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Abelhas em risco: apicultor de Espumoso detalha importância da polinização e alerta para mortes registradas na cidade

Abelhas em risco: apicultor de Espumoso detalha importância da polinização e alerta para mortes registradas na cidade
01.12.2025 07h30  /  Postado por: villaadriano

As abelhas, consideradas por especialistas como pilares invisíveis da produção de alimentos no planeta, voltaram a ser tema de preocupação em Espumoso após moradores relatarem o aparecimento incomum de insetos mortos em diferentes pontos da cidade. Para entender a gravidade do fenômeno, o jornalista Fernando Kopper, da Rádio Planetário, conversou longamente com o apicultor Elton Luiz Laval, referência local na atividade desde os anos 1980.

Durante a entrevista, Laval explicou que a polinização realizada pelas abelhas é responsável por garantir a reprodução de plantas, equilibrar o ecossistema e assegurar boa parte da produção de frutas, legumes e grãos consumidos diariamente. “As frutas dependem da abelha para fazer a polinização de uma flor para outra. Onde tem bastante abelha, a produção aumenta muito. Na canola, por exemplo, a diferença chega a 40%”, destacou.

Mortalidade atípica preocupa moradores

Nos últimos dias, Espumoso registrou um fenômeno incomum: abelhas aparecendo desorientadas, enfraquecidas e mortas em calçadas, entradas de casas e até nos estúdios da Rádio Planetário. Segundo Laval, trata-se de algo que ele próprio não havia testemunhado dessa forma antes, especialmente com abelhas Apis mellifera, conhecidas por serem mais resistentes.

Embora não seja possível confirmar uma única causa sem análise técnica, o apicultor aponta que há fatores recorrentes que podem explicar o comportamento anormal e as mortes registradas. Entre eles, o uso inadequado de agrotóxicos, em especial produtos como fipronil, reconhecido por causar mortandade em massa, e também os impactos das mudanças climáticas, que têm alterado o ciclo natural dos insetos e afetado sua capacidade de orientação.

“O certo seria recolher algumas dessas abelhas e levar para teste em laboratório. A inspetoria veterinária pode fazer esse encaminhamento. Se for veneno, aparece na hora”, reforçou.

Desorientação, mudanças ambientais e busca por novos espaços

Um dos pontos discutidos na entrevista foi a movimentação de enxames em direção às áreas urbanas. Segundo Laval, a perda de ambientes nativos e a redução de árvores adequadas para o alojamento estão empurrando as abelhas para as cidades. Nessas situações, é comum que enxames descansem temporariamente em galhos, permaneçam algumas horas e depois sigam viagem.

Quando uma colmeia se instala em residências, paredes ou estruturas urbanas, o apicultor é categórico: o ideal é procurar um profissional capacitado para remoção segura. “Botar fogo não é o certo. O adequado é retirar e levar para um local apropriado. Infelizmente, hoje quase não há quem faça esse serviço na região”, lamentou.

A trajetória de um apicultor apaixonado

Com mais de quatro décadas de experiência, Elton Luiz Laval construiu sua história na apicultura motivado por heranças familiares e por uma coincidência que marcou sua vida. Ele relembrou ao jornalista o dia em que deu carona, sem saber, para um dos maiores apicultores da região. A partir desse encontro, viu de perto seu primeiro apiário profissional, experiência que não o deixou dormir naquela noite, tamanho o fascínio.

Desde então, enfrentou ciclos de expansão e perdas, incluindo um episódio em que perdeu 50 colmeias de uma só vez devido à aplicação inadequada de fipronil em lavoura arrendada. Ainda assim, persistiu. Hoje, mantém cerca de 70 colmeias ativas, produzindo aproximadamente 30 kg de mel por caixa ao ano, dependendo das condições climáticas.

A delicadeza da espécie e os cuidados necessários

A entrevista também trouxe curiosidades que revelam a fragilidade desse inseto tão essencial. A vida de uma abelha dura, em média, apenas 52 dias. O mel, mesmo aquecido em uma cozinha doméstica, pode atrair abelhas de longas distâncias, graças ao olfato extremamente apurado. O inverno e longos períodos de chuva reduzem a produtividade, favorecem fungos e aumentam o risco de doenças.

Ao final, Laval reforçou que a apicultura exige dedicação e resiliência. É comum iniciantes desanimarem após as primeiras perdas, mas a recompensa vem com o tempo, afirma ele. “É muito bom para quem tem no sangue. Mas não desistam na primeira dificuldade.”

O apicultor disponibilizou seu telefone para quem quiser tirar dúvidas, conhecer abelhas sem ferrão ou buscar orientações sobre manejo: (54) 9 9125-2142.

Alerta aos moradores

Quem identificar mortandade de abelhas em residências, pátios ou vias públicas deve entrar em contato com a inspetoria veterinária do município. A análise rápida pode ajudar a identificar possíveis contaminações por agrotóxicos e evitar impactos ainda maiores no ecossistema local.

Afinal, como destacou o entrevistado, sem abelhas, a produção de alimentos entra em colapso — e o futuro da própria humanidade passa a ser colocado em risco.

Com informações: Jornalista Fernando Kopper 

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