Palestra “Canola 360” destaca expansão da cultura no RS e perspectivas para 2026
Nesta terça-feira, 2 de dezembro, a Associação de Funcionários da Cotrisoja (AFUCO) foi palco de um encontro técnico de grande relevância para o setor agrícola regional. O jornalista Fernando Kopper, da Rádio Planetário, acompanhou de perto a palestra “Canola 360 – Conhecimento do plantio à colheita”, ministrada pelo Dr. Tiago Hörbe, pesquisador da CCGL/RTC. O evento foi elaborado e promovido pela Cotrisoja, reforçando o compromisso da cooperativa em levar informação atualizada, capacitação e inovação aos seus associados e à comunidade produtiva.
Durante a entrevista concedida ao repórter, Dr. Tiago detalhou o avanço expressivo da cultura da canola no Rio Grande do Sul. Ele lembrou que, por mais de duas décadas, a área cultivada variava entre 35 e 50 mil hectares, mas que a partir de 2023 a cultura viveu um salto histórico, alcançando aproximadamente 200 mil hectares na última safra. Para o pesquisador, esse crescimento revela o amadurecimento do mercado, o aumento da liquidez e a confiança crescente dos agricultores, impulsionada pelo preço competitivo, com a saca recentemente cotada em R$ 130, acima do valor da soja no mesmo período.
Hörbe destacou que antigos receios do produtor, como problemas de doenças e debulha, ficaram no passado. O desenvolvimento de híbridos mais modernos proporcionou estabilidade produtiva, tornando a canola menos vulnerável aos impactos climáticos que afetam intensamente as culturas de inverno no estado. Enquanto o trigo sofre grandes variações em anos de El Niño, a canola mantém produtividade média entre 27 e 32 sacas por hectare, demonstrando maior resiliência.
Ao abordar as projeções para 2026, o pesquisador explicou que, embora o Rio Grande do Sul esteja sob influência de uma La Niña de fraca intensidade neste verão, isso não determina o comportamento do inverno. Há estimativas que apontam para uma possível transição a um El Niño fraco, mas ainda em caráter probabilístico. Nesse contexto, a canola segue vantajosa por sua estabilidade. Hörbe também enfatizou que a cultura não substitui o trigo, mas o complementa. Dados indicam que áreas que fazem rotação entre as duas culturas registram incremento de até 15% na produtividade do trigo na safra seguinte.
Durante a conversa, o pesquisador explicou ainda ao público leigo que a canola é base para produção de óleo de consumo humano, além de apresentar forte potencial para o segmento de biocombustíveis. Com a ampliação das áreas plantadas, novas portas se abrem para mercado interno e exportação, o que deve aumentar ainda mais a liquidez.
As projeções para o futuro são otimistas. Estudos indicam que o Rio Grande do Sul pode atingir perto de 1 milhão de hectares de canola até 2030, caso a tendência de expansão se confirme. O estado possui ampla área disponível para culturas comerciais no inverno, permitindo a convivência produtiva entre canola, trigo, pastagens e plantas de cobertura.
Em suas considerações finais, Dr. Tiago reforçou que a diversificação é fundamental para o produtor gaúcho, especialmente após quatro anos seguidos de estiagens que impactaram fortemente o setor. Para ele, a canola surge como alternativa sólida, agregando renda, fortalecendo o solo e ampliando o leque de oportunidades da propriedade rural. “É uma cultura com desafios, mas com potencial crescente e papel importante dentro dos sistemas produtivos”, afirmou.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper




