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Esquema de falsos consórcios causa prejuízo milionário, atinge centenas de vítimas e sustenta rotina de luxo de golpistas no RS

Esquema de falsos consórcios causa prejuízo milionário, atinge centenas de vítimas e sustenta rotina de luxo de golpistas no RS
05.12.2025 08h08  /  Postado por: villaadriano

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul avançou nas investigações da Operação Consortium II e revelou novos detalhes sobre o funcionamento do esquema criminoso que, há quase dez anos, aplicava golpes envolvendo falsos consórcios em pelo menos sete estados brasileiros. A organização já fez mais de 200 vítimas e causou prejuízos superiores a R$ 30 milhões, segundo a apuração.

Conforme os investigadores, o grupo direcionava suas ações principalmente a produtores rurais e pessoas em situação de grande dificuldade financeira. Aproveitando-se da limitação de crédito rural e da vulnerabilidade econômica de seus alvos, os golpistas ofereciam supostos empréstimos com juros baixos e prazos longos de pagamento. O que não diziam, porém, era que as operações não se tratavam de financiamentos, mas de consórcios, cujo funcionamento era omitido para ludibriar as vítimas.

A promessa de contemplação rápida, em alguns casos, em poucos dias, convencia produtores e trabalhadores autônomos a pagar valores de entrada acreditando que receberiam recursos para comprar maquinário, quitar dívidas ou investir em suas atividades. Nenhum dos créditos prometidos foi liberado.

Grande parte das vítimas já acumulava perdas provocadas por quebras de safra e eventos climáticos extremos, especialmente as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. Essa condição tornava o público ainda mais suscetível ao golpe, que explorava fragilidades emocionais e financeiras. A atuação da quadrilha alcançava Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Amazonas e Minas Gerais.

Com o dinheiro arrecadado, os criminosos mantinham um padrão de vida elevado. A operação resultou na apreensão de 37 veículos de luxo, entre modelos Porsche, Mercedes, BMW, Volvo, Mini, Toyota e Peugeot, avaliados em cerca de R$ 15 milhões. Também foram recolhidas joias, bens de alto valor e dois relógios Rolex estimados em aproximadamente R$ 500 mil. A Justiça determinou ainda o bloqueio de imóveis e criptomoedas que somam cerca de R$ 170 milhões. Entre os bens identificados estão apartamentos de alto padrão em Porto Belo e Balneário Camboriú, avaliados juntos em R$ 20 milhões.

Um dos pontos mais sensíveis da investigação envolve a possível participação de policiais militares no esquema. Três soldados do 3º Regimento de Polícia Montada (RPMon), de Passo Fundo, tornaram-se alvos após suspeita de terem prestado apoio ao grupo, inclusive realizando escolta aos golpistas enquanto estavam fora de serviço. Em um dos episódios, um dos militares utilizou uma viatura oficial da Brigada Militar para acompanhar integrantes da quadrilha.

Segundo o tenente-coronel Rogério Navarro, comandante do CRPO Planalto, a Corregedoria-Geral da Brigada Militar já monitorava os policiais e atuou junto à investigação desde o início das suspeitas. Atualmente, um dos soldados responde a inquérito policial, outro passa por um Conselho de Disciplina que pode resultar em sua exclusão da corporação, e o terceiro tem a situação analisada judicialmente. Dois deles já estavam afastados das funções no momento da operação, enquanto o terceiro seguia em atividade.

A ofensiva policial prendeu dez pessoas, sendo oito homens e duas mulheres. A operação é coordenada pela Delegacia de Polícia de São Francisco de Assis, com apoio da 6ª Delegacia de Polícia Regional do Interior, com sede em Passo Fundo. As investigações seguem para identificar outros envolvidos, aprofundar a apuração sobre a participação de agentes públicos e dimensionar o impacto total do esquema criminoso.

Com informações: Jornalista Fernando Kopper

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