Federarroz destaca urgência em medidas para a cadeia do arroz durante audiência sobre desoneração da exportação no RS
A Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) participou, na quinta-feira, 27/11, de uma audiência pública híbrida destinada a debater a proposta apresentada pelo deputado Felipe Camozzato, que trata da desoneração da exportação de arroz do pagamento da CDO. O encontro reuniu entidades do setor, produtores e representantes técnicos para analisar o atual cenário da orizicultura, marcado por estoques elevados, queda nos preços e perda de competitividade.
Durante a audiência, foram apresentados dados que evidenciam a gravidade da conjuntura. O Brasil iniciou a colheita de 2025 com cerca de 500 mil toneladas de arroz em casca armazenadas. Para 2026, a estimativa é de que o estoque nacional ultrapasse 2 milhões de toneladas, ao passo que o Mercosul pode chegar a 3 milhões.
A combinação de crédito limitado, retração de preços e acúmulo de estoque tem pressionado de forma intensa a renda dos produtores, especialmente na metade sul do Estado, região mais dependente da cultura do arroz. Segundo o presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, a audiência serviu como passo preliminar para as votações previstas para a próxima semana, quando outro Projeto de Lei apresentado pelo Executivo poderá permitir o uso da CDO para subvenções e programas de apoio ao setor.
“Tivemos uma audiência muito importante, que serviu como uma preliminar para a votação da próxima semana. Foi uma oportunidade para os entes da cadeia arrozeira explanarem o que pretendem com a taxa CDO e contribuírem para o debate”, afirmou Nunes.
Ele ressaltou ainda a necessidade de adequar o estatuto do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). “O objetivo é viabilizar mecanismos que permitam algum tipo de subvenção ao setor, algo muito necessário no momento atual e na conjuntura enfrentada pela cadeia orizícola no Rio Grande do Sul”, destacou.
Outros pontos abordados incluíram a redução superior a 30% na área cultivada com arroz no Brasil nos últimos anos e o papel determinante do Rio Grande do Sul, responsável por aproximadamente 70% da produção nacional. Também chamou atenção a forte desvalorização do produto: atualmente, a cotação gira em torno de R$ 53,75, segundo o Cepea, valor muito abaixo do mínimo estipulado pela Conab e distante dos mais de R$ 108,00 registrados no ano anterior.
A audiência também tratou de impactos sociais decorrentes da crise, como a queda na arrecadação estadual, aumento do endividamento dos produtores, retração de postos de trabalho na metade sul e perda de competitividade diante do avanço de importações. Os participantes reforçaram que fortalecer a pesquisa, a extensão rural e a estrutura técnica do Irga é essencial para enfrentar o cenário de incertezas.
O tema volta à pauta na próxima semana, quando deve avançar a discussão sobre o estatuto do Irga e o uso dos recursos da CDO. A Federarroz reforçou que medidas estruturais e emergenciais são indispensáveis para garantir a sustentabilidade da cadeia do arroz, assegurar renda aos produtores e preservar o protagonismo do Rio Grande do Sul como principal produtor do país.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Foto : Érika Ferraz
Fonte: Correio do Povo




