na produção, equivalente a mais de 500 milhões de litros em relação ao ano anterior. Contudo, esse avanço coincidiu com a manutenção do alto volume de importações de leite em pó e queijo muçarela de Argentina e Uruguai, o que desequilibrou o mercado.

Segundo ele, os produtos importados chegam ao Brasil com preços menores devido ao histórico de incentivos e subsídios concedidos pelos países vizinhos, principalmente em 2022. Esse diferencial reduziu a competitividade da produção nacional e fez com que a participação dos importados no mercado brasileiro saltasse de pouco mais de 2% para mais de 9%, equivalente a cerca de 2 bilhões de litros.

Para o secretário executivo do Sindilat, a consequência é direta: queda acentuada do preço pago ao produtor e recuo no valor de mercado para a indústria, que acumula grandes estoques de leite em pó, muçarela e leite UHT. A única ação efetiva até o momento, conforme destacou, foi a compra de 2.200 toneladas de leite em pó pelo governo estadual — volume que representa apenas um dia e meio da produção gaúcha.

Palharini defende que o governo federal adote medidas emergenciais, como a compra de um estoque regulador de 100 mil toneladas de leite em pó ou a suspensão temporária das importações por, pelo menos, 45 dias. Ele também reforça a necessidade de uma sobretaxa imediata sobre produtos importados da Argentina e do Uruguai, uma vez que ambos, segundo ele, descumpriram regras comerciais do Mercosul no passado recente.

O dirigente alerta que, sem providências, a melhora do mercado só deve ocorrer entre o final de fevereiro e o início de março de 2026 — período considerado longo demais para produtores e indústrias que já enfrentam dificuldades financeiras.

Outro ponto abordado foi o risco de abandono da atividade por parte de produtores, caso o preço do leite siga inviável. Ele lembrou que isso pode resultar em redução da produção nacional e, futuramente, em dependência ainda maior de importações com preços imprevisíveis.

O Rio Grande do Sul, que consome apenas 40% do que produz, tem como principais compradores outros estados brasileiros, especialmente Rio de Janeiro, São Paulo e regiões do Nordeste. Os produtos mais comercializados continuam sendo leite UHT, queijo muçarela e leite em pó.

Do lado da indústria, a preocupação é semelhante: queda no preço, aumento de estoques e dificuldades financeiras que podem comprometer operações a médio prazo, caso não haja reação do mercado ou medidas governamentais.

Ao encerrar a entrevista, Palharini agradeceu o espaço e afirmou esperar que 2026 seja um ano de recuperação econômica e de maior estabilidade para toda a cadeia produtiva do leite no estado.

Reportagem: Rodrigo Oliveira

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