Fórum Gaúcho pede suspensão imediata do herbicida 2,4-D no RS e alerta para riscos à saúde, ao meio ambiente e a comunidades vulneráveis
O Fórum Gaúcho de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos (FGCIA) divulgou nesta terça-feira (25) uma nota pública solicitando a suspensão imediata da comercialização e do uso do herbicida 2,4-D (ácido 2,4-diclorofenoxiacético) em todo o Rio Grande do Sul. O documento, assinado pelo coordenador-geral do Fórum, procurador do Trabalho Noedi Rodrigues da Silva, aponta que o produto representa uma ameaça sistêmica à saúde pública, ao meio ambiente e a diversas cadeias produtivas do Estado.
De acordo com o FGCIA, há comprovação de danos causados pelo 2,4-D em cultivos sensíveis, como parreirais e oliveiras, além da detecção de resíduos do herbicida em amostras de água e da contaminação em terras indígenas, comunidades quilombolas e áreas de produção agroecológica. Estudos científicos, ressalta a nota, relacionam o composto a problemas graves de saúde, incluindo câncer e alterações genéticas.
A procuradora da República Ana Paula Carvalho de Medeiros, coordenadora adjunta do Fórum, destaca que o aumento do uso do 2,4-D acompanha a expansão da área plantada com soja no Rio Grande do Sul. Segundo ela, a alta volatilidade do produto favorece a deriva para regiões distantes do local de aplicação, ampliando o impacto sobre culturas e comunidades.
O tema foi debatido em outubro, durante audiência pública promovida pelo FGCIA no município de Bagé. A partir das discussões, o Fórum reforça não apenas a necessidade de suspensão imediata do agrotóxico no Estado, mas também a defesa de sua proibição em nível nacional. O grupo ainda propõe a adoção de políticas de incentivo à agroecologia, além do fortalecimento da fiscalização e do monitoramento de resíduos de agrotóxicos em alimentos, solos e recursos hídricos.
O Fórum Gaúcho de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos é uma iniciativa interinstitucional coordenada pelo Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público do Trabalho (MPT) e Ministério Público Estadual (MPRS). Atualmente, reúne 82 entidades, entre órgãos governamentais, instituições acadêmicas, entidades da sociedade civil, conselhos profissionais e sindicatos, atuando no enfrentamento aos efeitos nocivos dos defensivos agrícolas no território gaúcho.
Com informações: Jornalista Fernando Kopper
Fonte: Correio do Povo




